Rombo nas Contas Externas do Brasil Atinge Pior Nível em 11 Anos, Mas Investimento Estrangeiro Cresce e Alivia Tensão

Rombo nas Contas Externas do Brasil Atinge Pior Nível em 11 Anos, Mas Investimento Estrangeiro Cresce e Alivia Tensão

O déficit nas contas externas do Brasil registrou um aumento significativo em 2025, atingindo US$ 68,8 bilhões. Este valor representa o pior resultado para um ano fechado desde 2014, marcando 11 anos de piora consecutiva neste indicador econômico. A situação, embora preocupante, é parcialmente compensada pelo expressivo fluxo de investimento estrangeiro direto no país.

Um déficit nas contas externas, explicado pelo Banco Central, ocorre quando o Brasil envia mais dinheiro para o exterior do que recebe. Isso pode acontecer através de maiores importações de bens e serviços, além de remessas de lucros e dividendos para fora do país. Em 2024, o déficit havia sido de US$ 66,2 bilhões.

Apesar do aumento do rombo, o investimento estrangeiro direto no Brasil apresentou uma trajetória ascendente. Em 2025, os estrangeiros investiram US$ 77,6 bilhões na economia brasileira, superando os US$ 74,1 bilhões registrados no ano anterior. Essa entrada de capital é crucial para financiar o déficit externo e manter a estabilidade econômica.

Conforme informação divulgada pelo Banco Central, o tamanho do déficit nas contas externas está diretamente relacionado ao ritmo de crescimento da economia. Quando a economia brasileira se expande, há um aumento nas importações de produtos e nos gastos com serviços internacionais, o que tende a elevar o saldo negativo.

Componentes do Saldo em Transações Correntes

O saldo em transações correntes, um dos principais indicadores do setor externo, é formado por diferentes componentes. A balança comercial, que reflete o comércio de produtos entre o Brasil e outros países, registrou um superávit de US$ 59,9 bilhões em 2025, menor que os US$ 65,9 bilhões de 2024. Por outro lado, a conta de serviços apresentou um déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, com uma leve melhora em relação aos US$ 55,2 bilhões negativos de 2024.

A conta de renda, que abrange remessas de juros, lucros e dividendos, também contribuiu para o déficit. Em 2025, o saldo negativo nesta conta foi de US$ 81,3 bilhões, o mesmo valor registrado em 2024. A piora geral das contas externas em 2025 foi impulsionada principalmente pela diminuição do superávit da balança comercial e pelos déficits persistentes nas contas de serviços e de renda.

Projeções para 2026 e o Papel do Investimento Estrangeiro

Para 2026, o Banco Central projeta um alívio no déficit das contas externas, com uma estimativa de rombo menor, em torno de US$ 60 bilhões. Essa melhora é esperada devido ao aumento do saldo comercial, com expansão das exportações, especialmente de petróleo, e estabilidade nas importações. Pequenos recuos nos déficits das contas de serviços e de renda primária também são previstos, atrelados a um menor dinamismo da atividade econômica doméstica.

No entanto, para 2026, o Banco Central estima uma **queda nos investimentos estrangeiros diretos** no país, projetando um fluxo de US$ 70 bilhões. Apesar dessa projeção de recuo, o fluxo de investimento estrangeiro direto em 2025 foi suficiente para cobrir o déficit das contas externas, demonstrando a resiliência do interesse internacional na economia brasileira e sua importância para o financiamento externo do país.

Entendendo o Déficit Externo

O déficit nas contas externas significa que o país gastou mais com bens e serviços importados e com o envio de lucros e dividendos para o exterior do que recebeu de fontes estrangeiras. O **crescimento econômico** é um fator chave, pois impulsiona tanto as importações quanto a capacidade de atrair investimentos. A relação entre o déficit externo e o crescimento é complexa, mas um saldo positivo em transações correntes geralmente indica maior solidez externa.

Apesar do rombo recorde em 11 anos, o Brasil continua sendo um destino atrativo para investimentos estrangeiros. O fluxo robusto em 2025 evidencia a confiança de investidores internacionais nas perspectivas de longo prazo da economia brasileira, apesar dos desafios conjunturais. A gestão cuidadosa das contas públicas e a manutenção de um ambiente de negócios favorável são essenciais para atrair e reter esses capitais, garantindo a sustentabilidade do financiamento externo.

Alívio à Vista? Mercado Financeiro Reduz Estimativa de Inflação para 4% em 2026 e Aponta Queda nos Juros

Boletim Focus traz otimismo: inflação em 2026 pode ficar em 4%, e juros devem cair

O mercado financeiro revisou para baixo sua projeção de inflação para 2026, indicando um cenário mais promissor para a economia brasileira. A expectativa agora é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano em 4%, uma redução em relação à estimativa anterior de 4,02%.

Essa revisão, divulgada no Boletim Focus pelo Banco Central, reflete um sentimento de maior controle sobre a alta dos preços. Caso se concretize, a inflação de 2026 será menor do que a registrada em 2025, quando o índice atingiu 4,26%, trazendo um alívio no poder de compra da população.

Além da inflação, as projeções para os anos seguintes mantêm a expectativa de estabilidade. Para 2027 e 2028, a estimativa de inflação permanece em 3,80% e 3,50%, respectivamente. A partir de 2025, o Brasil adota a meta contínua de inflação, buscando manter o IPCA em 3%, com margem de tolerância entre 1,50% e 4,50%.

A queda na inflação é um fator crucial para a melhoria da qualidade de vida, especialmente para as famílias de menor renda. Com preços mais estáveis, o dinheiro que entra no orçamento familiar consegue comprar mais bens e serviços, combatendo a perda do poder de compra.

Juros em Declínio e PIB com Crescimento Moderado

A boa notícia não para por aí. Após um período de juros elevados em 2025, com a taxa Selic atingindo 15% ao ano, o mercado financeiro projeta uma queda significativa nos juros ao longo dos próximos anos. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic recue para 12,25% ao ano, uma redução de 2,75 pontos percentuais.

As projeções continuam indicando um movimento de flexibilização monetária, com a taxa básica de juros estimada em 10,50% ao ano para o fim de 2027 e 10% ao ano para 2028. Essa trajetória descendente dos juros tende a estimular o investimento e o consumo, impulsionando a atividade econômica.

Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), que mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, a expectativa para 2026 é de um crescimento de 1,80%. Essa projeção, mantida estável na última pesquisa, indica um ritmo de expansão econômica mais moderado em comparação com os cerca de 2,25% previstos para 2025.

Dólar Estável e Câmbio Sob Controle

No cenário cambial, o mercado financeiro prevê relativa estabilidade para o dólar em 2026. Apesar de anos eleitorais geralmente gerarem volatilidade, a projeção é que a moeda norte-americana feche o ano em torno de R$ 5,50, patamar similar ao registrado ao final de 2025. A moeda americana já havia apresentado um desempenho fraco em 2025, recuando mais de 11%, em parte devido aos juros altos no Brasil e às expectativas de cortes nos EUA.

A estabilidade projetada para o câmbio é um fator positivo, pois contribui para a previsibilidade nas transações comerciais e financeiras, além de ajudar a ancorar as expectativas de inflação. A gestão econômica e as políticas fiscais continuam sendo observadas de perto pelo mercado.