Jovem dos EUA Processa Meta, TikTok e YouTube por Vício em Mídias Sociais e Depressão: Gigantes da Tecnologia Sob Julgamento
Um jovem dos Estados Unidos iniciou um processo judicial contra gigantes da tecnologia como Meta, TikTok e YouTube, alegando que seus produtos causaram vício em mídias sociais e levaram à depressão. Este caso representa um marco, sendo o primeiro de vários que devem ir a julgamento este ano, focados no que os autores denominam de “vício em mídia social” entre crianças e adolescentes.
A ação judicial é a primeira vez que empresas de tecnologia de grande porte terão que se defender em um tribunal sobre supostos danos causados por seus produtos digitais. O advogado da autora, Matthew Bergman, destacou a importância do momento, afirmando que “elas estarão sob um nível de escrutínio que não existe quando você depõe perante o Congresso”.
O juri terá a tarefa de decidir se as empresas agiram com negligência ao disponibilizar produtos que prejudicaram a saúde mental da jovem identificada como K.G.M. Será avaliado também se o uso dos aplicativos foi um fator substancial para o desenvolvimento de sua depressão, em comparação com outras possíveis causas, como conteúdo de terceiros visualizado nas plataformas ou aspectos de sua vida fora do ambiente digital.
Analistas jurídicos consideram este um caso de teste crucial. “Este é realmente um caso de teste”, disse Clay Calvert, advogado de mídia do American Enterprise Institute, um think tank pró-negócios. “Vamos ver o que acontece com essas teorias” de que as plataformas de mídia social causaram danos à autora da ação, conforme divulgado pela Reuters.
Expectativa de Testemunhos de Líderes da Tecnologia
O julgamento promete ser de grande repercussão, com a expectativa de que Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, ocupe o banco das testemunhas. A empresa, que é dona do Instagram e Facebook, argumentará no tribunal que seus produtos não foram a causa dos problemas de saúde mental de K.G.M., segundo declararam os advogados da Meta à Reuters antes do início do processo.
Além de Zuckerberg, espera-se que Evan Spiegel, presidente-executivo da Snap (empresa dona do Snapchat), também testemunhe, visto que sua companhia foi nomeada ré na ação. A Snap, no entanto, já concordou em resolver a ação judicial movida por K.G.M. em 20 de janeiro, buscando um acordo para evitar o julgamento.
YouTube se Defende de Acusações de Vício em Mídias Sociais
O YouTube, por sua vez, apresentará uma defesa distinta. Um executivo da plataforma declarou antes do julgamento que o YouTube argumentará que suas plataformas são fundamentalmente diferentes de redes sociais como Instagram e TikTok, e, portanto, não deveriam ser agrupadas no mesmo contexto judicial. A empresa buscará demonstrar que suas funcionalidades e modelo de negócio não se encaixam na narrativa de “vício em mídia social” apresentada no processo.
O TikTok, outra gigante do setor de vídeos curtos, recusou-se a comentar sobre os argumentos que planeja apresentar no tribunal. A ausência de declarações da empresa aumenta a expectativa sobre como ela irá se defender das acusações de responsabilidade pelo vício e depressão de jovens usuários.
O Conceito de “Vício em Mídia Social” em Debate
O cerne do julgamento reside na definição e na comprovação do “vício em mídia social”. Os advogados da autora argumentam que as plataformas são projetadas para serem altamente viciantes, utilizando mecanismos que exploram a psicologia humana para manter os usuários engajados por longos períodos. Esse engajamento excessivo, segundo a tese, pode levar a problemas sérios de saúde mental, como ansiedade e depressão.
A forma como o juri interpretará as evidências e decidirá sobre a negligência das empresas será um precedente importante. A decisão poderá influenciar futuros casos e a maneira como as plataformas de mídia social operam e são regulamentadas, especialmente no que diz respeito à proteção de usuários mais jovens e vulneráveis ao **vício em mídias sociais**.