Governo Lula une Brasil, China e Europa em nova rede de internet via satélite para competir com Starlink e levar conexão a escolas

Governo Lula busca diversificar o acesso à internet via satélite com parcerias internacionais.

O governo federal, através da Telebras e do Ministério das Comunicações, está costurando acordos com empresas internacionais para expandir o acesso à internet no Brasil, visando especialmente a conexão de escolas. A estratégia envolve a contratação de serviços de satélites de média e baixa órbita, buscando alternativas à Starlink, de Elon Musk.

A iniciativa visa suprir a demanda por conexões mais rápidas e estáveis, especialmente em áreas remotas e instituições de ensino. A diversificação de fornecedores é vista como crucial para evitar a dependência de uma única empresa ou país, fortalecendo a soberania digital brasileira.

Parcerias com empresas europeias e chinesas estão em fase avançada, com testes e negociações em andamento. O objetivo é garantir que todas as escolas públicas do país sejam conectadas, cumprindo metas estabelecidas pelo governo federal.

Esses esforços fazem parte de um plano mais amplo para o desenvolvimento do setor espacial e de telecomunicações no Brasil, incluindo o futuro “GPS brasileiro” e um sistema nacional de satélites.

Avanço com a SES e a tecnologia MEO

Um dos principais acordos em negociação é com a luxemburguesa SES, que opera satélites de média órbita (MEO). A Telebras já utiliza satélites geoestacionários da SES, mas o novo contrato foca nos MEOs, que oferecem conexões mais rápidas e com menor latência. Testes realizados durante a COP 30, em Belém, demonstraram velocidades de até 500 Mbps.

Executivos do Ministério das Comunicações e da Telebras visitaram a sede da SES em Luxemburgo para conhecer a estrutura da operação e negociar os termos do contrato. A escolha pelos MEOs se deve à sua capacidade superior em comparação com os satélites geoestacionários, que têm limitações para atender escolas com muitos alunos.

Satélites MEO, operando a cerca de 10 mil km da Terra, apresentam vantagens como menor latência e menor impacto ambiental nos lançamentos. A tecnologia das antenas para receber o sinal MEO está evoluindo, com futuras gerações prometendo ser mais compactas, similares às da Starlink.

Parceria estratégica com a China e a SpaceSail

Outra frente importante é o acordo com a chinesa SpaceSail, ligada ao governo de Xangai. A empresa, que opera satélites em baixa órbita (LEO), a mesma faixa da Starlink, tem planos de iniciar suas operações no Brasil até o fim de 2026. A SpaceSail já solicitou à Anatel autorização para operar 648 satélites no país, com planos de expandir para 15 mil até 2030.

A chegada da SpaceSail ao mercado brasileiro intensifica a competição, já que ela competirá diretamente com a Starlink em diversos segmentos, incluindo conexões residenciais, corporativas e governamentais. Embora a Starlink lidere o mercado de internet via satélite no Brasil, o governo busca diversificar suas opções.

A colaboração com a SpaceSail faz parte de uma estratégia mais ampla do governo federal para estreitar laços com a China e explorar novas tecnologias de conectividade, o que pode ser crucial para atingir a meta de conectar escolas públicas.

Plano Nacional de Satélites e a diversificação de fornecedores

O governo federal também está desenvolvendo o Plano Nacional de Satélites, que visa criar um sistema integrado de satélites, incluindo as modalidades MEO e LEO. Este plano busca não apenas conectar escolas e postos de saúde, mas também atender às Forças Armadas e outros órgãos públicos.

A iniciativa de diversificar fornecedores de internet via satélite, citada por um porta-voz do governo, visa garantir que o Brasil não fique dependente de uma única empresa ou nação. Essa estratégia abrange a contratação de serviços de satélites geoestacionários, MEO e LEO, com o objetivo de universalizar o acesso à internet de qualidade.

Além da internet via satélite, o governo utiliza outras frentes para expandir a conectividade, como os leilões da EACE e o financiamento a pequenos provedores regionais com recursos do FUST. O ano de 2026 promete ser um marco para a tecnologia de satélites no Brasil, com a entrega do plano do PNT, o “GPS brasileiro”, e a consolidação de novas parcerias internacionais.

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