O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (14) a imposição de uma tarifa de 25% sobre determinados chips de inteligência artificial (IA). A medida, que afeta processadores de ponta como o H200 da Nvidia e o MI325X da AMD, foi justificada por uma nova ordem de segurança nacional.
A decisão surge após uma investigação de nove meses, conduzida sob a Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962. O governo Trump afirma que o objetivo é direcionar semicondutores de alto desempenho, que atendem a critérios técnicos específicos, e os dispositivos que os integram, para a aplicação de tarifas de importação.
Esta iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para incentivar a fabricação de chips nos EUA e diminuir a dependência de fornecedores em regiões como Taiwan. Conforme a ordem divulgada pela Casa Branca, os Estados Unidos atualmente produzem apenas cerca de 10% dos chips que necessitam, o que representa um “risco econômico e de segurança nacional significativo”.
A Casa Branca detalhou que as tarifas terão um escopo restrito. Elas não se aplicarão a chips e dispositivos importados para data centers nos EUA, nem a produtos destinados a startups, aplicações de consumo fora desses centros, usos industriais civis e ao setor público americano. O Secretário de Comércio, Howard Lutnick, terá ampla margem para conceder novas isenções.
Impacto no Mercado e Histórico de Tarifas
As ações de empresas como Nvidia, AMD e Qualcomm registraram leve queda no pós-mercado após o anúncio. Em dezembro, Trump já havia sinalizado a intenção de impor tarifas sobre importações chinesas de semicondutores, citando a busca de Pequim pela dominância na indústria de chips como uma resposta “irracional”. Essa medida, porém, foi adiada para junho de 2027.
A decisão atual segue uma investigação de um ano sobre práticas comerciais consideradas desleais por parte da China, especialmente em relação à exportação de chips “legados”, ou de tecnologia mais antiga, para os EUA. Essa investigação foi iniciada pelo governo do ex-presidente Joe Biden, sob a Seção 301.
Havia incertezas sobre quais produtos seriam afetados, os percentuais exatos das tarifas e a possibilidade de isenções para determinados países ou empresas. O anúncio desta quarta-feira, juntamente com as notícias de dezembro, sugere uma abordagem mais cautelosa do governo em relação às importações de chips, por ora.
Estratégias Anteriores e Novas Exigências
No ano passado, Trump chegou a anunciar que permitiria à Nvidia vender chips H200 para a China em troca de uma participação nas vendas. Contudo, especialistas jurídicos levantaram questões sobre a possível violação da proibição constitucional dos EUA de taxar exportações.
Recentemente, o governo Trump determinou que chips destinados à China, após saírem de Taiwan, façam uma escala nos EUA para passar por testes em laboratórios terceirizados. Ao reentrarem nos Estados Unidos, esses chips ficam sujeitos à tarifa de 25% anunciada. A AMD afirmou em comunicado que “cumpre todas as leis e políticas de controle de exportações dos Estados Unidos”. A Nvidia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da agência Reuters.