Ouro atinge patamares próximos a US$ 5 mil, impulsionado por conflitos geopolíticos e incertezas econômicas nos EUA.
O preço do ouro voltou a subir nesta quarta-feira, dando continuidade a um forte avanço registrado na véspera, que representou o maior ganho diário do metal em 17 anos. Esse movimento reflete uma busca acentuada por ativos considerados mais seguros por investidores.
A escalada nos preços do ouro está diretamente ligada ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, além de crescentes dúvidas sobre a trajetória da política monetária americana. O cenário global instável tem levado os investidores a procurarem refúgio em ativos de menor risco.
O ouro à vista avançou 0,4%, alcançando US$ 4.958,75 por onça. Na sessão anterior, o metal já havia registrado uma alta expressiva de 6%. Os contratos futuros do ouro nos EUA, com vencimento em abril, também acompanharam a tendência, subindo 1% e sendo negociados a US$ 4.983,49 por onça.
Conforme análise de especialistas ouvidos pela Reuters, essa valorização é resultado de uma combinação de fatores de risco que estão impulsionando a demanda pelo metal. Conforme informação divulgada pela Reuters, Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree, destacou que “há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas”.
Ameaça de Drone e Declarações de Trump Alimentam Incerteza
No front geopolítico, um episódio recente elevou ainda mais o clima de tensão. As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram na terça-feira que derrubaram um drone iraniano que se aproximou de maneira considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia. Este incidente ocorreu em um momento delicado, enquanto diplomatas buscam viabilizar negociações nucleares entre os dois países.
Paralelamente, declarações do presidente americano, Donald Trump, reacenderam preocupações sobre a autonomia do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Na segunda-feira, Trump afirmou que a investigação envolvendo o presidente da instituição, Jerome Powell, deveria seguir até o fim, gerando apreensão no mercado.
Ouro se Recupera Após Correção e Mercado Aguarda Dados de Emprego
O metal precioso vem demonstrando uma recuperação notável após uma forte correção recente. Na segunda-feira, o ouro havia acumulado uma queda próxima de 10%, prolongando perdas da sexta-feira anterior, configurando o maior recuo em dois dias em décadas. A pressão foi intensificada pela indicação de Kevin Warsh para comandar o Fed e pelo aumento das exigências de margem para contratos futuros pela CME.
Apesar da volatilidade recente, o ouro ainda acumula uma valorização expressiva de mais de 17% no ano. O mercado agora volta suas atenções para a divulgação do relatório de emprego do setor privado nos EUA (ADP), prevista para mais tarde. Este dado econômico pode oferecer pistas importantes sobre os próximos passos da política de juros do Fed.
Expectativas de Cortes de Juros e Atratividade do Ouro
Atualmente, os investidores projetam ao menos dois cortes de juros nos Estados Unidos em 2026. O ouro, por não oferecer rendimento direto, tende a se tornar mais atrativo para os investidores em cenários de juros baixos ou em queda, o que pode explicar parte da recente valorização do metal.
Outros Metais Preciosos Também em Alta
A valorização não se limitou ao ouro. Entre outros metais preciosos, a prata à vista registrou uma alta significativa de 3,58%, sendo cotada a US$ 88,20 por onça. No início da semana, a prata havia recuado para a mínima de um mês, a US$ 71,33, após ter alcançado um recorde histórico de US$ 121,64 na semana passada. A platina avançou 0,74%, para US$ 2.225,20 por onça, enquanto o paládio subiu 0,48%, a US$ 1.767.