Brasil tem base de dados invejada mundialmente e mira IA com supercomputador de R$ 1,8 bilhão para 2026

O Brasil se destaca globalmente na gestão de suas bases de dados, um ativo estratégico que impulsiona a eficiência e a inovação, especialmente no campo da Inteligência Artificial (IA). A integração de sistemas públicos, como a Infraestrutura Nacional de Dados (IND) e a Carteira de Identidade Nacional, permite respostas mais rápidas e eficientes para a população. Essas bases de dados não são apenas um registro, mas um pilar para o desenvolvimento de novas tecnologias e para o aprimoramento de serviços públicos.

Segundo Valadares, diretor do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o país tem um potencial imenso em suas bases de dados. A meta é utilizá-las de forma estratégica, inclusive para o treinamento de modelos de Inteligência Artificial. Essa iniciativa visa capacitar o país a gerar inferências e desenvolver soluções inovadoras a partir das informações já disponíveis.

A aplicação da IA no serviço público já é uma realidade em diversas áreas. O Judiciário e a área da Saúde já utilizam a tecnologia para combater fraudes, como no caso do SUS, e para agilizar o pagamento de reembolsos de procedimentos médicos. Um exemplo concreto é o desenvolvimento inicial de um prontuário médico automático no Ministério da Saúde, que promete revolucionar o atendimento.

Apesar dos avanços significativos, o Brasil enfrenta um desafio considerável na formação de profissionais especializados em IA. Estima-se a necessidade de formar cerca de 40 mil especialistas por ano para suprir a demanda atual. O Plano Brasileiro de IA (PBIA) atua em duas frentes para mitigar esse gargalo: investindo na formação de mão de obra qualificada em universidades e na requalificação de profissionais já atuantes, incluindo professores da educação básica.

Investimento em IA: Realidade e Desafios

O governo federal já destinou parte dos R$ 23 bilhões previstos no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). No entanto, Valadares ressalta que este montante, embora significativo, não será suficiente para competir em pé de igualdade com potências como China e Estados Unidos, que investem centenas de bilhões de dólares na área. O Brasil precisa jogar conforme suas possibilidades, focando em nichos e estratégias que maximizem seu potencial.

Os Estados Unidos e a China operam em um patamar tecnológico e financeiro que torna a disputa direta inviável. Valadares compara a situação a uma “Champions League”, onde apenas esses dois países disputam sozinhos, sem a capacidade nem mesmo da Europa de competir no mesmo nível. A comparação abrange a quantidade de pessoas, engenheiros, poder computacional e a capacidade de aquisição de máquinas.

Supercomputador para IA: Um Marco em 2026

Um dos carros-chefe do PBIA é a implantação de um supercomputador dedicado à inteligência artificial, com previsão de funcionamento ainda em 2026. Para concretizar essa infraestrutura, que promete estar entre as cinco mais potentes do mundo, foi reservado um investimento de R$ 1,8 bilhão. A expectativa é que a máquina esteja operacional ainda no ano de sua entrega.

O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) tem um horizonte de ação de pouco mais de quatro anos, com metas claras para inserir o Brasil no cenário global de tecnologia de máquinas inteligentes. A curta duração do plano reflete o cenário real de recursos disponíveis no ciclo de governo atual, e a continuidade de suas ações dependerá da priorização do tema por gestões futuras.

Valadares enfatiza que o lançamento do plano já representa um passo importante, demonstrando o desejo do Brasil de participar ativamente desse jogo tecnológico, de acordo com sua capacidade econômica e potencial de formação de pessoas. O país, décima economia mundial, possui um ecossistema de formação de pessoas muito relevante, com excelentes mestres, doutores e universidades de ponta, além de programas de pós-graduação pungentes.

O Brasil entra nesse jogo para competir onde lhe cabe, aproveitando seu potencial e seus recursos. A estratégia é clara: focar em áreas onde o país pode se destacar e construir uma posição sólida no desenvolvimento e aplicação da inteligência artificial, aproveitando a força de sua base de dados e a qualidade de sua formação acadêmica.

Ibovespa Dispara em 2025: Ainda Vale a Pena Investir na Bolsa ou o Bonde Já Passou? Especialistas Analisam Cenário Favorável e Renda Fixa Atrativa

Ibovespa em Alta Histórica: Oportunidade ou Bolha? Entenda o Que Move a Bolsa e Se Ainda Há Espaço para Investir em Ações

O ano de 2025 começou com o Ibovespa em forte valorização, acumulando mais de 12% de alta em janeiro e registrando o melhor desempenho para o mês em duas décadas, segundo a B3. Esse cenário animador levanta questões sobre a sustentabilidade da alta e se ainda é um bom momento para investir na bolsa.

A performance expressiva do índice é impulsionada pela expectativa de cortes na taxa de juros, tanto no Brasil quanto no exterior, e pela retomada do fluxo de capital estrangeiro. O Ibovespa já atingiu oito recordes de fechamento neste ano e acumula uma valorização de 43% em 12 meses, superando de longe o desempenho do CDI.

Contudo, a euforia do mercado pode gerar dúvidas. Movimentos de realização de lucros, conhecidos como “take profit”, são naturais quando os ganhos com ações se tornam elevados. Isso ocorre quando investidores que compraram em baixa decidem vender para garantir seus lucros, o que pode pressionar os preços para baixo.

Diante desse cenário, e com a renda fixa ainda apresentando taxas atrativas, surge a pergunta: ainda vale a pena apostar em ações ou o melhor momento já passou? Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que ainda há espaço para investir e lucrar no mercado brasileiro, com expectativas de cortes na Selic e um cenário econômico favorável.

O Que Impulsiona o Ibovespa e Quais Setores Podem se Beneficiar?

A análise de especialistas indica que empresas de diversos setores podem se beneficiar nos próximos meses, especialmente com a expectativa de cortes na Selic já a partir de março. As projeções indicam que a taxa básica de juros pode cair para 12,25% ao ano até o fim de 2026.

Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, destaca que a realização de lucros é um movimento natural do mercado e que, inclusive, pode criar novas oportunidades de entrada para investidores. O Ibovespa, que reúne as ações mais negociadas, reflete o desempenho de grandes empresas como Petrobras, Vale e Itaú, que têm um peso significativo no índice.

André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, ressalta que as condições econômicas do Brasil estão favoráveis, com projeções de crescimento do PIB semelhantes às de 2025, o que tende a beneficiar as empresas listadas na bolsa. A perspectiva de corte na Selic, mesmo que considerada tardia por alguns, deve impulsionar empresas mais sensíveis a taxas de juros elevadas.

O Impacto das Commodities e a Força da Economia Global

Gabriela Barssottini, assessora de investimentos da Knox Capital, observa que setores como construção civil, tecidos, vestuário e calçados, além de intermediários financeiros, tiveram destaque. O setor bancário também apresentou forte desempenho, com ações como Itaú, Bradesco e BTG Pactual registrando valorizações expressivas em 12 meses.

André Galhardo também aponta a força das economias dos Estados Unidos e da China como um fator crucial. A China, em particular, com promessas de estímulos econômicos para 2026, beneficia diretamente empresas exportadoras de commodities, como mineradoras. A Vale, por exemplo, viu seus papéis subirem mais de 70% no último ano.

A lógica por trás desse movimento é simples: com as grandes economias aquecidas e o consumo em alta, a demanda por commodities aumenta, elevando seus preços. Isso, por sua vez, valoriza as ações de empresas brasileiras exportadoras e atrai investidores para a bolsa.

Renda Fixa: Ainda Atrativa Diante da Bolsa em Alta?

Antônio Sanches, analista de research da Rico, projeta cortes de 0,5 ponto percentual na Selic em março, seguidos por mais quatro reduções consecutivas, levando a taxa a 12,50% no segundo semestre. Ele afirma que, mesmo com a queda, investimentos em renda fixa devem permanecer em patamares elevados devido ao baixo risco.

Opções como Tesouro Direto, títulos bancários (CDB, LCI, LCA) e crédito privado (debêntures, CRI, CRA) continuam sendo alternativas seguras e rentáveis. Fundos de renda fixa também oferecem diversificação e acesso a diferentes ativos. Sanches reforça a importância da diversificação da carteira para mitigar riscos.

Fatores que Impulsionaram a Bolsa Brasileira em 2025

O bom desempenho da bolsa brasileira neste ano foi resultado de uma combinação de fatores, incluindo cortes de juros nos EUA e a expectativa de novas reduções. A realocação de investimentos, em meio a incertezas sobre as contas públicas americanas, também favoreceu ativos brasileiros.

A expectativa de cortes na Selic no Brasil e a maior resiliência do país em tensões comerciais globais contribuíram para a valorização. Além disso, ações de empresas brasileiras ainda negociadas abaixo dos níveis pré-pandemia atraíram investidores, assim como a expectativa de mudanças na condução das contas públicas com a proximidade das eleições de 2026.