Macron: Acordo UE-Mercosul é ‘mau negócio’ e Europa precisa desafiar o dólar com empréstimos conjuntos

Macron critica acordo com Mercosul e propõe eurobônus para desafiar dólar

O presidente da França, Emmanuel Macron, expressou forte ceticismo em relação ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul, classificando-o como um “mau negócio”. Em entrevistas concedidas a jornais franceses, Macron defendeu a necessidade de a Europa fortalecer sua autonomia e competir em escala global, inclusive em relação à moeda americana.

As declarações foram divulgadas na terça-feira (10) e antecedem uma importante reunião de chefes de Estado e de governo da UE, agendada para quinta-feira (12), em Bruxelas. O encontro visa discutir estratégias para aumentar a competitividade do bloco europeu em um cenário internacional cada vez mais dinâmico e desafiador.

Macron também abordou a urgência de a Europa avançar em seus planos de soberania, destacando que o progresso em direção a um mercado interno mais integrado e funcional não está ocorrendo na velocidade necessária. Ele ressaltou a importância de a Europa proteger suas próprias indústrias e reforçar sua capacidade de investimento em larga escala.

Para alcançar esses objetivos, o líder francês propôs a criação de um mecanismo de empréstimo conjunto para a União Europeia, possivelmente através de eurobônus. Essa ferramenta financeira permitiria ao bloco realizar investimentos vultosos e, consequentemente, desafiar a hegemonia do dólar americano no comércio e nas finanças internacionais.

Europa busca autonomia e critica postura dos EUA

O presidente francês enfatizou que a Europa não deve se iludir com tréguas temporárias nas tensões com os Estados Unidos, mesmo que haja um aparente arrefecimento em disputas comerciais e tecnológicas. Macron alertou que a administração Trump demonstrou uma postura “abertamente antieuropeia” e buscou o “desmembramento” da União Europeia.

“Quando há um ato claro de agressão, acho que o que devemos fazer não é nos curvar ou tentar chegar a um acordo. Acho que tentamos essa estratégia há meses. Não está funcionando”, declarou Macron, indicando que uma abordagem mais firme é necessária diante de ações hostis.

Macron também expressou preocupação com possíveis retaliações dos EUA contra países europeus, como França e Espanha, que planejam impor restrições ao uso de redes sociais por menores de idade. Essa questão demonstra as complexas relações diplomáticas e comerciais entre o bloco europeu e a maior economia do mundo.

Projeto de avião de combate europeu avança apesar de tensões

Em outro ponto abordado, Macron avaliou positivamente o projeto do futuro avião de combate europeu (SCAF), classificando-o como “um bom projeto” que deve progredir. Ele reconheceu a existência de tensões entre as indústrias francesa e alemã envolvidas no programa, mas minimizou o impacto, afirmando que divergências entre industriais não devem impedir o avanço da iniciativa.

“É um bom projeto e não tive nenhuma manifestação alemã para me dizer que não é um bom projeto. Quando os industriais tentam criar dissensões, isso é uma coisa, mas não cabe a nós endossá-las”, disse Macron a diversos meios de comunicação europeus, incluindo Le Monde e The Economist. Ele assegurou que voltará a discutir o tema com o chanceler alemão.

Questionado sobre a possibilidade de o projeto FCAS (Sistema de Combate Aéreo Futuro) estar em risco, Macron foi categórico: “Não”. Ele reiterou a expectativa de que o projeto avance, apesar de contratempos anteriores, como a falta de acordo entre os ministros da Defesa de França, Alemanha e Espanha em dezembro, que visava resolver problemas no programa de desenvolvimento do caça que substituirá os Rafales e Eurofighters.

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