Reag e Banco Master: Como Gestora Virou Alvo da PF em Esquema de Fraudes Financeiras que Movimentou Bilhões

Reag Investimentos: Da Ascensão Meteórica à Liquidação Judicial no Radar da Polícia Federal

A Reag Investimentos, outrora uma gigante independente no mercado financeiro brasileiro, agora se encontra no centro de uma complexa investigação da Polícia Federal. Fundada em 2013, a empresa, que chegou a administrar impressionantes R$ 299 bilhões e foi pioneira ao abrir capital na bolsa, teve sua antiga denominação, CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, decretada em liquidação extrajudicial pelo Banco Central. Essa medida intensifica a conexão da gestora com um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master.

A situação se desenrola no contexto da segunda fase da Operação Compliance Zero, uma ação da PF que visa desmantelar irregularidades no sistema financeiro. A investigação aponta para um esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro, com ramificações que atingem nomes ligados à antiga estrutura da Reag.

Entre os alvos da operação está João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos. Endereços ligados a ele foram alvo de mandados de busca e apreensão na última quarta-feira (14). A apuração, autorizada pelo ministro Dias Toffoli do STF, já expediu 42 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

O envolvimento da Reag, no entanto, não se restringe a este inquérito. A gestora já havia sido citada na Operação Carbono Oculto, em agosto, que desarticulou um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, atribuído a integrantes do PCC. Conforme as investigações, a Reag Investimentos foi citada como uma das empresas envolvidas no uso de fundos de investimento para ocultar recursos ilícitos.

O Legado da Reag e o Escândalo do Banco Master

Fundada por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos rapidamente se consolidou como uma das maiores gestoras independentes do país. Sua trajetória foi marcada pela gestão de vultosos recursos e pela inédita abertura de capital na bolsa brasileira. A empresa chegou a administrar R$ 299 bilhões, atendendo a pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais.

A conexão com o Banco Master surge em meio a investigações sobre irregularidades financeiras atribuídas à instituição bancária. João Carlos Mansur, figura central na fundação da Reag, é um dos investigados na Operação Compliance Zero. Sua renúncia ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag em setembro do ano passado ocorreu após a empresa ser associada a uma operação contra o PCC.

A Polícia Federal investiga um suposto esquema de captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio de valores para o patrimônio pessoal de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seus parentes. O celular do empresário foi apreendido durante a operação.

João Carlos Mansur: Trajetória e Polêmicas

João Carlos Mansur, com 35 anos de experiência no mercado financeiro, é um nome com passagens por grandes empresas e projetos de relevo. Bacharel em ciências contábeis, ele estruturou mais de 200 fundos de investimento e atuou em companhias como PricewaterhouseCoopers (PwC), Monsanto, Tishman Speyer e WTorre Arenas, participando da criação do Allianz Parque.

Sua carreira também inclui uma passagem pela Trump Realty Brazil, empresa ligada ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, o projeto fracassou antes de qualquer empreendimento ser concluído.

A ligação da Reag com a Operação Carbono Oculto, que apurou um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, adiciona mais um capítulo às controvérsias envolvendo a gestora e seus fundadores. A PF e a Receita Federal apontaram que administradoras de fundos teriam conhecimento das irregularidades e deixado de cumprir obrigações legais, facilitando a ocultação do dinheiro da organização criminosa.

Operação Compliance Zero e o Bloqueio de Bilhões

A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14), focou no alleged esquema de fraudes financeiras do Banco Master. A ação resultou em buscas em endereços ligados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, e seus familiares, além de Nelson Tanure e João Carlos Mansur.

Foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão, com ordens de sequestro e bloqueio de bens e valores que, segundo a Polícia Federal, superam R$ 5,7 bilhões. Diversos carros e itens de luxo foram apreendidos durante a operação, que teve alvos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

A investigação aponta para o uso de fintechs em detrimento de bancos tradicionais para dificultar o rastreamento das transações. Em um dos casos, uma fintech funcionava como um “banco paralelo” da organização criminosa, movimentando mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024, utilizando “contas-bolsão” para misturar recursos de diversos clientes e reduzir a transparência.

Posicionamento da Reag e Declarações Oficiais

Procurada pelo g1, a Reag não se manifestou sobre a liquidação decretada pelo Banco Central até o fechamento desta reportagem. No entanto, em nota de outubro, a holding reafirma sua atuação ética, transparente e em conformidade com a legislação e regulamentação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais.

A empresa declarou que colabora de forma ampla e proativa com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações necessárias para o esclarecimento dos fatos. A Reag Capital Holding S.A. repudiou alegações que buscam associar a companhia e seus executivos a práticas irregulares, afirmando que suas estruturas societárias e fundos de investimento obedecem integralmente às normas de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro.

A gestora também destacou que os bens e direitos integrantes dos fundos sob sua administração não se confundem com o patrimônio da administradora, não integrando seu ativo e não respondendo por suas obrigações. A empresa se mostra convicta de que sua isenção e integridade serão plenamente reconhecidas ao final das investigações.

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