Mercado prevê queda de juros e inflação controlada em ano eleitoral, mas PIB desacelera

Economia brasileira em 2025: Juros em baixa, inflação sob controle e PIB com ritmo mais lento

O mercado financeiro projeta um cenário econômico misto para o Brasil em 2025, com expectativas de queda nas taxas de juros e a inflação dentro do limite da meta. No entanto, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve apresentar uma desaceleração.

Essas projeções fazem parte do primeiro Boletim Focus deste ano, divulgado pelo Banco Central (BC). A pesquisa ouviu mais de 100 instituições financeiras na última semana, revelando um panorama que inclui também uma taxa de câmbio considerada estável.

A perspectiva de inflação para 2025, que ainda aguarda divulgação oficial do IBGE, continua dentro da margem estabelecida pelo regime de metas. Isso significa que, se confirmadas as expectativas, o país não deve ultrapassar o teto da meta de inflação neste ano fechado.

É importante notar que, para o ano de 2024, a inflação acumulada em 12 meses até junho ficou acima do teto da meta. Quando a inflação sobe, o poder de compra da população, especialmente dos que recebem salários mais baixos, é afetado, pois os preços aumentam sem que os rendimentos acompanhem.

Juros em declínio após pico em 2024

Após a taxa básica de juros, a Selic, ter fechado 2024 em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, como medida para conter a inflação, o mercado financeiro aposta em uma trajetória de queda para este ano. A expectativa é que a Selic termine 2025 em 12,75% ao ano, uma redução de 2,25 pontos percentuais.

Para o final de 2026, a projeção de juros foi mantida em 12,25% ao ano. Já para 2027, a estimativa permanece em 10,50% ao ano, e para 2028, a previsão é de 9,75% ao ano. Essa perspectiva de redução dos juros é vista como um fator positivo para o consumo e o investimento.

PIB desacelera, mas mantém crescimento em 2025

Quanto ao crescimento do PIB em 2025, a estimativa do mercado foi mantida em uma alta de 2,26%. O Produto Interno Bruto, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, é um indicador fundamental do desempenho econômico nacional.

Para 2026, ano que será marcado por eleições presidenciais, a projeção de crescimento do PIB continuou em 1,80%. Caso se confirme, haverá uma desaceleração econômica em comparação com o ano anterior, refletindo o impacto dos juros ainda elevados para o controle da inflação. A expansão projetada para 2026 seria a menor em cinco anos.

Câmbio estável em ano eleitoral

O mercado financeiro também projeta relativa estabilidade para a taxa de câmbio em 2025, mesmo em um ano eleitoral, período que historicamente pode gerar pressão de alta sobre o dólar. Após a moeda norte-americana ter recuado mais de 11% em 2024, fechando o ano em R$ 5,4887, os economistas preveem que o dólar termine 2025 em R$ 5,50.

O desempenho do dólar em 2024 foi o pior em quase uma década. Essa trajetória foi influenciada pelas apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, além de preocupações com o déficit público e a condução da política econômica no Brasil. A estabilidade esperada para o câmbio em 2025 é um fator importante para a previsibilidade econômica e o controle inflacionário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *