Operação Fake Monster: Como a Polícia Civil do Rio desvendou plano de ataque com coquetéis molotov contra show da Lady Gaga

Operação Fake Monster: A ação sigilosa que impediu atentado terrorista contra Lady Gaga no Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, através de sua unidade especializada Ciberlab, desmantelou um plano de ataque com coquetéis molotov que visava o show da cantora Lady Gaga no ano passado. A operação, batizada de Fake Monster, foi um exemplo de como a inteligência digital e a cooperação entre o setor público e privado podem prevenir tragédias em larga escala.

O alerta sobre o perigo iminente partiu de quatro grandes plataformas digitais. Elas identificaram conversas suspeitas entre jovens que planejavam o atentado como um ato de “extremismo contra pessoas de gênero diferente”. A agilidade na comunicação e no repasse de dados foi fundamental para a ação policial.

O show, parte da turnê “Mayhem Ball Tour”, reuniu cerca de 2,1 milhões de pessoas, segundo estimativas da prefeitura. Um ataque naquele contexto poderia ter gerado um cenário de pânico e danos incalculáveis. A operação, que homenageia os fãs da artista, conhecidos como “Little Monsters”, demonstrou a capacidade de resposta rápida das autoridades.

Conforme detalhado pelo delegado Paulo Benelli, líder do Ciberlab, a colaboração das plataformas digitais é essencial. Elas fornecem dados de usuários envolvidos em situações de risco de forma urgente, permitindo o rastreamento rápido. “Quando envolve criança, adolescente, envolve risco à vida, a gente atua de maneira emergencial”, afirmou Benelli.

A importância da colaboração digital na prevenção de crimes

O Ciberlab atua como um centro de inteligência, fornecendo informações cruciais para as polícias locais. Benelli explica que, em casos de ameaça à vida, as plataformas respondem aos pedidos de dados em questão de horas. “Para o nosso time, às vezes, não tem final de semana, não tem feriado, não tem noite”, declarou o delegado sobre a dedicação da equipe.

A atuação do Ciberlab vai além de grandes eventos. O órgão já auxiliou na apreensão de materiais perigosos, como cartas suicidas, mapas de escolas, armas e símbolos nazistas, encontrados na residência de indivíduos com intenções criminosas. “Quando a polícia dá o feedback, e a gente vê que conseguiu salvar vidas, isso para a gente não tem preço”, ressaltou Benelli.

Combate ao “Gatonet”: O Brasil como referência mundial

Em outra frente de atuação, o Ciberlab também lidera o combate à pirataria de serviços de streaming e TV por assinatura, o chamado “gatonet”. Benelli explicou que essa prática, muitas vezes vista como um “jeitinho” para economizar, evoluiu para um negócio global e estruturado, com riscos significativos para os consumidores.

As quadrilhas de gatonet utilizam servidores no exterior, vendem aparelhos ilegais e investem em marketing digital. No entanto, os consumidores ficam vulneráveis a golpes, vazamento de dados e invasão de redes domésticas. O delegado alertou que a queda desses serviços ilegais, como ocorreu com a final da Libertadores, deixa os usuários sem acesso e sem retorno financeiro.

O modelo brasileiro de combate à pirataria digital inspira outros países

O Brasil se tornou uma referência internacional no combate à pirataria digital, atraindo a atenção de órgãos como o FBI. A articulação entre o Ciberlab, a indústria audiovisual e as polícias civis, com operações como a “404”, considerada a maior das Américas contra o gatonet, tem sido fundamental.

Autoridades de países como Reino Unido, Estados Unidos e Argentina buscam aprender com o modelo brasileiro para alinhar estratégias e combater as novas formas de pirataria. Essa cooperação internacional é vital para proteger a propriedade intelectual e os direitos dos consumidores.

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