Estatais Federais Registram R$ 5,1 Bilhões em Déficit em 2025, Segundo Pior Resultado da História
As empresas estatais federais fecharam o ano de 2025 com um déficit expressivo de R$ 5,13 bilhões. Este resultado representa o segundo pior rombo financeiro desde o início da série histórica apurada pelo Banco Central, em 2002, evidenciando um cenário de dificuldades para diversas companhias públicas.
O termo ‘déficit’ indica que os gastos somados dessas estatais superaram as receitas obtidas ao longo do ano. O resultado de 2025 é inferior apenas ao registrado em 2024, que alcançou um déficit recorde de R$ 6,73 bilhões. Em contrapartida, o maior superávit da série histórica foi de R$ 10,3 bilhões, em 2019.
É importante notar que a série histórica do Banco Central, iniciada em 2002, exclui grandes empresas como Petrobras e Eletrobras, além de instituições financeiras públicas. A metodologia considera empresas como os Correios, Infraero, Serpro, Dataprev, entre outras, focando na variação da dívida.
Conforme informação divulgada pelo Banco Central, o resultado negativo das estatais já impacta as contas públicas. Devido ao rombo ter superado o limite autorizado, o governo foi forçado a bloquear R$ 3 bilhões do orçamento de 2025, recursos que poderiam ser destinados a outras áreas essenciais.
Correios: Principal Vilão do Déficit Bilionário
O agravamento do resultado financeiro das estatais em 2025 foi puxado, em grande parte, pelos Correios. A empresa estatal, que detém o monopólio de serviços postais essenciais, atravessa uma grave crise fiscal com uma piora significativa em seus resultados. Em 2024, o déficit dos Correios já ultrapassou R$ 2,5 bilhões.
O prejuízo acumulado até setembro de 2025 atingiu a marca de R$ 6 bilhões, com projeções indicando que o valor anual pode chegar a R$ 10 bilhões, embora o resultado oficial ainda não tenha sido divulgado. Para tentar mitigar a crise, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro, com garantia do Tesouro Nacional, para quitar dívidas e reforçar o caixa.
Apesar disso, o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, alertou que os Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em 2026 para enfrentar a crise financeira. Essa necessidade poderá ser atendida por meio de aportes do Tesouro Nacional ou de um novo empréstimo, reforçando a dependência de recursos externos para a sobrevivência da empresa.
Eletronuclear Pede Suspensão de Dívidas para Evitar Colapso
Em paralelo, a Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares brasileiras, também enfrenta sérias dificuldades financeiras. O diretor-presidente interino, Alexandre Caporal, informou que a empresa está com o caixa em um ‘nível totalmente baixo’ e só conseguirá honrar seus compromissos por mais dois a três meses.
O principal entrave financeiro da Eletronuclear é a interrupção das obras da usina de Angra 3, que tem consumido recursos públicos significativos. Embora a estatal não pretenda solicitar aporte direto do Tesouro Nacional, Caporal enfatizou a necessidade de os bancos públicos que emprestaram quase R$ 7 bilhões à empresa suspenderem temporariamente a cobrança da dívida.
Sem essa suspensão, Caporal alertou que a empresa corre o risco de ‘sangrar até morrer’, demonstrando a urgência da situação. A Eletronuclear busca, assim, uma medida para evitar um colapso financeiro iminente.
Crescimento no Faturamento e Investimentos Apesar do Déficit
Apesar do cenário de déficit, o Ministério da Gestão destacou que as empresas estatais federais apresentaram um faturamento de R$ 1,02 trilhão até o terceiro trimestre de 2025, um aumento de 6,3% em relação ao mesmo período de 2024. O investimento total das companhias também apresentou crescimento notável.
O investimento realizado por essas empresas somou R$ 86,4 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, representando um aumento de 34,3% em comparação com 2024. Entre 2022 e 2024, o investimento das estatais federais já havia crescido 87% em termos nominais, indicando um movimento de expansão em projetos e infraestrutura, mesmo diante dos desafios financeiros pontuais.