Suprema Corte Decide Futuro de Tarifas de Trump: Risco de Devolução de Bilhões
O presidente Donald Trump admitiu que os Estados Unidos correm o risco de ter que devolver centenas de bilhões de dólares em tarifas alfandegárias caso a Suprema Corte decida contra seu governo na análise da legalidade dessas cobranças. A decisão, aguardada para os próximos dias, pode redefinir os limites do poder presidencial e afetar acordos comerciais com diversos países, incluindo o Brasil.
A declaração foi feita em um momento que Trump avaliava seu primeiro ano de retorno à Presidência, destacando sua insatisfação com a comunicação de seus feitos econômicos. Ele citou a inflação como um ponto de preocupação, embora dados oficiais mostrem uma oscilação em torno de 3%, acima da meta de 2% do Federal Reserve.
O cerne da questão reside em uma lei federal de 1977, originalmente destinada a emergências nacionais, que Trump utilizou para impor tarifas globais. A Suprema Corte está analisando se o presidente extrapolou sua autoridade ao usar essa legislação, um processo que se arrasta desde meados de 2025 e que já teve decisões desfavoráveis em instâncias inferiores.
A decisão final da Suprema Corte não apenas definirá a legalidade das tarifas, mas também pode impactar significativamente as finanças americanas, com a possibilidade de devolução de valores arrecadados. Conforme informação divulgada pela imprensa americana, o caso envolve um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior que concluiu que o republicano agiu além de sua autoridade legal.
O Processo Judicial e o Poder Presidencial em Jogo
O caso que chegou à Suprema Corte começou com ações movidas por empresas prejudicadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, a maioria administrada por democratas. A decisão de setembro passado, que levou o tema à instância máxima, foi uma resposta ao recurso do governo Trump contra uma decisão de um tribunal de apelações que considerou a maioria das tarifas ilegais.
Durante as sustentações orais em novembro, juízes da Suprema Corte expressaram dúvidas sobre a base legal das tarifas. O debate principal girou em torno da interpretação da lei de 1977, levantando questões sobre o poder inerente dos presidentes em negociações internacionais, segundo a agência Reuters. A corte, com maioria conservadora de 6 a 3, parece dividida sobre o resultado.
Impacto no Brasil e Outros Países Exportadores
A decisão sobre as tarifas impostas por Donald Trump tem implicações diretas para o Brasil, que figura entre os países afetados. A estratégia de usar tarifas como ferramenta de pressão e renegociação de acordos comerciais foi um pilar da política externa de Trump em seu segundo mandato, gerando concessões econômicas, mas também instabilidade nos mercados globais.
Caso a Suprema Corte declare as tarifas ilegais, a política comercial americana pode sofrer uma reviravolta completa. Além da suspensão das cobranças, o governo americano pode ser obrigado a reembolsar bilhões de dólares arrecadados com essas taxas, que funcionam como impostos sobre produtos importados.
Críticas à Comunicação e Dados de Inflação
Paralelamente à questão das tarifas, Trump criticou sua própria equipe de comunicação, alegando que os avanços econômicos de seu governo não estão sendo devidamente comunicados ao público. Ele mencionou especificamente a inflação, afirmando que os índices herdados eram altos e que foram significativamente reduzidos. No entanto, dados oficiais indicam que a inflação nos EUA tem oscilado em torno de 3% durante seu mandato, permanecendo acima da meta estabelecida pelo Federal Reserve.
Histórico da Disputa das Tarifas
Em agosto de 2025, Trump já havia criticado uma decisão de tribunal de apelações que declarou ilegais a maioria das tarifas. Na época, o tribunal permitiu que as tarifas continuassem em vigor até outubro de 2025, para dar ao governo a chance de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, o governo Trump garantiu a continuidade da cobrança das tarifas, que permanecem em vigor até a decisão final da Suprema Corte.