Ouro e prata disparam com crise na Venezuela: entenda o impacto nos mercados globais e a busca por segurança em ativos de valor.
A recente prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelas forças dos Estados Unidos intensificou a tensão geopolítica global, levando investidores a buscar ativos considerados mais seguros. Essa movimentação de mercado resultou em uma disparada nos preços do ouro e da prata, que atingiram patamares recordes em meio à crescente incerteza.
O ouro, tradicional refúgio em tempos de instabilidade, voltou a ser procurado como forma de proteção. Por volta das 10h25 (horário de Brasília) desta segunda-feira (5), o metal valorizou 2,03%, sendo cotado a US$ 4.417 por onça, o maior valor em cerca de uma semana. Essa busca por segurança reflete a confiança dos investidores em ativos tangíveis durante períodos de turbulência.
A prata, por sua vez, apresentou uma valorização ainda mais expressiva, alcançando um novo recorde. No mesmo horário, o metal avançou cerca de 5,45%, chegando a US$ 74,8. A performance da prata demonstra a força da tendência de migração para ativos de reserva de valor em cenários de crise geopolítica.
Conforme informações divulgadas por fontes de mercado, em situações de crise geopolítica, investidores tendem a direcionar seus recursos para ativos vistos como reserva de valor, que funcionam como refúgios seguros em tempos de turbulência. Stephen Innes, da SPI Asset Management, ressalta que “os investidores gostam de assumir riscos, mas querem ter uma proteção garantida. Trata-se de confiança com uma garantia, não de euforia”. Essa estratégia visa preservar o capital em face da volatilidade.
Ouro e prata: refúgios seguros em tempos de incerteza
Historicamente, o ouro e a prata se destacam em momentos de instabilidade, especialmente quando as taxas de juros estão em patamares mais baixos. A busca por esses metais como reserva de valor é uma estratégia consolidada entre investidores que buscam proteger seus portfólios contra riscos econômicos e políticos.
Outros metais, como o cobre, também reagem a esses cenários, refletindo tanto o aumento do risco quanto a importância crescente de recursos naturais para a segurança energética e industrial. A demanda por commodities pode ser influenciada por diversos fatores, incluindo a especulação e as expectativas sobre o futuro da produção e do consumo global.
Petróleo volátil em meio a declarações e expectativas de mercado
Enquanto isso, os preços do petróleo permanecem voláteis, oscilando próximos à estabilidade. Apesar do anúncio de Donald Trump sobre a intenção de abrir o setor de petróleo da Venezuela para grandes empresas americanas, os preços do petróleo iniciaram o dia em queda. Por volta das 6h05 da manhã em Brasília, o preço do petróleo tipo Brent caiu cerca de 1%, passando a custar aproximadamente US$ 60 o barril.
Posteriormente, por volta das 8h, os preços voltaram a subir, com uma leve alta de 0,13%, alcançando US$ 60,83. O petróleo americano, conhecido como WTI, também recuou cerca de 1%, sendo vendido por cerca de US$ 56 o barril. Às 8h, apresentava uma alta modesta de 0,30%, cotado a US$ 57,49.
Venezuela busca diálogo e fim das hostilidades
Em um movimento diplomático, a presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou neste domingo (4) uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na carta, ela pede diálogo, o fim das hostilidades e uma “agenda de colaboração”, menos de 24 horas após a captura de Nicolás Maduro. A iniciativa busca amenizar as tensões e encontrar um caminho para a estabilidade na região.
Segundo analistas ouvidos pela agência France Presse, a situação atual reduz o risco de que o petróleo venezuelano fique impedido de ser exportado por um longo período. Bjarne Schieldrop, analista do banco SEB, afirmou que “isso diminui a chance de um bloqueio prolongado às vendas de petróleo do país, que em breve pode voltar a circular livremente”. Essa perspectiva pode impactar o mercado global de energia.
Produção e reservas de petróleo venezuelano
A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua produção atual é de cerca de um milhão de barris por dia. A capacidade de recuperação da produção e a dinâmica das exportações são fatores cruciais a serem observados no contexto da atual instabilidade política e das relações internacionais do país.