IPCA-15 de Janeiro: Inflação em Janeiro Sobe 0,20%, Impactada por Saúde e Comunicações, Mas Habitação e Transportes Caem

IPCA-15 de Janeiro: Prévia da Inflação Sobe 0,20%, com Alavancagem em Saúde e Comunicações

A primeira prévia da inflação de 2026, o IPCA-15, registrou alta de 0,20% em janeiro. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou ligeiramente abaixo das projeções de mercado, que esperavam um avanço de 0,22%. Apesar da desaceleração em relação a dezembro (0,25%), o índice acumula 4,50% em 12 meses, permanecendo acima da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas dentro do intervalo de tolerância.

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, a variação em janeiro foi heterogênea. Enquanto Habitação (-0,26%) e Transportes (-0,13%) apresentaram recuo, o grupo Saúde e cuidados pessoais foi o principal impulsionador da alta, com um avanço expressivo de 0,81%. O grupo de Comunicações também contribuiu para o aumento, com variação de 0,73%.

O resultado do IPCA-15 em janeiro, conforme informação divulgada pelo IBGE, reflete um cenário de pressões inflacionárias em setores específicos, enquanto outros segmentos mostram desaceleração. A análise detalhada dos grupos revela os fatores que moldaram a primeira prévia da inflação oficial do ano.

A inflação em 2026, medida pelo IPCA-15, mostra um comportamento que exige atenção, especialmente no que tange aos serviços. Especialistas apontam que a inflação de serviços intensivos em trabalho, mais sensível ao mercado de emprego, continua em aceleração, o que pode ser um ponto de atenção para a política monetária.

Setores Chave e Seus Impactos na Inflação de Janeiro

O grupo Saúde e cuidados pessoais foi o grande destaque de janeiro, com uma variação de 0,81% e o maior impacto no índice geral, respondendo por 0,11 ponto percentual. Dentre os itens que mais influenciaram essa alta estão os produtos de higiene pessoal, que subiram 1,38% após um recuo no mês anterior, e os planos de saúde, com alta de 0,49%. O grupo Comunicação também apresentou forte avanço de 0,73%, impulsionado principalmente pelos aparelhos telefônicos, com aumento de 2,57%.

Por outro lado, o grupo Habitação recuou 0,26%, com a energia elétrica residencial apresentando queda de 2,91%. Essa redução foi influenciada pela mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, eliminando cobranças adicionais. O grupo Transportes também registrou queda de 0,13%, com a forte redução nas passagens aéreas (-8,92%) e no ônibus urbano (-2,79%), esta última parcialmente impactada pela implementação da tarifa zero em Belo Horizonte.

Alimentos e Combustíveis: Variações e Tendências

O grupo Alimentação e bebidas, de grande peso no índice, acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. A alimentação no domicílio reverteu a tendência de queda dos meses anteriores, com alta de 0,21%. Os principais responsáveis por essa elevação foram o tomate (16,28%), a batata-inglesa (12,74%), as frutas (1,65%) e as carnes (1,32%). Contudo, alguns itens como leite longa vida (-7,93%), arroz (-2,02%) e café moído (-1,22%) apresentaram queda.

A alimentação fora do domicílio também subiu, com alta de 0,56% nos lanches e 0,44% nas refeições. No segmento de transportes, os combustíveis avançaram 1,25%, impulsionados pelo etanol e pela gasolina, o que contrasta com a queda geral do grupo de transportes. A análise dos preços dos alimentos e combustíveis indica um cenário misto, com pressões em alguns itens e alívio em outros.

Análise Econômica e Perspectivas para a Inflação

Economistas avaliam que, de modo geral, a inflação continua em processo de desaceleração, apresentando um perfil mais favorável. No entanto, a inflação de serviços intensivos em trabalho, que reflete um mercado de trabalho aquecido, segue em aceleração. A média anualizada dos últimos três meses para este segmento subiu para 8%, o maior patamar desde outubro de 2022.

Essa dinâmica sugere que a política monetária está no caminho certo, mas reforça a expectativa de que o Banco Central possa adiar cortes na taxa de juros. A valorização do câmbio, a estabilidade das commodities e a queda nos preços de alimentos e custos de produção são fatores que sustentam a tendência de desinflação no longo prazo, mas a persistência da inflação de serviços é um ponto de atenção para a condução da política econômica.

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