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Alemanha exige respeito aos mortos: IA que cria imagens do Holocausto é criticada e pede remoção de conteúdo

Alemanha pede ‘respeito pelos mortos’ após IA criar imagens do Holocausto

A Alemanha expressou forte preocupação e exigiu respeito pela memória das vítimas do Holocausto após a criação e disseminação de imagens geradas por inteligência artificial (IA) que retratam o período. Instituições memoriais e o Ministro da Cultura e Mídia alemão, Wolfram Weimer, criticaram veementemente o uso da tecnologia para recriar eventos históricos de tamanha gravidade.

O conteúdo gerado por IA, segundo carta divulgada por organizações em 13 de janeiro, “distorce a história por meio da trivialização e da kitschificação”. Essas representações, alertam, podem alimentar a desconfiança em relação a documentos históricos autênticos e, pior, minar a seriedade com que o Holocausto deve ser tratado.

O Ministro Wolfram Weimer declarou apoio total aos esforços das instituições memoriais para que as imagens criadas por IA sejam claramente identificadas e, em casos necessários, removidas. Ele enfatizou que a questão transcende a tecnologia, sendo uma questão fundamental de “respeito pelos milhões de pessoas que foram mortas e perseguidas sob o regime de terror nazista”.

As empresas de inteligência artificial, incluindo a xAI de Elon Musk, que opera o chatbot Grok, enfrentam pressão não apenas por imagens históricas, mas também pela proliferação de conteúdos deepfake sexualizados envolvendo mulheres e menores de idade. Essa dualidade de usos levanta sérias questões éticas sobre o controle e a responsabilidade no desenvolvimento e aplicação da IA.

Ameaça à memória histórica e disseminação de desinformação

Instituições memoriais, como os centros que homenageiam vítimas em Bergen-Belsen, Buchenwald e Dachau, alertaram que as imagens geradas por IA surgem com múltiplos objetivos. Parte delas visa simplesmente gerar atenção e lucro, enquanto outra parcela busca deliberadamente “diluir fatos históricos, mudar os papéis de vítima e perpetrador ou espalhar narrativas revisionistas”.

O papel das instituições memoriais na era digital

Essas instituições, que preservam a memória de judeus, ciganos, sinti, minorias sexuais e pessoas com deficiência mortas e perseguidas pelo regime nazista, desempenham um papel crucial. Elas buscam garantir que a história não seja distorcida ou esquecida, especialmente em um contexto onde a tecnologia pode ser usada para fins nefastos.

A necessidade de regulamentação e clareza

A demanda por uma marcação clara e, quando necessário, a remoção de conteúdo de IA que distorce fatos históricos é um passo importante. A Alemanha, através de seu Ministro da Cultura, demonstra um compromisso em proteger a integridade da memória histórica e honrar as vítimas, combatendo ativamente a disseminação de desinformação e a banalização de um dos capítulos mais sombrios da humanidade.

Pressão sobre empresas de IA

A pressão sobre empresas como a xAI não se limita a conteúdos históricos. A divulgação massiva de imagens deepfake sexualizadas de mulheres e menores de idade online também coloca essas companhias sob intenso escrutínio. A capacidade da IA de gerar e disseminar conteúdo falso ou prejudicial exige um debate urgente sobre ética, responsabilidade e regulamentação.

Meta Cede ao Cade: Chatbots no WhatsApp no Brasil Ganham Exceção Inédita Após Investigação

Meta abre exceção para chatbots no WhatsApp no Brasil após pressão do Cade

A Meta, empresa dona do WhatsApp, anunciou uma mudança significativa em suas políticas globais. Uma exceção foi criada especificamente para números de telefone brasileiros, permitindo o uso de chatbots de inteligência artificial no aplicativo de mensagens.

Essa decisão surge em resposta direta a uma determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão brasileiro agiu de forma preventiva, exigindo a suspensão de restrições impostas pela Meta a provedores terceiros de soluções de IA.

A investigação do Cade apura supostas práticas anticompetitivas por parte da Meta no mercado brasileiro. A empresa não confirmou publicamente se a exceção para o Brasil está diretamente ligada à decisão do Cade.

A medida preventiva do Cade visa garantir a livre concorrência e o acesso a tecnologias de inteligência artificial por empresas brasileiras que utilizam o WhatsApp Business para se comunicar com seus clientes.

Entenda a Restrição Inicial da Meta

Anteriormente, as novas regras do WhatsApp Business implementadas pela Meta visavam impedir que terceiros oferecessem soluções de inteligência artificial, como chatbots de uso geral, diretamente no aplicativo. A intenção parecia ser centralizar o controle sobre as ferramentas de IA disponíveis na plataforma.

Essa política, se aplicada globalmente sem exceções, poderia ter um impacto considerável no ecossistema de negócios que depende de chatbots para atendimento ao cliente, vendas e outras interações automatizadas no WhatsApp.

A Intervenção do Cade e a Suspensão das Restrições

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) interveio ao receber denúncias sobre as novas regras da Meta. Em uma medida preventiva, o órgão determinou que a gigante da tecnologia suspendesse imediatamente as restrições impostas a provedores terceiros de soluções de IA.

O Cade abriu um inquérito administrativo para investigar se as ações da Meta configuram condutas anticoncorrenciais no Brasil. A preocupação é que a empresa possa estar utilizando sua posição dominante no mercado de aplicativos de mensagens para prejudicar a concorrência.

Impacto da Exceção para o Mercado Brasileiro

Com a exceção aberta pela Meta para números brasileiros, empresas e desenvolvedores que oferecem soluções de chatbot no WhatsApp podem continuar suas operações. Isso garante a continuidade de serviços essenciais para o comércio eletrônico e o atendimento ao consumidor no país.

A decisão do Cade demonstra a importância da atuação dos órgãos reguladores para garantir um ambiente de negócios justo e competitivo, especialmente em setores de rápida evolução tecnológica como o de inteligência artificial.

Próximos Passos da Investigação do Cade

O inquérito administrativo aberto pelo Cade continuará a apurar as práticas da Meta. O órgão buscará entender a fundo se as restrições impostas pela empresa configuram abuso de poder econômico e quais os impactos para o mercado brasileiro de soluções de IA e para os consumidores.

A Meta terá a oportunidade de apresentar sua defesa ao Cade, e o órgão regulador analisará todas as evidências para tomar uma decisão final sobre o caso. A expectativa é que a resolução traga mais clareza sobre as regras de uso de IA em plataformas de comunicação no Brasil.