Marco Rubio Revela: EUA Dividiram Lucros da Primeira Venda de Petróleo Venezuelano Após Queda de Maduro

Marco Rubio detalha divisão de receita do petróleo venezuelano e envia recado a Delcy Rodríguez

O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, revelou nesta quarta-feira (28) que o governo americano dividiu os lucros obtidos com a primeira venda de petróleo venezuelano após a deposição do ditador Nicolás Maduro. A declaração foi feita durante um depoimento ao Senado dos EUA, onde Rubio abordou a recente operação militar em Caracas e os próximos passos da política americana para a Venezuela.

Segundo Rubio, dos US$ 500 milhões arrecadados com a venda de petróleo, realizada há duas semanas, cerca de US$ 300 milhões foram repassados ao governo venezuelano. Os US$ 200 milhões restantes permanecem em uma conta no Catar, aguardando definições. A venda, ocorrida em 14 de janeiro, marca um ponto de virada na gestão dos recursos do país sul-americano sob a nova administração.

Rubio também utilizou a oportunidade para enviar um aviso direto à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Ele afirmou que Rodríguez, assim como Maduro, corre o risco de ser deposta caso não coopere com as expectativas de Washington. A declaração reflete a postura firme dos Estados Unidos em relação à liderança venezuelana, buscando garantir a submissão aos seus interesses.

A fala de Rubio ao Senado ocorre em um contexto de tensão e incerteza política na Venezuela. A recente operação militar que resultou na captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro, gerou controvérsias internacionais sobre a legalidade da ação. Enquanto o governo Trump defende a operação como necessária, organizações como a ONU e a comunidade internacional denunciaram potenciais violações do direito internacional.

Operação em Caracas e o Destino de Maduro

O Secretário de Estado Marco Rubio detalhou que o governo Trump tentou, por diversas vezes, persuadir Nicolás Maduro a deixar o poder voluntariamente antes de se optar pela intervenção militar. No entanto, Rubio descreveu Maduro como alguém com quem não é possível fazer acordos, justificando a ação militar. As tropas americanas entraram na capital venezuelana em 3 de janeiro, capturando Maduro e sua esposa, que foram levados para uma prisão em Nova York.

O casal está sendo julgado por acusações de tráfico de drogas, e ambos se declararam inocentes. A situação legal da operação em Caracas ainda é um ponto de debate, com o governo Trump defendendo sua legalidade, enquanto críticos apontam para possíveis violações do direito internacional. A captura de Maduro e sua esposa representa um marco na política externa americana para a região.

Nova Liderança Venezuelana Sob Tutela Americana

Desde a deposição de Maduro, os Estados Unidos colocaram o governo e os recursos petrolíferos da Venezuela sob sua tutela. Rubio informou ao Senado que os EUA estabeleceram um diálogo considerado “muito respeitoso e produtivo” com os líderes interinos da Venezuela. O objetivo é estabelecer rapidamente uma presença diplomática no país sul-americano, consolidando a influência americana.

A advertência de Rubio a Delcy Rodríguez surge dias após ela expressar seu descontentamento com a pressão americana, declarando estar “farta” das ordens vindas de Washington. Relatórios de inteligência dos EUA levantam dúvidas sobre a disposição de Rodríguez em cooperar plenamente com os Estados Unidos, especialmente no que diz respeito a cortar laços com aliados históricos como China, Rússia e Irã.

Advertência Direta a Delcy Rodríguez

Em um trecho divulgado pelo Departamento de Estado, Rubio afirmou que Delcy Rodríguez “conhece muito bem o destino de Maduro”. Essa declaração serve como um claro aviso sobre as consequências de uma possível desobediência às exigências americanas. Trump já havia declarado que Rodríguez pagaria um “preço muito alto” caso não cooperasse com os interesses dos EUA.

A pressão americana visa direcionar a política econômica e diplomática da Venezuela, com o objetivo de beneficiar empresas petrolíferas norte-americanas. Trump demonstrou preferência por pressionar a liderança interina em vez de fortalecer a oposição, afastando inclusive figuras como María Corina Machado, a quem descreveu como agradável, mas sem inspirar “respeito”.

Posição dos EUA e Custos da Operação

Rubio buscou tranquilizar seus antigos colegas no Senado, garantindo que os Estados Unidos “não estão em guerra contra a Venezuela”. Ele destacou que toda a operação foi realizada sem a perda de vidas americanas e sem a necessidade de uma ocupação militar contínua. O secretário ressaltou que “a história oferece poucos exemplos nos quais se tenha conquistado tanto a um custo tão baixo”.

Por outro lado, autoridades venezuelanas relatam que mais de 100 pessoas, entre venezuelanos e cubanos, morreram ao tentar proteger Maduro, sem sucesso. A narrativa sobre os custos e os resultados da intervenção americana na Venezuela diverge significativamente entre os lados envolvidos.

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