Ugandenses e Iranianos Buscam Alternativas de Comunicação com App Offline do Fundador do Twitter
Em cenários de crescente restrição digital, o aplicativo de mensagens offline Bitchat, idealizado por Jack Dorsey, cofundador do Twitter, tem visto um aumento expressivo em seu uso. A plataforma, que não depende de conexão com a internet, tornou-se uma ferramenta vital para comunicação em países como Uganda e Irã, onde governos impõem o bloqueio de redes para conter manifestações e controlar o fluxo de informações.
Os dados indicam que o uso do Bitchat mais do que triplicou no Irã. O fechamento da internet pelo governo, uma tática para reprimir protestos, forçou os cidadãos a buscarem soluções de comunicação alternativas. Essa necessidade realça a importância de ferramentas que garantam a liberdade de expressão em momentos de crise.
Jack Dorsey, que admitiu ser “parcialmente culpado” pela centralização da internet e expressou arrependimento, lançou o Bitchat no ano passado. O aplicativo se destaca por sua interface minimalista e pela ausência da necessidade de login, características que remetem ao papel amplificador que o Twitter desempenhou durante a Primavera Árabe, permitindo a transmissão de informações em tempo real.
Diferentemente de plataformas tradicionais, o Bitchat opera sem a necessidade de conectividade com a internet ou com redes de telefonia celular. Ele utiliza a tecnologia de malha Bluetooth para criar uma rede descentralizada. Mensagens enviadas por um usuário podem utilizar outros telefones como intermediários, formando uma cadeia que permite a comunicação mesmo sem acesso à rede global. Essa tecnologia tem se mostrado uma opção valiosa para ativistas e manifestantes em diversas partes do mundo.
O Papel de Mensagens Offline em Cenários de Conflito
Serviços de mensagens baseados em Bluetooth, como o Bitchat, vêm ganhando espaço como uma alternativa para manifestantes. Historicamente, essa tecnologia foi adotada durante protestos em Hong Kong em 2020, com o uso de aplicativos como o Bridgefy. Similarmente, em Mianmar, após o golpe militar em 2021, o Bridgefy registrou mais de 1 milhão de downloads, demonstrando sua relevância em contextos de instabilidade política.
Uganda Enfrenta Restrições de Internet Durante Período Eleitoral
Em Uganda, a situação se tornou crítica com o pedido de Bobi Wine, estrela pop e candidato da oposição, para que a população baixasse o Bitchat. Wine alertou sobre um possível desligamento da internet pelo governo, com o intuito de impedir a organização e a verificação dos resultados eleitorais. A preocupação com a manipulação informacional em períodos eleitorais é um tema recorrente em democracias fragilizadas.
Na terça-feira, autoridades ugandenses confirmaram o corte de acesso à internet e a limitação de serviços de telefonia celular em todo o país. Segundo comunicado oficial, a medida visava conter “desinformação, fraude eleitoral e riscos relacionados”. Essa ação levanta sérias questões sobre a liberdade de expressão e o direito à informação durante o processo eleitoral.
Detenções e Críticas às Medidas Governamentais
As forças de segurança em Uganda detiveram centenas de apoiadores da oposição antes da eleição de quinta-feira. Relatos indicam o uso de balas reais e gás lacrimogêneo em eventos de campanha, em apoio a Bobi Wine. Essas ações geraram condenações de especialistas e organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional.
Organizações como a Anistia Internacional pediram o fim da paralisação da internet em Uganda. Argumentam que, em vez de conter a desinformação, os apagões digitais podem, paradoxalmente, aumentar a disseminação de boatos. A falta de acesso a fontes oficiais e confiáveis pode levar as pessoas a buscarem informações em canais não verificados, exacerbando o problema que as medidas visavam combater.