Fundador da Reag Deixa Grupo Investigado pela PF em Meio a Escândalo do Banco Master e PCC, Nova Gestora Assume

BC decreta liquidação da CBSF DTVM, antiga Reag, após investigações da PF e saída do fundador João Carlos Falbo Mansur.

O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que anteriormente operava como Reag Trust DTVM. A empresa, responsável pela gestão de fundos do grupo Reag Investimentos, foi alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF).

Em meio ao avanço das investigações, o fundador e então presidente do conselho de administração do grupo Reag, João Carlos Falbo Mansur, formalizou sua saída da companhia em setembro do ano passado. A decisão do BC baseou-se no descumprimento de “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”, conforme comunicado oficial.

A Reag Investimentos está sob investigação em duas operações distintas da PF, incluindo seu suposto envolvimento com o escândalo do Banco Master e com esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A gestora teria sido utilizada para estruturar fundos destinados à compra de empresas e à blindagem patrimonial de recursos ilícitos.

No final de setembro de 2025, a Reag Capital Holding, que antes era uma companhia aberta, deixou a bolsa de valores após o avanço das investigações. O cancelamento do registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aprovado em outubro de 2025, transformou a holding em uma empresa de capital fechado. Na época, a companhia alegou que a medida fazia parte de um processo de reorganização societária.

Mudança de controle e saída de executivos

A saída de Mansur da administração ocorreu após a venda do controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora. Em setembro de 2025, a Arandu Partners Holding S.A. adquiriu cerca de 87,38% do capital da companhia, em uma transação estimada em R$ 100 milhões. A participação vendida pertencia à Reag Asset Management Ltda. e ao Reag Alpha Fundo de Investimento em Ações.

Com a venda, a Arandu Partners passou a controlar a Reag Investimentos. O movimento ocorreu após a deflagração da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no setor de combustíveis. A operação incluiu mandados de busca na sede da empresa, a saída do fundador e de outros executivos, como Altair Tadeu Rossato (conselheiro independente) e Fabiana Franco (diretora financeira).

Desde dezembro de 2025, a Reag Investimentos opera na bolsa brasileira sob o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3. O grupo Reag também incluía a CiabraSF, outra holding independente citada na Operação Carbono Oculto, que teve sua compra finalizada pelo Grupo Planner em 6 de janeiro.

Segurança para cotistas e riscos de fraude

Segundo Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, os cotistas dos fundos administrados pela Reag possuem garantia de segregação patrimonial. “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”, explicou.

Bolico esclareceu que o liquidante nomeado pelo BC convocará uma assembleia para transferir esses fundos para outra administradora saudável. “Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado”, disse.

Envolvimento com Banco Master e PCC

A situação da Reag se agravou com seu envolvimento na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. Segundo as apurações, a gestora teria atuado como parceira do banco na estruturação e administração de fundos usados em operações consideradas atípicas, incluindo a circulação de recursos entre fundos e o próprio banco. A PF apura se esses mecanismos teriam sido usados para inflar resultados, ocultar riscos e dar aparência de solvência ao Banco Master.

A Reag também aparece na Operação Carbono Oculto, que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no setor de combustíveis. Nesse caso, a empresa é citada como prestadora de serviços a fundos que, segundo a Receita Federal, teriam sido usados para ocultação de patrimônio da facção. O BC classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, indicando que “o caso não vai contaminar outros bancos nem gerar uma crise de crédito generalizada”.

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