França alerta para “medidas unilaterais” caso acordo UE-Mercosul afete o agronegócio francês
A França acenou com a possibilidade de adotar ações “unilaterais” caso o setor agrícola e pecuário do país enfrente riscos devido ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, expressou essa posição em meio ao descontentamento de produtores rurais locais, que realizaram protestos recentes.
Os agricultores franceses temem uma concorrência acirrada com produtos sul-americanos, o que poderia impactar negativamente a produção nacional. A decisão de avançar com o acordo, mesmo com a resistência de alguns países europeus, tem gerado apreensão no setor.
A ministra Genevard defendeu as concessões já feitas por Bruxelas aos agricultores europeus desde a conclusão do acordo em dezembro de 2024. Ela citou como exemplo a suspensão, por um ano, da importação de certos produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na UE, muitos deles de origem sul-americana.
A União Europeia deu sinal verde ao acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai por maioria qualificada. No entanto, o Parlamento Europeu ainda precisa aprovar o tratado, e o resultado é incerto, com parlamentares ameaçando recorrer à Justiça. Conforme informação divulgada, a Comissão Europeia negocia esse acordo desde 1999, visando criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Aprovação provisória e resistência europeia
Os países da União Europeia aprovaram o acordo comercial com o Mercosul de forma provisória. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (9) durante uma reunião de embaixadores em Bruxelas. Contudo, a medida enfrentou a resistência de nações como França, Polônia, Irlanda e Hungria, que manifestaram preocupações significativas.
A aprovação provisória permite que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo no Paraguai em 17 de janeiro, conforme data anunciada pelo chanceler argentino, Pablo Quirno. Esta etapa é crucial para o avanço das negociações.
Preocupações com o setor agropecuário
O setor agropecuário europeu demonstra grande receio quanto ao impacto da chegada massiva de produtos como carne, arroz, mel e soja do Mercosul. Essa preocupação se contrapõe à expectativa de exportação de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus para os países do bloco sul-americano.
A ministra francesa Annie Genevard destacou a importância de proteger o mercado interno, especialmente diante da possibilidade de produtos importados utilizarem insumos ou práticas não permitidas na União Europeia. A gestão da dermatose nodular bovina, uma doença animal, também foi citada como ponto de insatisfação entre os produtores franceses.
Futuro do acordo e possíveis contestações
Apesar da aprovação dos embaixadores, o acordo ainda precisa passar pelo crivo do Parlamento Europeu. Cerca de 150 eurodeputados, de um total de 720, já indicaram que podem recorrer à Justiça para impedir a aplicação do tratado, elevando o nível de incerteza sobre sua implementação definitiva.
A negociação, iniciada em 1999, tem como objetivo estabelecer uma vasta zona de livre comércio, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores. A França, por sua vez, busca garantir que os interesses de seus produtores rurais sejam preservados diante das novas dinâmicas comerciais propostas pelo pacto.