Febre do Ouro: Economista SÉRGIO VALE ALERTA que alta recorde do metal é sintoma de economia doente e sem remédio, como em 1971

Ouro atinge valor histórico e economista compara alta a “febre” de sistema econômico sem cura. Entenda os motivos.

O preço do ouro superou a marca de US$ 5.500 pela primeira vez, um feito inédito que acende um sinal de alerta no cenário econômico global. A valorização expressiva do metal precioso está sendo comparada por especialistas a uma resposta biológica do organismo diante de uma infecção grave no sistema financeiro.

Essa “febre do ouro”, como a descreveu o economista Sérgio Vale, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, exige uma análise profunda para identificar as causas subjacentes. A analogia com uma doença sugere que o mercado busca refúgio em um ativo considerado seguro diante da instabilidade.

Diferentemente de crises anteriores, o cenário atual é marcado por uma profunda desorganização nas instituições americanas e tensões geopolíticas sem precedentes, especialmente sob a presidência de Donald Trump. Essa conjuntura levanta dúvidas sobre a eficácia das ferramentas econômicas tradicionais.

De acordo com Sérgio Vale, em entrevista ao podcast O Assunto, o problema desta vez pode não ter uma solução clara. Ele relembra que em crises passadas, como nos anos 70, existiam “remédios” que funcionaram, mas hoje a situação parece mais complexa, conforme informação divulgada pelo g1.

O fantasma de 1971 e o fim do padrão ouro-dólar

A comparação com o passado não é por acaso. O economista Paul Volcker, figura central na reformulação da ordem monetária internacional, desmontou o sistema ouro-dólar em 1971. Naquela época, os Estados Unidos encerraram unilateralmente a conversibilidade do dólar em ouro, marcando o início do regime de câmbio flutuante.

A decisão de Volcker, em 15 de agosto de 1971, permitiu que o valor das moedas fosse determinado pelo mercado, sem o controle rígido dos governos. A partir daí, as moedas antes atreladas ao dólar e, indiretamente, ao ouro, passaram a flutuar livremente, alterando a dinâmica econômica mundial.

Causas da “febre do ouro” sob a gestão Trump

A atual escalada do ouro é impulsionada por uma combinação de fatores políticos e fiscais, com destaque para as ações do governo de Donald Trump. A incerteza política e institucional é um dos principais motores, com ataques diretos à independência do Federal Reserve (Fed) e processos contra diretores do banco central americano, gerando significativa instabilidade.

Outro ponto crucial é a crise fiscal nos EUA. Uma política fiscal mal desenhada tem resultado em grandes déficits e semeado dúvidas sobre a capacidade de ajuste do Congresso americano. Essa fragilidade fiscal incentiva a busca por ativos de refúgio, como o ouro.

As tensões geopolíticas também desempenham um papel importante. Disputas comerciais com a China e ameaças erráticas contra países da OTAN, como a menção de tomar a Groenlândia, pressionam os mercados e aumentam a aversão ao risco, favorecendo o ouro.

Indicação para o Fed: um alívio temporário para o mercado

Em meio a esse cenário, Donald Trump indicou o economista Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve, em substituição a Jerome Powell. A nomeação, que ainda precisa ser aprovada pelo Senado, foi vista com bons olhos pelo mercado. Warsh é considerado favorável a juros mais baixos, mas menos radical que outros nomes cogitados.

Como resultado, o dólar ganhou força e ativos alternativos, como o ouro, registraram uma queda de 3,7%. No entanto, essa reação pode ser apenas temporária, diante dos desafios estruturais que continuam a pairar sobre a economia global e a persistência dos fatores que alimentam a “febre do ouro”.

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