BRB negocia venda de ativos do Master na Faria Lima após aquisição complexa
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, embarcou nesta quarta-feira (4) para São Paulo com um objetivo claro: negociar presencialmente a venda de carteiras de crédito e outros ativos adquiridos do Banco Master. A decisão visa reduzir a exposição do BRB a créditos de menor qualidade e recompor o caixa da instituição.
A iniciativa do presidente do BRB surge em um momento delicado, após a aquisição de créditos que, segundo apurações, são de baixa qualidade e estão ligadas ao escândalo envolvendo o Banco Master. A venda desses ativos, que incluem imóveis e terrenos em regiões nobres, como um próximo à Cidade Jardim em São Paulo, é vista como uma estratégia para mitigar riscos.
A operação de venda deve atrair fundos especializados em ativos problemáticos, que costumam adquirir esses bens com grande desconto, buscando recuperação posterior. Bancos e gestoras de crédito também podem se interessar por partes mais estáveis da carteira, enquanto investidores imobiliários podem focar em ativos de maior valor.
A relação entre BRB e Master está sob investigação da Polícia Federal (PF), que apura supostas fraudes bilionárias. O BRB adquiriu R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master sem garantia financeira, um negócio que ocorreu na gestão anterior da presidência do BRB, de Paulo Henrique Costa, que foi afastado e demitido do cargo.
BRB busca se desvencilhar de ativos de risco do Master
O presidente Nelson Antônio de Souza está em contato com diversos players do mercado financeiro na Faria Lima, o centro financeiro de São Paulo, para encontrar compradores para os ativos que o BRB não tem interesse em manter em seu portfólio. A lista inclui não apenas créditos, mas também bens como um terreno de alto valor de mercado próximo à Cidade Jardim.
A estratégia do BRB é clara: reduzir riscos após a crise que envolveu o Banco Master. A venda desses ativos visa fortalecer a posição financeira do banco regional e se distanciar de negócios que se tornaram problemáticos.
Investigação da PF apura supostas fraudes bilionárias envolvendo o Master
A aquisição de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito de baixa qualidade do Banco Master pelo BRB está no centro de uma investigação da Polícia Federal. A PF suspeita de um esquema de fraudes bilionárias orquestrado pelo banco de Daniel Vorcaro, dono do Master.
O BRB já vinha comprando créditos do Master desde 2024, durante a gestão de Paulo Henrique Costa. Uma tentativa de acordo para comprar o próprio Banco Master em março de 2025, avaliada em R$ 2 bilhões, foi vetada pelo Banco Central em setembro.
Nova investigação aponta para gestão fraudulenta no BRB
Uma nova investigação foi aberta pela PF especificamente sobre o caso envolvendo o BRB. Há indícios de práticas de gestão fraudulenta que vão além da proposta de compra do Banco Master. A PF investiga uma aquisição fragmentada e de difícil rastreamento de ações do BRB por empresários ligados ao Master e à Reag Investimentos.
Segundo as apurações, Daniel Vorcaro, o ex-sócio do Master Maurício Quadrado e o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, teriam comprado ações do BRB como pessoas físicas, mas por meio de vários fundos e estruturas intermediárias, o que dificultaria a identificação dos reais compradores.