IGP-M termina 2025 com deflação de 1,05%, mas aumento nos aluguéis segue possível em função do IPCA e condições do mercado imobiliário
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), frequentemente chamado de “inflação do aluguel”, fechou o ano de 2025 com queda acumulada de 1,05%. Essa variação negativa foi puxada principalmente pela desaceleração dos preços no atacado, que compõem 60% do índice, refletindo um cenário econômico global mais frágil e incertezas persistentes. No entanto, a redução do IGP-M não garante uma diminuição imediata nos valores dos aluguéis, pois diversos contratos têm como referência o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que seguiu com alta durante o ano.
Os preços ao produtor amplo (IPA), que têm maior peso na composição do IGP-M, recuaram 3,35% em 2025, mostrando influência de safras agrícolas melhores e menor custo de matérias-primas. Mesmo assim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) ficou em alta, pressionando custos no setor imobiliário. Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação no varejo, permaneceu em valorização, principalmente em habitação e serviços.
Assim, apesar da deflação no IGP-M, o cenário do aluguel é afetado pela escolha do índice nos contratos e pelas condições específicas do mercado de imóveis, como oferta e demanda. Essa combinação explica por que os preços dos aluguéis podem continuar subindo, mesmo com o índice tradicionalmente ligado ao reajuste apresentando queda.
Conforme dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o resultado do IGP-M sinaliza um ano de oscilações, o que exige atenção para entender o impacto real na economia doméstica e nos custos habitacionais.
Desempenho dos componentes do IGP-M em 2025
O IGP-M é composto por três indicadores principais: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Em 2025, o IPA teve queda significativa de 2,73%, principalmente influenciado pela queda de 0,30% nas matérias-primas brutas em dezembro. Bens intermediários também recuaram, enquanto bens finais subiram ligeiramente, 0,07%, menos que no mês anterior.
O IPC, com peso de 30% no IGP-M, apresentou alta modesta de 0,24% em dezembro, mostrando persistência da inflação ao consumidor, sobretudo nos setores de habitação, educação e transportes. Por outro lado, grupos como saúde, vestuário e alimentação tiveram desaceleração ou queda, o que contrabalançou parte dos aumentos.
O INCC, que representa 10% do índice, avançou 0,85% no ano, influenciado por aumentos nos custos de serviços e mão de obra na construção civil, mesmo com desaceleração nos materiais e equipamentos. Essa alta contribui para manter a pressão sobre os custos imobiliários, repercutindo nos valores dos aluguéis e compras.
Por que a queda do IGP-M não significa redução garantida nos aluguéis
Embora o IGP-M acumule deflação em 2025, a relação com o preço do aluguel é mais complexa. Muitos contratos atuais deixaram de usar o IGP-M e passaram a adotar o IPCA como indexador, índice que continua em trajetória de alta, refletindo o aumento do custo de vida para as famílias. Além disso, o reajuste dos aluguéis geralmente ocorre anualmente, baseado na variação acumulada dos 12 meses anteriores, e só é possível reduzir valores se o contrato permitir explicitamente.
Outro fator que interfere no preço final do aluguel é a oferta e demanda no mercado imobiliário. Mesmo com índices em queda, se a procura por imóveis aumentar ou houver renegociação limitada, os preços podem subir. Assim, a deflação do IGP-M nem sempre se traduz em redução efetiva dos aluguéis.
Impactos para o consumidor e perspectiva para 2026
Para o consumidor, a manutenção do aumento nos aluguéis pode pesar no orçamento familiar, especialmente quando os contratos estão atrelados a índices como o IPCA ou baseados nos valores praticados no mercado. Enquanto isso, a deflação do IGP-M reflete principalmente pressões sobre os preços no atacado e suas cadeias produtivas, sem impacto imediato nos serviços e habitação.
Com fatores como custos persistentes na construção civil e flutuações na economia global, a tendência para 2026 ainda é de incerteza quanto ao comportamento dos índices e dos preços de aluguel. É fundamental que locatários e proprietários estejam atentos às cláusulas contratuais e às condições do mercado para compreender melhor os possíveis reajustes e negociar de forma consciente.