Tarifaço de Trump em Xeque: Suprema Corte Decide Futuro do Dólar e Impacto Global no Comércio

Suprema Corte dos EUA Define o Destino do Tarifaço de Trump: O que Muda para o Dólar e o Brasil?

A Suprema Corte dos Estados Unidos julga nesta quarta-feira (14) a legalidade das tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump a diversos países. A decisão, aguardada com grande expectativa por analistas, pode ter implicações profundas para a economia global, o valor do dólar e, consequentemente, para o comércio exterior brasileiro.

O cerne da questão reside na prerrogativa presidencial de instituir tarifas sem o aval do Congresso, algo que a Constituição americana reserva ao poder legislativo. Trump se baseou na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar suas ações, uma lei que, embora já utilizada para sanções, nunca havia embasado sobretaxas de tamanha amplitude.

Empresas e governos estaduais americanos questionam essa interpretação, e três instâncias judiciais inferiores já deram ganho de causa aos opositores. Agora, a palavra final cabe à Suprema Corte, cujo veredito moldará o futuro das políticas comerciais americanas e suas repercussões internacionais.

Conforme informação divulgada por fontes especializadas em comércio exterior, uma decisão favorável a Trump consolidaria as tarifas como um instrumento legítimo de política econômica, com potencial para fortalecer o dólar e gerar pressões inflacionárias nos EUA. Por outro lado, uma derrota para o ex-presidente poderia levar à devolução de bilhões de dólares e a um cenário de maior instabilidade no mercado financeiro global.

Cenário 1: Tarifas Consideradas Legais e o Fortalecimento do Dólar

Caso a Suprema Corte valide as tarifas impostas por Trump, que variam de 10% a 50%, a política de sobretaxas se consolidaria como um instrumento válido de política econômica nos EUA. Segundo Sérgio Brotto, CEO da Dascam Corretora de Câmbio, esse cenário tende a fortalecer o dólar. “Tarifas geram inflação, que exige juros altos, que fortalecem o dólar“, explica Brotto.

O aumento dos preços de produtos importados eleva a inflação interna, o que, por sua vez, pode levar o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo. Juros altos nos EUA tornam os investimentos no país mais atraentes, atraindo capital estrangeiro e, consequentemente, aumentando a demanda pela moeda americana.

Esse movimento transforma os Estados Unidos em um “verdadeiro aspirador de capital”, conforme descrito por Brotto, direcionando investimentos globais para a renda fixa americana. Dados recentes indicam que os preços ao consumidor nos EUA subiram 0,3% em dezembro, com a inflação acumulada em 12 meses em 2,7%, acima da meta de 2% do Fed, reforçando a expectativa de juros altos.

Cenário 2: Tarifas Declaradas Ilegais e o Enfraquecimento do Dólar

Se a Suprema Corte considerar as tarifas ilegais, a cobrança seria suspensa. No entanto, a devolução automática dos valores já arrecadados não é garantida, exigindo que as empresas entrem com pedidos específicos para reaver o dinheiro. Trump já alertou que uma decisão contrária poderia forçar a devolução de centenas de bilhões de dólares, gerando um cenário de “completo caos”.

Para o mercado financeiro, a derrota de Trump significaria um enfraquecimento do dólar. Sem a pressão inflacionária das tarifas, o Fed teria mais margem para reduzir os juros, tornando o dólar menos atrativo. Isso, por sua vez, pode incentivar investidores a buscar maior rentabilidade em mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Na prática, um dólar mais fraco no mercado internacional pode levar a uma maior entrada de capital em países emergentes, resultando na valorização do real frente à moeda americana e reduzindo as expectativas de juros no Brasil. Mesmo em caso de derrota, o governo Trump já sinalizou a possibilidade de buscar outras justificativas legais para impor tarifas, como questões de segurança nacional.

Impacto Direto nas Exportações Brasileiras

A decisão da Suprema Corte terá um impacto direto nas exportações brasileiras. Atualmente, produtos brasileiros chegam aos EUA sem tarifas adicionais ou sujeitos a sobretaxas de até 40%. Uma decisão favorável a Trump manteria os custos elevados e a instabilidade para os exportadores brasileiros, que enfrentaram tarifas em três momentos ao longo de 2025, começando com 10% em abril e chegando a até 50% em julho.

Por outro lado, uma decisão desfavorável a Trump abriria espaço para a retomada das exportações brasileiras, com preços mais previsíveis e menor pressão sobre o câmbio. Analistas do banco Wells Fargo estimam que a decisão afetará pelo menos US$ 90 bilhões em tributos de importação já recolhidos, o equivalente a cerca de metade da receita tarifária anual dos EUA.

Incerteza Persiste, mas o Poder Unilateral Diminui

Independentemente do desfecho, a decisão da Suprema Corte não elimina completamente a incerteza no comércio internacional, mas tende a reduzir o poder do presidente de impor tarifas de forma repentina e unilateral. Para a economia dos EUA, a derrubada das tarifas poderia aliviar pressões inflacionárias e melhorar a competitividade da indústria, mas implicaria perda de arrecadação e impacto político interno.

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