Risco-país da Argentina despenca para menor patamar em 8 anos com alta de reservas e apoio a Milei, abrindo portas para volta ao crédito internacional

Risco-país argentino em mínima histórica: um marco para a economia e a confiança internacional

O risco-país da Argentina atingiu seu menor nível em quase oito anos, um feito notável que reacende as esperanças de uma reintegração aos mercados internacionais de crédito. O indicador, que mede a percepção de risco de um país em honrar suas dívidas, caiu abaixo dos 500 pontos-base, um sinal positivo para a economia do país sul-americano.

Essa melhora expressiva é atribuída a uma combinação de fatores cruciais. A política monetária do Banco Central da República Argentina (BCRA), focada na aquisição diária de dólares, tem sido fundamental. Paralelamente, a valorização dos títulos soberanos argentinos e o forte apoio político ao presidente Javier Milei criam um ambiente de maior estabilidade e confiança no mercado financeiro.

Analistas de mercado observam com otimismo essa trajetória descendente do risco-país. Atingir patamares próximos aos de países como o Equador, que recentemente retornou aos mercados de crédito, sugere que a Argentina pode estar se preparando para um movimento semelhante em breve. A expectativa é que, com a consolidação dessas melhorias, o país possa captar recursos a custos mais favoráveis.

A acumulação de reservas pelo BCRA é vista como um pilar essencial para garantir taxas de juros competitivas em uma eventual nova emissão de dívida. A autoridade monetária tem demonstrado um desempenho consistente na aquisição de dólares, fortalecendo suas reservas internacionais e sinalizando solidez financeira. Conforme informações divulgadas, em janeiro, o BCRA acumulou compras de US$ 1,019 bilhão, elevando as reservas internacionais a US$ 45,740 bilhões.

Otimismo com a gestão Milei e o papel do BCRA

A sustentação política do presidente Javier Milei é um dos pilares que têm impulsionado o bom desempenho dos mercados financeiros argentinos. Sua agenda ultraliberal, embora controversa, tem gerado expectativas de reformas estruturais que podem atrair investimentos e melhorar o cenário econômico.

A compra diária de dólares pelo Banco Central da República Argentina (BCRA) tem sido uma estratégia chave para fortalecer as reservas e dar mais segurança aos investidores. Essa ação, combinada com a valorização dos títulos soberanos, contribui diretamente para a queda do risco-país da Argentina, aproximando o país de um retorno aos mercados internacionais.

Argentina perto de voltar aos mercados internacionais de crédito

O patamar atual do risco-país da Argentina, abaixo dos 500 pontos-base, é um indicativo de que o país está se aproximando de um retorno aos mercados internacionais de crédito. Segundo Juan Manuel Franco, economista-chefe do Grupo SBS, o fato de países como o Equador terem retornado recentemente ao mercado internacional leva o mercado a questionar quando será a vez da Argentina.

Franco ressalta que as taxas de captação do Equador, que emitiu títulos de 8 e 13 anos a 8,75% e 9,25%, respectivamente, não parecem inatingíveis para a Argentina. Ele observa que, embora a taxa dos títulos de 10 anos dos Estados Unidos seja mais alta do que a vigente na última emissão internacional argentina em 2018, o cenário atual é promissor.

Reservas e taxas de juros: fatores cruciais para o futuro

A acumulação contínua de reservas pelo BCRA é considerada essencial para que a taxa cobrada em uma eventual volta ao mercado internacional seja a menor possível. Operadores do mercado financeiro enfatizam a importância de manter o risco-país da Argentina próximo dos 500 pontos-base para garantir condições favoráveis de captação.

O cenário atual é ainda sustentado pela emissão de debêntures corporativas e pelos juros elevados em pesos, além de uma demanda menor do setor privado por dólares. Para a corretora Cohen, manter o risco-país em patamares próximos aos 500 pontos-base é fundamental para a estabilidade econômica e a confiança dos investidores.

Corrida da IA: EUA Dominam Chips e China Avança em Robótica e Modelos Open Weight, Definindo o Futuro Tecnológico Global

EUA e China: Duas Estratégias Divergentes na Corrida Global pela Inteligência Artificial em 2026

A inteligência artificial (IA) se tornou o novo campo de batalha geopolítico, com Estados Unidos e China traçando caminhos distintos para a liderança tecnológica. Enquanto os americanos buscam manter sua supremacia em hardware, especialmente em chips de ponta, e exportar seu ecossistema de IA, os chineses focam em modelos de código aberto e na integração da IA com o mundo físico, como a robótica.

Essa disputa estratégica define não apenas o futuro da inovação, mas também a influência global de cada nação. As abordagens divergentes prometem um cenário de dominância em nichos específicos, em vez de uma única potência controlando todo o espectro da IA.

A estratégia americana, detalhada no plano “Vencendo a corrida: Plano de Ação de IA dos EUA”, visa remover barreiras regulatórias e exportar todo o seu conjunto de tecnologia de IA para evitar a dependência de rivais estratégicos. Em contrapartida, a China propõe um “Plano de Ação Global de Governança de IA”, promovendo um ecossistema diverso e aberto, com participação de múltiplas partes interessadas.

Conforme informações divulgadas pela DW, Scott Singer, pesquisador da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, aponta que a China se posiciona como uma líder global multilateral, enquanto os EUA, sob o governo Trump, priorizam a dominância americana. A China, segundo Singer, aproveita as lacunas deixadas pela retirada dos EUA de espaços na ordem internacional. Essa análise é crucial para entender as dinâmicas atuais e futuras da corrida pela IA.

O Domínio Americano em Chips e a Resistência Chinesa

Os Estados Unidos, com gigantes como a Nvidia liderando a produção de chips de IA, mantêm uma vantagem significativa em poder computacional. O controle de exportação sobre semicondutores avançados tem sido uma ferramenta chave para os EUA sustentarem essa liderança. A série Ascend da Huawei, com modelos como o Ascend 910, representa o avanço chinês em chips de IA, mas ainda fica aquém do desempenho dos chips americanos em tarefas de treinamento de modelos.

Apesar das restrições, empresas chinesas como Alibaba, Tencent e ByteDance demonstraram interesse em adquirir chips H200 da Nvidia, com pedidos que ultrapassam 2 milhões de unidades, totalizando mais de 50 bilhões de dólares. No entanto, a entrega desses chips tem enfrentado obstáculos, com relatos de que a alfândega chinesa recebeu instruções para não liberá-los, indicando uma complexa teia de controle e contra controle.

A Ascensão dos Modelos Open Weight Chineses

Mesmo sem acesso aos chips mais avançados, a IA chinesa tem ganhado força através de modelos de “open weight”, como DeepSeek, Moonshot AI e Qwen da Alibaba. Esses modelos, que disponibilizam seus parâmetros publicamente, permitem que desenvolvedores criem aplicativos de IA de forma mais acessível e eficiente. A família Qwen, da Alibaba, já superou a LLaMA da Meta em downloads na plataforma Hugging Face, evidenciando o crescente impacto dos modelos abertos chineses.

A estratégia de código aberto da China visa democratizar o acesso à IA e impulsionar a inovação. A Alibaba, por exemplo, tornou público o código de quase 400 modelos Qwen, gerando mais de 180 mil versões derivadas. Essa abordagem contrasta com a estratégia americana, que, embora reconheça a importância de modelos abertos, alerta para potenciais falhas de segurança e censura em modelos chineses.

Robótica e Aplicações Físicas: O Diferencial Chinês

Enquanto os EUA focam em expandir as capacidades de software e automatizar tarefas em computadores, a China está investindo pesadamente em robótica impulsionada por IA. A iniciativa “AI Plus”, planejada para 2026, visa integrar a IA em setores como indústria, serviços, saúde e governança, com o objetivo de criar uma sociedade “totalmente impulsionada por IA” até 2035.

Scott Singer destaca que a integração da IA ao mundo físico é a essência da política de IA da China, impulsionada pela crença de que resolverá desafios econômicos e sociais, como o desemprego jovem e a fraca demanda do consumidor. Essa aposta em robótica com IA coloca a China à frente de seus pares ocidentais em certas aplicações.

Um Futuro de Dominância Compartilhada?

O cenário para 2026 sugere uma divisão de liderança na corrida da IA. Os EUA mantêm uma vantagem clara em chips, enquanto a China avança rapidamente em modelos de linguagem e se destaca em robótica. Xiaomeng Lu, diretora de Geotecnologia da Eurasia Group, aponta que a China pode ultrapassar os EUA em certas áreas de governança de IA, especialmente se seus modelos de código aberto continuarem próximos aos modelos americanos em capacidade.

A atmosfera de inovação difere entre os polos tecnológicos. No Vale do Silício, há uma crença na capacidade transformadora dos modelos de base avançados. Na China, a experiência prática e a necessidade de resolver problemas concretos impulsionam a adoção de IA em aplicações físicas. A comercialização e a adoção pelos consumidores serão fatores cruciais para determinar o sucesso e a disseminação da IA globalmente.