Google Assistente enfrenta processo bilionário por suposta espionagem e gravações ilegais de conversas privadas.
O Google fechou um acordo preliminar para pagar US$ 68 milhões (aproximadamente R$ 357 milhões) para encerrar um processo coletivo que acusa o Google Assistente de espiionar usuários ilegalmente.
A ação alega que o assistente virtual teria gravado conversas privadas sem consentimento após ser acionado. O objetivo, segundo as acusações, seria utilizar essas gravações para enviar publicidade direcionada aos usuários.
O acordo foi apresentado na noite de sexta-feira em um tribunal federal na Califórnia e aguarda a aprovação da juíza distrital dos EUA, Beth Labson Freeman. Este caso levanta sérias preocupações sobre a privacidade dos dados e o uso de informações coletadas por assistentes virtuais.
Conforme informações divulgadas pela agência de notícias Reuters, o Google Assistente é projetado para responder a comandos de voz como “Ok Google” ou “Hey Google”. No entanto, usuários relataram ter recebido anúncios indesejados após o assistente interpretar erroneamente falas cotidianas como gatilhos de ativação, um fenômeno conhecido como “aceitações falsas”.
O Mecanismo de “Aceitações Falsas” e o Impacto na Privacidade
As “aceitações falsas” ocorrem quando o Google Assistente, sem intenção, interpreta uma conversa aleatória como um comando direto. Isso leva à gravação e processamento de áudio que não deveria ter sido capturado, gerando preocupações sobre o escopo da coleta de dados.
Essas gravações, mesmo que acidentais, poderiam ser usadas para refinar perfis de usuário e, consequentemente, direcionar anúncios de forma mais eficaz. A prática levanta questionamentos éticos sobre o consentimento informado e a transparência no uso de dados pessoais.
Um Precedente na Indústria de Tecnologia
Este não é o primeiro caso em que uma grande empresa de tecnologia enfrenta ações legais por questões de privacidade relacionadas a seus assistentes virtuais. A Apple, por exemplo, já realizou um acordo semelhante de US$ 95 milhões (cerca de R$ 498 milhões) em dezembro de 2024 com usuários de smartphones.
Esses acordos refletem uma crescente conscientização e ação legal em relação à proteção de dados dos consumidores. A tendência indica que as empresas precisarão ser mais rigorosas com a coleta e o uso de informações obtidas por meio de dispositivos inteligentes.
O Futuro da Interação com Assistentes Virtuais
O caso do Google Assistente reforça a importância de os usuários estarem cientes das configurações de privacidade de seus dispositivos e dos termos de serviço que aceitam. A tecnologia de assistentes virtuais continua a evoluir, mas a necessidade de garantir a segurança e a privacidade dos dados dos usuários se torna cada vez mais crucial.
A expectativa é que estes eventos incentivem o Google e outras empresas a aprimorarem seus mecanismos de controle de ativação e a serem mais transparentes sobre como os dados de voz são coletados e utilizados, fortalecendo a confiança do consumidor.