A atividade econômica do Brasil mostrou sinais de recuperação em novembro, com a prévia do PIB do Banco Central, o IBC-Br, registrando um crescimento de 0,7% em relação ao mês anterior. Este é o primeiro avanço mensal do indicador em três meses, rompendo uma sequência de retrações e oferecendo um respiro em meio a um cenário de expectativas de desaceleração.
O resultado de novembro representa a primeira alta desde agosto, quando o índice havia crescido 0,4%. A divulgação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) pelo Banco Central nesta sexta-feira (16) traz um dado importante para a análise do desempenho da economia brasileira. Este indicador é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).
No comparativo anual, a prévia do PIB do BC apresentou uma elevação de 1,2% em novembro, quando comparado ao mesmo mês de 2024, sem o ajuste sazonal. Nos primeiros onze meses do ano, a expansão acumulada foi de 1,3%, e em um período de 12 meses até novembro, o crescimento também atingiu 1,2%, ambos sem ajuste sazonal.
Apesar deste resultado positivo em novembro, o cenário geral para a economia brasileira aponta para uma desaceleração. Tanto o governo quanto o mercado financeiro esperam que o ritmo de crescimento diminua neste ano, principalmente em função das altas taxas de juros. A política monetária mais restritiva tem sido utilizada como ferramenta para conter a inflação, o que naturalmente impacta o dinamismo econômico.
Desempenho Setorial e Projeções Futuras
O Banco Central divulgou que o IBC-Br cresceu 0,7% em novembro, após ajuste sazonal. Este é o primeiro aumento mensal registrado desde agosto, quando o índice apresentou alta de 0,4%. A comparação com novembro de 2024, sem ajuste sazonal, mostra um avanço de 1,2%. No acumulado dos 11 primeiros meses do ano, a expansão foi de 1,3%, e em 12 meses até novembro, de 1,2%.
A **desaceleração da atividade econômica** neste ano já era uma expectativa consolidada entre analistas e o próprio Banco Central. A taxa Selic, principal instrumento de política monetária, está fixada em 15% ao ano, patamar elevado que visa controlar as pressões inflacionárias. O BC tem sinalizado que os juros devem permanecer altos por um período prolongado, com analistas de mercado prevendo cortes apenas em 2026.
As projeções do mercado financeiro para o PIB em 2025 indicam uma **taxa de crescimento de 2,26%**, um ritmo menor comparado aos 3,4% registrados no ano anterior. Essa redução na expectativa de crescimento está diretamente ligada à estratégia do Banco Central de priorizar a convergência da inflação para a meta estabelecida, atualmente em 3%.
A Estratégia do Banco Central e o “Hiato do Produto”
O Banco Central tem comunicado que essa desaceleração é um **elemento necessário para a estratégia de controle inflacionário**. A instituição avalia que um ritmo menor de crescimento econômico é fundamental para que a inflação retorne à meta. Essa abordagem visa garantir a estabilidade de preços no país.
Em seu último comunicado, referente à reunião do Copom em dezembro, o BC informou que o chamado “hiato do produto” segue positivo. Isso significa que a economia continua operando acima de seu potencial de crescimento sem, contudo, gerar pressões inflacionárias significativas no momento. Essa métrica é acompanhada de perto pela autoridade monetária.
IBC-Br: A Prévia do PIB e sua Metodologia
É importante notar que o IBC-Br, divulgado pelo Banco Central, funciona como uma **prévia do PIB**, mas com uma metodologia distinta da utilizada pelo IBGE. O indicador do BC incorpora estimativas para os setores agropecuário, industrial e de serviços, além de impostos. No entanto, ele não considera o lado da demanda, que é um componente fundamental no cálculo oficial do PIB.
O IBC-Br é uma das ferramentas cruciais que o Banco Central utiliza para a **tomada de decisão sobre a taxa básica de juros**. Um crescimento econômico mais forte, por exemplo, pode indicar um potencial aumento da inflação, o que justificaria a manutenção ou até mesmo o aumento dos juros, dificultando sua queda.