Haddad propõe BC fiscalizar fundos após escândalo Master, defendendo Galípolo e criticando “herança” de Campos Neto

Haddad defende maior poder de fiscalização do Banco Central sobre fundos de investimento após caso Master

Em meio às investigações sobre fraudes financeiras bilionárias envolvendo o banco Master, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, propôs que o Banco Central (BC) assuma a responsabilidade pela fiscalização e regulação de fundos de investimento. Atualmente, essa função é exercida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A declaração foi feita em entrevista ao portal UOL, onde Haddad também saiu em defesa do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, classificando o caso Master como um “grande abacaxi” herdado da gestão anterior.

A proposta de Haddad visa centralizar a supervisão do sistema financeiro, argumentando que a intersecção entre fundos, finanças e suas implicações na contabilidade pública justificam uma maior atuação do BC.

“Entendo que seria uma resposta muito boa nesse momento ampliarmos o poder de fiscalização sobre os fundos pelo Banco Central. Fica em um lugar só, que é mais ou menos o desenho dos BCs em países desenvolvidos”, explicou o ministro.

CVM sob os holofotes e a indicação de Otto Lobo

A CVM, autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, é responsável por regular e fiscalizar o mercado de valores mobiliários. Recentemente, a instituição tem sido alvo de discussões devido à indicação de Otto Lobo para sua presidência, que gerou críticas de especialistas e do mercado financeiro por uma possível influência política.

A Polícia Federal investiga o uso de fundos de investimento para inflar o patrimônio do Master, culminando na liquidação do banco e da empresa gestora dos fundos do grupo Reag Investimentos. A Reag também é investigada por suspeitas de ligação com o PCC.

Haddad defende Galípolo e critica gestão anterior

Fernando Haddad defendeu a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no caso Master. Segundo o ministro, Galípolo herdou um “enorme problema” da gestão de Roberto Campos Neto, antecessor indicado por Jair Bolsonaro.

“Mas foi uma herança, o Galípolo herdou esse enorme problema, esse grande abacaxi, resolvendo com competência”, afirmou Haddad, ressaltando a capacidade de Galípolo em lidar com a crise.

Carga tributária em alta e o “Taxadd”

Questionado sobre o apelido “Taxadd”, usado por críticos para se referir a um aumento de impostos, Haddad expressou satisfação em ser lembrado como o ministro que taxou “offshores”, fundos fechados, dividendos e apostas esportivas.

“A taxação BBB, banco, bet e bilionário. Esse povo que não pagava imposto voltou a pagar. Se a oposição quiser bater bumbo por causa disso, ‘be my guest’ [fique à vontade]. Estou de acordo”, declarou. Ele ressaltou que a arrecadação adicional é destinada a áreas como educação e saúde públicas.

Dados da Receita Federal indicam que a carga tributária brasileira atingiu um recorde em 2024, com aumentos em impostos federais e estaduais, incluindo taxas sobre combustíveis, encomendas internacionais, e mudanças na tributação de incentivos.

Futuro político de Haddad em pauta

Em relação ao seu futuro político, Haddad mencionou que tem conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de não concorrer a cargos eletivos em 2026, focando em atuar na campanha de reeleição de Lula.

No entanto, o PT tem defendido sua candidatura ao governo de São Paulo. “Eu disse em todas as ocasiões que eu não pretendia me candidatar em 2026, a todos cargos. Iniciei conversa com Lula, tenho uma relação pessoal com ele”, disse Haddad, indicando que as conversas com o presidente estão em andamento.

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