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Apple Aceita Abrir Lojas de Apps no Brasil Após Pressão do Cade e Mercado Livre: Entenda as Mudanças e Riscos

Apple cede e permitirá lojas de apps alternativas no Brasil em acordo com o Cade

Em uma reviravolta significativa para o mercado de tecnologia brasileiro, a Apple anunciou que permitirá a instalação de lojas de aplicativos de terceiros em seus dispositivos no Brasil. A decisão atende às exigências do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que investiga práticas anticompetitivas da empresa.

Apesar de concordar com as mudanças, a gigante de Cupertino expressou preocupações. A empresa afirmou em comunicado que, embora as novas medidas visem cumprir as determinações do Cade, elas podem expor os usuários a **riscos de privacidade e segurança**. Essa ressalva levanta debates sobre o equilíbrio entre a abertura do mercado e a proteção dos consumidores.

A investigação que levou a este acordo teve início em 2022, após uma reclamação formal apresentada pelo Mercado Livre. A empresa de e-commerce e serviços digitais alegou restrições impostas pela Apple na distribuição de produtos digitais e na realização de compras dentro de seus aplicativos, práticas que limitariam a concorrência.

Diante das alegações, o Cade agiu de forma preventiva em 2024, emitindo medidas contra a Apple. Posteriormente, em uma etapa crucial, o órgão técnico do Cade recomendou uma decisão desfavorável à empresa norte-americana, intensificando a pressão para uma resolução.

O Mercado Livre, por sua vez, reconheceu os esforços do Cade na busca por um ambiente mais justo. No entanto, a companhia ressaltou que o acordo firmado com a Apple **atende apenas parcialmente às necessidades** de um mercado com regras mais equilibradas, indicando que ainda existem pontos a serem aprimorados.

Duração do acordo e prazos para implementação

O pacto entre o Cade e a Apple terá um período de vigência de **três anos**. Esse prazo começará a contar a partir do momento em que os novos termos se tornarem obrigatórios para os desenvolvedores de aplicativos. O órgão regulador brasileiro informou que a Apple dispõe de um prazo de 105 dias para implementar as mudanças acordadas.

Penalidades em caso de descumprimento

Para garantir o cumprimento do acordo, o Cade estabeleceu uma penalidade financeira. Caso a Apple descumpra os termos estabelecidos, a empresa estará sujeita ao pagamento de uma multa que pode chegar a **R$ 150 milhões**. Além disso, a Apple concordou em encerrar uma ação judicial que havia movido contra as medidas preventivas emitidas pelo Cade em 2024.

O que muda para os desenvolvedores e usuários?

A principal mudança trazida pelo acordo é a possibilidade de outras lojas de aplicativos serem disponibilizadas nos dispositivos da Apple. Isso pode significar um aumento na concorrência e, potencialmente, mais opções e preços mais competitivos para os consumidores de aplicativos e serviços digitais. A Apple, no entanto, reitera seus receios quanto à segurança e privacidade, um ponto que certamente será monitorado de perto.

Histórico da investigação e o papel do Mercado Livre

A investigação do Cade contra a Apple ganhou força com a denúncia do Mercado Livre, que apontou para práticas restritivas na App Store. O órgão antitruste atuou para garantir um ambiente mais competitivo, emitindo medidas e recomendando decisões desfavoráveis à Apple, culminando no acordo atual. A participação ativa do Mercado Livre foi fundamental para impulsionar as negociações e as mudanças necessárias.

Microsoft Sob Investigação: Cade Abre Processo Contra Gigante da Tecnologia por Práticas em Software Corporativo e Nuvem

Cade inicia investigação formal contra a Microsoft por suspeitas de infrações à ordem econômica no mercado de software corporativo e computação em nuvem.

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu um passo significativo ao abrir um processo contra a Microsoft. A investigação visa apurar possíveis infrações à ordem econômica, concentrando-se nas práticas da gigante da tecnologia nos promissores mercados de software corporativo e computação em nuvem.

A decisão do Cade, divulgada nesta sexta-feira, representa o acolhimento de uma recomendação feita pela área técnica do próprio órgão. Essa recomendação, por sua vez, baseou-se em um importante relatório emitido pela Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) do Reino Unido em julho do ano passado.

O relatório britânico identificou o que chamou de **efeitos adversos à concorrência**, decorrentes das políticas de licenciamento de softwares adotadas pela Microsoft naquele país. A análise do Cade agora busca verificar se práticas semelhantes podem ter impactado o mercado brasileiro.

Procurada pela Reuters, a Microsoft no Brasil não emitiu um pronunciamento imediato sobre a abertura do inquérito. A empresa terá a oportunidade de apresentar sua defesa e esclarecer as práticas questionadas durante o processo investigativo conduzido pelo órgão antitruste brasileiro.

Contexto Internacional e Impacto no Brasil

A investigação do Cade não surge isoladamente. Ela reflete uma crescente preocupação global com o poder de mercado das grandes empresas de tecnologia e suas estratégias de licenciamento. O relatório da CMA do Reino Unido foi um gatilho importante, apontando para a necessidade de uma análise mais aprofundada.

O foco em **software corporativo e computação em nuvem** é particularmente relevante. Esses são setores cruciais para a operação de empresas de todos os portes e para a transformação digital. Qualquer distorção na concorrência aqui pode ter um impacto amplo na economia.

Próximos Passos da Investigação

Com a abertura do processo, a Microsoft será notificada formalmente e terá o direito de apresentar sua defesa. O Cade analisará as evidências e argumentos de ambas as partes. O objetivo é determinar se houve, de fato, práticas anticompetitivas que prejudicaram a livre concorrência no Brasil.

A atuação da Microsoft nesses mercados, que envolvem desde sistemas operacionais até serviços de nuvem como o Azure, é vasta. O Cade buscará entender se as condições impostas pela empresa em seus contratos e licenciamentos criam barreiras injustificadas para concorrentes ou para os próprios consumidores.