FBI invade casa de repórter do Washington Post, apreendendo seus dispositivos eletrônicos em busca de informações confidenciais.
Agentes do FBI realizaram uma busca na residência da jornalista do Washington Post, Наташа Натансон, apreendendo seus dispositivos eletrônicos. A ação, descrita como extraordinária e agressiva, levanta sérias preocupações sobre as proteções constitucionais para o trabalho jornalístico nos Estados Unidos.
Segundo o editor executivo do jornal, Matt Murray, nem Natanson nem o Washington Post são alvos da investigação em curso. A apuração estaria relacionada a um prestador de serviços do governo acusado de reter ilegalmente materiais sigilosos.
A jornalista já havia publicado um artigo em dezembro relatando sua experiência em cobrir o governo federal, descrevendo o ritmo intenso de contatos de fontes oficiais frustradas com as políticas vigentes. A busca em sua casa intensifica o debate sobre a segurança de fontes e a liberdade de imprensa.
As informações foram divulgadas pelo New York Times, que também destacou que a ação levanta questões sobre a normalização de práticas vistas em regimes menos democráticos. Acompanhe os detalhes desta preocupante ocorrência.
Investigação Foca em Prestador de Serviços e Vazamento de Dados Sigilosos
As alegações dos promotores centram-se em Aurelio Perez-Lugones, um prestador de serviços do governo. Ele é acusado de ter feito capturas de tela de relatórios de inteligência confidenciais e de ter impresso esses documentos. A descoberta de materiais marcados como “secretos” em seu carro e em seu porão, conforme depoimento do FBI, reforça a gravidade da investigação.
O Departamento de Justiça, durante o governo Trump, já havia manifestado uma postura firme contra vazamentos ilegais de informações confidenciais, argumentando que tais atos representam um grave risco à segurança nacional. A declaração de Bondi no X, anteriormente Twitter, ressalta essa posição.
Preocupações com a Liberdade de Imprensa e o Futuro do Jornalismo Investigativo
Especialistas em liberdade de imprensa, como Jameel Jaffer, diretor executivo do Knight First Amendment Institute, alertam que buscas em redações e residências de jornalistas são características de regimes não liberais. Ele enfatiza a importância de garantir que tais práticas não se tornem normais nos Estados Unidos.
O histórico do ex-presidente Trump com a mídia inclui diversas ações judiciais contra veículos de comunicação, como BBC, The New York Times e The Wall Street Journal. Essa postura antagônica pode ter influenciado a percepção sobre a relação entre o poder e a imprensa.
Gabe Rottman, do Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa, aponta que, embora promotores já tenham recorrido à justiça para obter informações de repórteres no passado, a invasão da casa de um jornalista e a apreensão de seus dispositivos eletrônicos são ações raras. Existe o receio de que isso possa dar acesso a material sensível alheio à investigação principal, inibindo a coleta de notícias de fontes confidenciais.