Trump Declara Emergência Nacional Contra Cuba e Autoriza Tarifas a Países que Fornecem Petróleo à Ilha

Trump impõe novas sanções a Cuba, declarando emergência nacional e abrindo caminho para tarifas sobre países que fornecem petróleo à ilha.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva nesta terça-feira (29) que declara emergência nacional em relação a Cuba. A medida estabelece um mecanismo para a imposição de tarifas a nações que vendam ou forneçam petróleo para a ilha caribenha, intensificando a pressão econômica sobre o regime cubano.

A decisão americana baseia-se em alegações de que o governo cubano mantém ligações com países e organizações considerados hostis aos Estados Unidos. Entre eles, o governo de Trump cita a Rússia, a China e o Irã, além de grupos como o Hamas e o Hezbollah, classificados como terroristas por Washington. A Casa Branca também aponta violações de direitos humanos e ações desestabilizadoras na região como justificativas para a medida.

A ordem executiva, que entra em vigor nesta quinta-feira (30), não prevê a aplicação automática de tarifas. O Departamento de Comércio dos EUA será responsável por identificar os países fornecedores de petróleo a Cuba, enquanto o Departamento de Estado terá a prerrogativa de decidir sobre a aplicação e o nível das tarifas. O governo americano sinaliza que pode endurecer as ações caso haja reações ou retaliações por parte dos países afetados.

Essa nova ação se insere em um contexto de endurecimento do discurso e das políticas de Trump contra Cuba desde o início do ano. Conforme informação divulgada pelo Politico, o presidente já vinha estudando o bloqueio naval para impedir a chegada de petróleo à ilha, com o objetivo de pressionar por uma mudança de regime. Uma estratégia semelhante foi aplicada contra a Venezuela em dezembro, visando impedir o trânsito de petroleiros sob sanções americanas. O próprio Trump afirmou recentemente que o regime cubano “vai cair muito em breve”, destacando a interrupção do fornecimento de petróleo e recursos financeiros da Venezuela para a ilha.

Brasil sob observação: possíveis impactos econômicos em análise

Ainda não há clareza sobre os potenciais impactos dessa nova política para o Brasil. Dados de 2025 indicam que o Brasil importou US$ 2,9 milhões de Cuba e exportou US$ 283,3 milhões, com forte participação de produtos do agronegócio. Embora não haja registro de exportação de petróleo cru para Cuba, o Brasil exportou derivados de petróleo já processados para a ilha. A situação exige atenção para entender como essas tarifas podem afetar as relações comerciais bilaterais.

Marco Rubio e a influência cubano-americana na política dos EUA

A medida conta com o apoio de integrantes do governo americano, incluindo o Secretário de Estado, Marco Rubio. Filho de imigrantes cubanos, Rubio é conhecido por ser um dos principais críticos do regime cubano dentro da administração Trump, o que reforça a influência do lobby cubano-americano nas decisões de política externa dos Estados Unidos em relação à ilha.

Endurecimento das ações contra Cuba: um padrão na política externa de Trump

O presidente Donald Trump tem demonstrado uma postura cada vez mais restritiva em relação a Cuba. Desde o início do ano, as ações americanas têm se intensificado, culminando com a declaração de emergência nacional e a autorização para impor tarifas. Essa estratégia de pressão econômica visa, segundo o governo dos EUA, forçar uma mudança política no país caribenho, alinhada com os interesses de segurança nacional e política externa de Washington.

O papel do petróleo nas tensões entre EUA e Cuba

O fornecimento de petróleo tem sido um ponto central nas tensões entre os Estados Unidos e Cuba. A ordem executiva de Trump visa **cortar o fluxo de recursos energéticos para a ilha**, que já sofre com a redução do apoio da Venezuela. Ao atingir países que fornecem petróleo, os EUA buscam **isolar ainda mais o regime cubano** e **aumentar a pressão por reformas políticas e respeito aos direitos humanos**, conforme as alegações apresentadas pelo governo americano.

Ex-presidente do BRB diz à PF que não há clareza sobre fraude em compra de R$ 12 bilhões do Banco Master

Ex-presidente do BRB detalha à PF operações com Banco Master e nega clareza sobre fraude

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou que não há clareza sobre a configuração de fraude nas operações envolvendo o Banco Master. Segundo ele, o que foi identificado pelo banco público foi uma alteração no padrão documental e na forma de originar os créditos, mas não necessariamente a inexistência dos ativos.

Costa afirmou que os arquivos recebidos pelo BRB indicavam a ocorrência regular de averbações e débitos mensais. Ele destacou o vulto da operação, que envolveu cerca de R$ 12 bilhões, aproximadamente 400 mil CPFs e cerca de 1 milhão de contratos.

O ex-presidente ressaltou que, ao adquirir os créditos, o BRB adotou os procedimentos usuais de mercado, incluindo o registro das operações e o envio das informações ao Banco Central. A Polícia Federal investiga se houve omissão de gestores do BRB e falhas de prudência e governança na aquisição dessas carteiras, que chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do banco público.

Conforme a investigação, o Banco Master teria adquirido créditos da empresa Tirreno sem pagamento e, posteriormente, revendido esses ativos ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões, com valor inflado. O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central devido a problemas de liquidez.

Mudança documental, mas não prova de fraude

Paulo Henrique Costa mencionou que, apesar de algumas reclamações registradas na ouvidoria, não houve relatos de clientes negando a existência dos créditos após serem informados sobre a aquisição de terceiros. Testes em cerca de 130 contratos, segundo ele, constam em relatório do Banco Central.

O depoimento ocorreu no contexto das investigações sobre as operações entre o Banco Master e o BRB. Em dezembro, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e Paulo Henrique Costa apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito vendidas ao banco público em uma acareação com a PF.

Versões divergentes sobre a origem dos créditos

Na acareação, Vorcaro declarou ter informado ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros e que não sabia, na época, que os papéis vendidos eram da Tirreno. Paulo Henrique Costa, por sua vez, disse que o entendimento do BRB era de que se tratava de créditos originados pelo próprio Master, negociados com terceiros e revendidos ao banco público.

Os vídeos da acareação foram divulgados pelo portal Poder360 e posteriormente tornados públicos por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. A PF apura se houve falhas nos métodos de prudência e governança do BRB na aquisição das carteiras.

Banco Central questionou o BRB sobre a geração dos créditos

O diretor do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou em depoimento à PF que a governança do BRB deveria ter identificado a existência ou não dos créditos adquiridos do Banco Master. Ele apontou falhas nos mecanismos de governança do banco público.

Aquino também declarou que a área de supervisão do Banco Central questionou o BRB diversas vezes, por meio de ofícios formais, sobre a geração dos créditos adquiridos do Banco Master. O Banco Central, em nota, reiterou sua obrigação legal de acompanhar a liquidez das instituições financeiras e monitorar riscos para a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional.

Contudo, o BC ressaltou que a responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos e pela manutenção de controles internos adequados é exclusiva de cada instituição financeira. Paulo Henrique Costa informou que, ao identificar a mudança no padrão documental, o BRB ampliou auditorias, comunicou o Banco Central e tomou medidas para se resguardar, como exigir garantias e substituir ativos.

Ele acrescentou que cerca de R$ 10,5 bilhões já haviam sido substituídos, restando aproximadamente R$ 2,5 bilhões, enquanto o BRB mantinha cerca de R$ 9 bilhões em garantias constituídas.