Para melhorar a criação e evitar maior pressão nos clássicos, Vojvoda precisa ousar mais no Santos com mudanças táticas e renovação de elenco
O Santos voltou a demonstrar dificuldades para criar jogadas e agredir os adversários no empate sem gols contra o Bragantino pela quinta rodada do Campeonato Paulista. A partida, disputada na Neo Química Arena, foi marcada pela falta de emoção e pouca efetividade ofensiva, indicando que o time ainda não encontrou soluções para a geração de chances no ataque.
A equipe comandada por Juan Pablo Vojvoda não sofreu gols e o goleiro Brazão teve uma atuação tranquila, mas a incapacidade de pressionar o adversário e a baixa criatividade têm gerado cobranças. O técnico tem sido conservador, mantendo convicções que não têm produzido resultados positivos em campo. A necessidade urgente é por mais movimentação tática e aproveitamento de atletas menos utilizados, além de repensar o desenho tático para fortalecer o meio-campo e a criação.
Com o Campeonato Brasileiro começando já nesta quarta-feira para o Peixe, e dois clássicos contra o São Paulo se aproximando, o time precisa de respostas rápidas. Caso contrário, a cobrança intensa pode se transformar em pressão, afetando ainda mais o desempenho da equipe.
Essas reflexões foram apontadas em texto publicado e compartilhado pelo portal ge Santos, que ressaltou a importância da ousadia do treinador na busca por alternativas no time.
A insistência em padrões conservadores tem limitado o ataque santista
Durante o empate contra o Bragantino, o Santos sofreu para criar oportunidades. A única jogada mais trabalhada foi finalizada por Gabriel, que chutou por cima do gol após troca de passes envolvendo Willian Arão, Gabriel Menino e Zé Rafael. Foi um sinal do que o time pode oferecer, mas ainda muito aquém do esperado para a equipe e para o treinador Vojvoda.
No ataque, o técnico optou pelo esquema 4-2-4, com dois jogadores centralizados e dois abertos. Essa configuração, porém, tem deixado o meio-campo menos povoado e sem poder de criação suficiente. Um ajuste importante seria colocar mais um meia para gerar maior dinâmica, posse de bola e variação, elementos que estão faltando.
Além disso, o aproveitamento de jogadores jovens pode ser crucial para desburocratizar o jogo. Miguelito, por exemplo, foi uma aposta que resultou em 45 minutos interessantes do lado esquerdo, e Mateus Xavier também mostrou disposição para tentar o drible e criar movimentos diferentes no segundo tempo. Essa renovação é necessária diante da estagnação de atletas com pouca entrega e produção, como Lautaro Díaz e Escobar.
Jovens ganham oportunidade, mas é preciso dar sequência e ousadia tática
O desempenho dos jovens no último jogo reforça a necessidade do treinador ser menos conservador, dando mais minutos e experimentando formações que privilegiem a criatividade. O experimento com Miguelito pode ser o caminho, mas ele precisa de regularidade para se consolidar como alternativa.
No caso de Mateus Xavier, ainda que tenha errado algumas jogadas, a tentativa de arriscar o drible mostra um caminho para o Santos ganhar mais fluidez e surpresa nos ataques. Enquanto isso, figuras centrais como Lautaro Díaz têm sido alvo de críticas por não corresponder com gols ou assistências, entregando apenas disposição insuficiente para o peso da camisa do clube.
A pressão aumenta com início do Brasileiro e clássicos decisivos
Com o Campeonato Brasileiro começando, Santos enfrenta um momento delicado. A falta de criatividade e ofensividade já é uma reclamação recorrente e, se não houver mudanças rápidas por parte de Vojvoda, a cobrança dos torcedores pode aumentar significativamente.
Os próximos compromissos, incluindo os clássicos contra o São Paulo, serão fundamentais para o futuro da temporada santista. O treinador argentino precisa encontrar soluções rápidas, seja mexendo na tática ou ampliando a rotação para times com mais opções ofensivas e de criação.
Essa renovação de estratégias e elenco será vital para que o Santos retome a confiança, apresente mais qualidade em campo e evite que o que hoje é cobrança não se transforme em uma pressão ainda maior sobre o clube.