Apenas Japão, Turquia e China compraram mais café brasileiro em 2025 entre os maiores importadores.
Em um cenário desafiador para as exportações de café do Brasil em 2025, marcado por problemas climáticos e tarifas impostas pelos Estados Unidos, um grupo seleto de países mostrou resiliência. O Japão, a Turquia e a China foram as únicas nações entre os dez maiores importadores que registraram um aumento nas aquisições do produto brasileiro durante o período de doze meses, contrastando com a tendência geral de queda.
Essa inversão de marcha, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), ocorreu por razões distintas em cada um desses mercados. Enquanto o Japão buscou recompor seus estoques, a Turquia ampliou suas exportações para regiões em conflito, e a China, impulsionada pelo crescente consumo interno, consolidou sua posição como um mercado em franca expansão para o café brasileiro.
No total, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café entre janeiro e dezembro de 2025, um volume 20,8% inferior ao registrado em 2024. Apesar da retração quantitativa, a receita das exportações atingiu um recorde histórico, reflexo da valorização do café no mercado internacional.
A queda nas exportações brasileiras de café em 2025, conforme divulgado pelo Cecafé, foi influenciada por fatores climáticos adversos que impactaram a produção nacional e pela imposição de tarifas pelos Estados Unidos, que afetaram especialmente o café solúvel. Essa situação levou os EUA a perderem a liderança como principal comprador, cedendo espaço para a Alemanha, que, ironicamente, também diminuiu suas importações em 28,7%.
O Japão volta a comprar mais café brasileiro.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explicou que o aumento nas compras de café brasileiro pelo Japão está diretamente ligado à recomposição dos estoques. O país asiático havia reduzido suas importações anteriormente, pois possuía um volume considerável de café armazenado. Com a diminuição desses estoques, o Japão retomou suas aquisições para atender tanto o mercado interno quanto para redistribuir o produto a outras nações da região.
Turquia: um elo de abastecimento em regiões de conflito.
A Turquia se destacou por desempenhar um papel crucial no abastecimento de café em países que enfrentam instabilidade e conflitos. Ferreira ressaltou que a Turquia atua como exportadora de café para diversas nações em situações de dificuldade, incluindo áreas de guerra, o que impulsionou suas compras do produto brasileiro para atender essa demanda específica.
China: o gigante emergente que ama café.
A China, tradicionalmente conhecida pelo consumo de chá, tem se revelado um mercado de enorme potencial para o café. O país, que já ocupa a sexta posição entre os maiores consumidores globais, atrás de União Europeia, EUA, Brasil, Filipinas e Japão, registrou um aumento de 19,49% nas importações de café brasileiro em 2025, totalizando 1,1 milhão de sacas. Essa expansão é atribuída principalmente ao crescente interesse dos jovens chineses pela bebida, com projeções de um aumento ainda mais expressivo nos próximos anos.
Impacto das tarifas dos EUA e a nova liderança alemã.
O mercado norte-americano sentiu o impacto das tarifas, com uma **queda de 33,9% nas exportações brasileiras de café em 2025**, uma situação que persiste para o café solúvel. Essa redução fez com que os Estados Unidos deixassem de ser o principal destino do café brasileiro, com a Alemanha assumindo a liderança. Contudo, a Alemanha também viu suas importações caírem 28,7%, evidenciando um cenário geral de retração entre os grandes compradores, com exceção dos três países mencionados.