Oxfam revela que fortuna dos mais ricos atinge pico histórico em 2025, superando a metade mais pobre da humanidade e influenciando políticas públicas.
A fortuna dos bilionários alcançou um patamar recorde em 2025, intensificando a desigualdade e impactando negativamente a liberdade política, segundo o relatório anual “Resistir ao domínio dos mais ricos”, divulgado pela ONG Oxfam. O documento, lançado em paralelo ao início do Fórum Econômico em Davos, Suíça, lança um olhar crítico sobre o acúmulo de riqueza e suas consequências sociais e democráticas.
O relatório aponta um cenário alarmante: os 12 bilionários mais ricos do mundo detêm, juntos, mais riqueza do que a metade mais pobre da população global, o que equivale a aproximadamente quatro bilhões de pessoas. Este dado sublinha a disparidade gritante na distribuição de bens e recursos em escala planetária.
No ano passado, o planeta registrou, pela primeira vez, mais de 3.000 bilionários, cujas fortunas somadas atingiram a impressionante marca de US$ 18,3 trilhões. Este valor representa um aumento de 16,2% em relação ao ano anterior, um crescimento três vezes mais rápido do que nos cinco anos precedentes. Em contrapartida, a redução da pobreza tem desacelerado desde 2020.
A Oxfam argumenta que esse acúmulo sem precedentes de riqueza confere aos ultrarricos um poder desproporcional, permitindo-lhes influenciar instituições, controlar meios de comunicação e moldar narrativas. Essa influência, segundo a organização, **mina a liberdade política e corrói os direitos da maioria da população**, criando um ciclo vicioso de concentração de poder e privilégios.
Influência Política e Domínio da Mídia
O relatório da Oxfam destaca que os ultrarricos possuem uma probabilidade cerca de 4.000 vezes maior de ocupar cargos políticos em comparação com cidadãos comuns. Os Estados Unidos são citados como um exemplo proeminente dessa influência, especialmente durante a administração de Donald Trump, que contava com diversos bilionários em seu governo. A ONG ressalta que, nos EUA, **uma política apoiada pelos mais ricos tem 45% de chance de ser adotada**, enquanto a oposição deles reduz essa probabilidade para 18%.
Layla Abdelké Yakoub, representante da Oxfam, aponta o envolvimento de bilionários como Elon Musk nas eleições americanas, onde estima-se que **1 em cada 6 dólares gastos em campanhas políticas em 2024 vieram de doadores bilionários**. Essa influência se estende ao controle da mídia, redes sociais e inteligência artificial, ferramentas cada vez mais cruciais na formação da opinião pública e na arena política.
Protestos em Davos e Críticas ao Fórum Econômico
O Fórum Econômico em Davos, que reúne a elite econômica e política global, foi palco de protestos. Manifestantes, incluindo a Juventude Socialista Suíça, expressaram descontentamento com a concentração de poder e a falta de legitimidade democrática nas decisões tomadas no evento. Cartazes com máscaras de figuras como Elon Musk e políticos americanos chamaram a atenção, em um ato contra o que consideram um espaço para legitimar ações questionáveis.
Nathalie Ruoss, vice-presidente da Juventude Socialista, criticou o fórum como um local onde os mais poderosos decidem o futuro sem representação democrática. A presença de figuras como Donald Trump foi considerada inaceitável por alguns, pois tenderia a **legitimar suas ações e discursos**. A organização denuncia que as desigualdades econômicas e políticas aceleram a erosão de direitos e segurança de forma alarmante.
Propostas da Oxfam para um Futuro Mais Justo
Diante desse cenário, a Oxfam propõe medidas para limitar o poder dos ultrarricos, incluindo a **tributação efetiva de suas fortunas** e a proibição do financiamento de campanhas políticas por esses indivíduos. A organização alerta que a persistência dessas desigualdades pode levar a respostas autoritárias e violentas, como o uso de plataformas digitais para perseguir críticos do governo, questionando até onde alguns governos estão dispostos a ir para proteger os interesses dos mais ricos.
O relatório também menciona que as políticas implementadas durante a presidência Trump beneficiaram os mais ricos globalmente. A ONG enfatiza a necessidade de ações concretas para **reduzir a concentração de riqueza e fortalecer a democracia**, garantindo que o desenvolvimento econômico beneficie a todos e não apenas a uma pequena elite.