Caso Master: Como a Liquidação do Banco Expõe Falhas na Fiscalização e Pressiona o FGC no Brasil

O caso Master e os desafios da regulação financeira no Brasil

A liquidação do Banco Master em novembro do ano passado, determinada pelo Banco Central (BC), apesar de não ter gerado impacto sistêmico devido ao seu porte reduzido no Sistema Financeiro Nacional (SFN), trouxe à tona importantes questionamentos sobre a eficácia da fiscalização de instituições financeiras no Brasil. As suspeitas de fraude na comercialização de fundos e supervalorização de ativos, levantadas pela Polícia Federal, expuseram as dificuldades do sistema regulatório em supervisionar entidades que operam à margem do sistema bancário tradicional.

O porte pequeno do Master o enquadrava no segmento S3 da regulação prudencial, que impõe menores exigências regulatórias por oferecer, teoricamente, menor risco ao sistema. Esse modelo flexível visa reduzir custos e permitir que empresas alcancem nichos de mercado, mas sua eficácia depende diretamente da capacidade de fiscalização dos órgãos de controle. A fragilidade na estrutura da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com poucos funcionários para fiscalizar trilhões em ativos, agrava o problema, conforme aponta Cleveland Prates, professor de Economia da FGV-Law.

O caso Master também evidencia como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tem sido utilizado indevidamente como um atrativo para investidores, transmitindo uma falsa sensação de segurança. A expectativa é que o FGC precise de uma chamada de capital de bancos maiores para cobrir o rombo deixado pelo ressarcimento aos investidores do Master. Especialistas alertam que, sem um aumento na capacidade de fiscalização, casos como este podem se tornar mais frequentes, minando a confiança na estabilidade do SFN.

Conforme divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, a CVM solicitou ao governo federal um aumento de 544 inspetores para fiscalizar os mais de 90 mil fundos de investimento e outros ativos que somam R$ 16,7 trilhões no mercado de capitais brasileiro. Essa necessidade de reforço humano é crucial para garantir a efetividade da supervisão em um mercado financeiro em constante expansão e cada vez mais complexo, especialmente após a flexibilização regulatória que permitiu o avanço de empresas não bancárias na oferta de crédito e ativos financeiros desde 2010.

Fragilidades na Supervisão e o Papel da CVM

A segmentação entre a regulação do mercado de capitais, a cargo da CVM, e a supervisão dos bancos, conduzida pelo BC, cria lacunas que podem ser exploradas. Embora os produtos vendidos por conglomerados menores como o Master sejam regulados pela CVM, a falta de uma conexão automática entre os processos julgados pelas autarquias dificulta a ação coordenada. A CVM, com apenas cerca de 500 funcionários para supervisionar um volume colossal de ativos, enfrenta desafios significativos para cumprir seu papel.

A situação se agrava com a possibilidade de indicações políticas na diretoria de órgãos que deveriam ser independentes e robustamente investidos. A falta de recursos humanos na CVM impede a fiscalização adequada, como também foi evidenciado em casos anteriores ao Master, como o rombo contábil na Americanas. A autarquia americana correspondente, a Securities and Exchange Commission (SEC), conta com cerca de 5 mil funcionários, um número consideravelmente maior.

O Problema das Auditorias Independentes e Fundos de Pensão

As auditorias independentes, responsáveis por verificar a veracidade das demonstrações contábeis das empresas, também foram questionadas no caso Master. Relatos indicam que firmas de auditoria aprovaram os valores de caixa do banco, mesmo com a suposta existência de ativos inexistentes. Essa falha levanta a discussão sobre a responsabilização criminal de auditorias por seus pareceres, um tema que deve ser debatido no Senado.

Adicionalmente, a má gestão de fundos de pensão de funcionários públicos, os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), que administraram R$ 365 bilhões em investimentos, foi exposta. Cerca de R$ 1,86 bilhão foram investidos em ativos distribuídos pelo Master, recursos que não são cobertos pelo FGC e entram na massa de credores do banco. Isso levanta questões sobre a governança desses fundos e a necessidade de maior rigor na análise de risco e na escolha de investimentos, com a criação de limites de alocação de investimentos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O FGC Sob Pressão e o Futuro da Regulação

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desempenha um papel crucial na segurança dos investidores, garantindo a devolução de depósitos e investimentos de até R$ 250 mil em caso de quebra da instituição. No entanto, o caso Master revelou um uso equivocado desse mecanismo, com corretoras oferecendo produtos de alto risco mascarados de investimentos seguros, garantidos pelo FGC. Isso cria um conflito de interesses, onde a remuneração pela venda de títulos pode prevalecer sobre a análise de risco.

A contribuição das instituições para o FGC, atualmente proporcional ao volume de depósitos e títulos cobertos, pode precisar de revisão. A proposta é que quem gera mais risco para o sistema contribua mais, desincentivando a externalização desse risco. A recomposição dos R$ 50 bilhões que deverão ser adiantados por outros bancos para o FGC devido ao caso Master deve impactar o custo do crédito no Brasil, com repasse para as taxas de juros, segundo Pedro Paulo Silveira, economista e sócio da A3S Investimentos.

Neymar completa 1 ano de retorno ao Santos com gols decisivos, lesões e busca pela vaga na Copa do Mundo com Ancelotti

Neymar completa um ano de volta ao Santos entre desafios físicos e o sonho da convocação para a Copa do Mundo de 2026

O retorno de Neymar ao Santos completou um ano recentemente, e apesar das grandes expectativas, a trajetória do craque até aqui tem sido marcada por altos e baixos dentro e fora de campo. Em pouco mais de 28 partidas, o atacante balançou a rede 11 vezes, mas também sofreu com lesões que interromperam sua sequência.

As lesões acabaram dificultando o sonho do jogador de voltar a vestir a camisa da Seleção Brasileira, já que o físico tem sido um obstáculo para conquistar a confiança do técnico Carlo Ancelotti.

O ídolo santista ainda não estreou em 2026 e está fora do clássico contra o São Paulo, válido pelo Paulistão. No entanto, ele segue focado na recuperação e busca a condição ideal para ser convocado para os amistosos preparatórios para a Copa do Mundo.

Conforme informação divulgada pelo g1, o cenário atual do jogador envolve um período decisivo na sua recuperação e desempenho, na tentativa de garantir um lugar entre os convocados que disputarão o Mundial.

Retorno ao Santos e impacto na manutenção do time na Série A

Neymar voltou ao Santos no ano passado, em grande festa na Vila Belmiro, e logo se destacou por sua importância dentro de campo. Sua contribuição foi fundamental para a permanência do Peixe na Série A do Campeonato Brasileiro. Nas últimas rodadas da temporada, mesmo com dores e em condição física difícil, o camisa 10 entrou em campo no sacrifício e foi decisivo, marcando um gol e dando uma assistência na vitória de 3 a 0 contra o Sport.

Em seguida, anotou três gols no triunfo pelo mesmo placar contra o Juventude, ajudando a garantir a manutenção do Santos na elite do futebol nacional. Esse desempenho mostrou a capacidade de Neymar de decidir jogos, apesar das dificuldades físicas enfrentadas no ano.

Lesões frequentes e a luta pela recuperação física

Desde a sua estreia no Campeonato Paulista contra o Botafogo-SP, Neymar passou por lesões que comprometeram sua sequência com a camisa do Santos. Logo após seis partidas consecutivas, um edema no músculo posterior da coxa esquerda o tirou da semifinal do Paulistão e das primeiras rodadas do Brasileirão.

Logo na sequência, no Brasileirão, sofreu uma nova lesão no músculo semimembranoso da mesma coxa, ficando mais seis jogos fora. Em setembro, sofreu um problema no músculo reto femoral da coxa direita e, após retornar em novembro, sentiu um novo problema no joelho esquerdo.

Esse histórico adverso culminou com uma cirurgia em dezembro, um procedimento artroscópico no joelho, que exige uma recuperação cuidadosa. Atualmente, Neymar está em processo de transição para voltar a jogar, com expectativa de retorno para a próxima rodada do Brasileirão contra o São Paulo na Vila Belmiro.

Expectativas para a convocação na Seleção e a preparação para a Copa do Mundo

A recuperação dos problemas físicos tem um objetivo claro para Neymar: a convocação para a Copa do Mundo de 2026. O atacante ainda sonha em estar entre os escolhidos por Carlo Ancelotti, que destacou em dezembro durante a cerimônia de sorteio dos grupos do Mundial que o camisa 10 jogará o torneio se estiver em condições e merecer a vaga.

Em sua fala, o treinador afirmou: “Eu entendo muito bem que estão muito interessados em Neymar. Quero esclarecer que estamos em dezembro, a Copa é em junho, vou escolher a equipe que vai à Copa em maio. Se Neymar merecer estar, se estiver bem, melhor que outro, ele vai jogar a Copa do Mundo e ponto. Não tenho dúvida com ninguém.”

Com amistosos importantes previstos em março contra França e Croácia, serão os últimos testes antes da lista final, e Neymar terá a chance de mostrar estar em nível alto, tanto fisicamente quanto taticamente, para integrar o grupo da Seleção.