Trump Aumenta Importação de Carne Argentina em 80 Mil Toneladas para Tentar Frear Preços nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto que eleva temporariamente as importações de carne bovina argentina com tarifas reduzidas. A decisão busca combater o aumento do custo de vida no país e a alta nos preços da carne.
A medida determina um aumento de 80 mil toneladas métricas na cota de importação do produto em 2026, especificamente para aparas magras de carne bovina vindas da Argentina. Essas aparas são retalhos menores e com baixo teor de gordura, frequentemente resultantes do processo de desossa e corte de peças maiores.
O objetivo declarado é tornar a carne mais acessível aos consumidores americanos, em um momento de críticas ao governo Trump pela escalada do custo de vida. Os preços da carne bovina atingiram níveis recordes nos EUA no ano passado, beneficiando pecuaristas, mas pressionando o bolso dos cidadãos.
A iniciativa foi anunciada após conversas com o secretário de Agricultura americano, com a intenção de aumentar a oferta de carne moída. Conforme informação divulgada pela agência Reuters, economistas ouvidos pela reportagem afirmam que o impacto no bolso do consumidor americano deve ser limitado, com maior benefício para empresas de alimentos.
Setor Pecuário Critica a Medida de Trump
Representantes do setor pecuário americano demonstraram descontentamento com a decisão. A senadora republicana Deb Fischer, de Nebraska, um importante estado produtor de gado, declarou que o foco deveria ser em soluções para reduzir a burocracia e os custos de produção, além de apoiar a expansão do rebanho americano, em vez de importar produtos que prejudicam os pecuaristas locais.
Em 2024, os Estados Unidos importaram cerca de 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina, representando 2% do total das importações do país, segundo dados governamentais. A nova medida busca alterar significativamente essa dinâmica.
Acordo Comercial Amplia Cooperação EUA-Argentina
A decisão sobre a importação de carne ocorre em paralelo a um acordo comercial mais amplo assinado entre os EUA e a Argentina. Este acordo, fechado na quinta-feira (5), prevê a redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos, com o objetivo de fortalecer as relações comerciais entre as duas nações.
O entendimento também abrange materiais críticos, alinhado à estratégia de Trump de reduzir a dependência da China. O acordo visa facilitar investimentos americanos em diversos setores da economia argentina, desde a exploração de recursos até o processamento e exportação.
Detalhes do Acordo Comercial e Benefícios Mútuos
O acordo comercial prevê que a Argentina zerará ou reduzirá tarifas para milhares de produtos americanos, incluindo uma cota de 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos. Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão sobretaxas a um teto de 10% sobre outros bens.
O governo argentino comemorou o acordo, classificando-o como um pilar para consolidar uma relação estratégica baseada na abertura econômica e em regras claras para o intercâmbio internacional, fortalecendo a posição da Argentina no mundo ocidental.
Oportunidades de Investimento e Blocos Comerciais
Além da carne e veículos, o acordo facilita investimentos americanos em setores estratégicos argentinos como energia, infraestrutura, tecnologia, bens de capital e defesa. O acordo entra em vigor 60 dias após a troca de notificações formais entre os países.
Paralelamente, os Estados Unidos buscam formar um bloco comercial de minerais críticos com aliados. O Brasil participou de uma reunião sobre o tema, mas ainda avalia sua adesão, buscando parcerias que tragam valor agregado ao país.