Trump Intensifica Ataque ao Presidente do Fed com Ameaça de Acusação Criminal
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) ao ameaçar indiciar o presidente da instituição, Jerome Powell. A medida, que visa Powell por declarações feitas ao Congresso sobre a reforma de um edifício, é vista como um movimento para influenciar a política de juros do país.
Powell classificou a iniciativa como um “pretexto” para aumentar a influência política sobre a definição da taxa de juros. Essa taxa é um ponto de atrito constante, com Trump defendendo sua redução significativa para impulsionar a economia.
Este episódio representa uma escalada na ofensiva de Trump para ter maior controle sobre o Fed. A ação gerou reações imediatas no Congresso, com senadores expressando preocupação com a independência e credibilidade do Departamento de Justiça.
O senador republicano Thom Tillis, membro do Comitê Bancário do Senado, afirmou que a ameaça de indiciamento compromete a “independência e a credibilidade” do Departamento de Justiça. Ele declarou que se oporá a qualquer nomeação de Trump para o Fed, incluindo o futuro sucessor de Powell, até que a questão legal seja completamente esclarecida. A autonomia do Fed para conduzir a política de juros sem interferência política está em jogo.
Autonomia do Fed Sob Fogo Cruzado
A autonomia do Fed para definir a política de juros dos Estados Unidos sem interferência indevida de autoridades eleitas é fundamental para a estabilidade econômica. Trump, que tende a preferir juros mais baixos por razões políticas, tem pressionado constantemente a instituição.
Jerome Powell, nomeado para o comando do Fed pelo próprio Trump em 2018, encerra seu mandato em maio, mas não é obrigado a deixar o cargo. Analistas sugerem que a pressão do governo pode, paradoxalmente, aumentar as chances de Powell permanecer na função como forma de resistência à interferência.
Reação do Mercado e Consequências Potenciais
A ação do governo contra Powell ocorre cerca de duas semanas antes de a Suprema Corte analisar um esforço de Trump para demitir outra dirigente do Fed, a diretora Lisa Cook. Em Wall Street, a reação inicial foi de cautela.
Desde a reeleição de Trump em novembro de 2024, investidores acompanham de perto o embate entre a Casa Branca e o banco central. Isso ocorre em meio à promessa do presidente de melhorar o poder de compra dos norte-americanos após um período de inflação elevada.
Karl Schamotta, estrategista-chefe de mercado da Corpay, alertou: “As revelações desta noite representam uma escalada dramática nos esforços do governo para enfraquecer o Fed e podem desencadear uma série de consequências não intencionais, que vão diretamente contra os objetivos declarados do presidente Trump”.
Detalhes da Intimação e Declarações de Powell
A mais recente ofensiva do governo foi revelada por Powell no fim da noite de domingo. Ele informou que o Fed recebeu, na semana passada, intimações do Departamento de Justiça. Estas intimações estão relacionadas a comentários feitos ao Congresso sobre os custos excedentes de um projeto de reforma avaliado em US$ 2,5 bilhões no complexo da sede do banco central, em Washington.
Powell declarou: “Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilidade em nossa democracia. Ninguém — certamente não o chair do Federal Reserve — está acima da lei.” Ele ressaltou, contudo, que a iniciativa deve ser vista dentro de um contexto mais amplo de ameaças e pressão contínua do governo por juros mais baixos e maior influência sobre o Fed.
Trump Reage à Notícia
Donald Trump afirmou à NBC News, no domingo, que desconhecia as ações do Departamento de Justiça. “Não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”, disse o presidente.
Um porta-voz do Departamento de Justiça se recusou a comentar o caso, mas declarou que “o procurador-geral instruiu os procuradores dos EUA a priorizar investigações sobre qualquer possível uso indevido de recursos do contribuinte”. A situação levanta questões sobre a independência do Fed e o futuro da política monetária americana.