Europa Ameaça EUA com Tarifas de € 93 Bilhões Contra Trump Após Tensão na Groenlândia

UE avalia retaliação de € 93 bilhões em tarifas contra os EUA após ameaça de Trump à Groenlândia

Líderes da União Europeia se reuniram em caráter de emergência para discutir uma resposta conjunta às crescentes tensões diplomáticas e militares no Ártico. A reunião, convocada em Bruxelas, buscou alinhar uma estratégia comum após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor tarifas contra países europeus em relação à Groenlândia.

A possibilidade de impor tarifas que somam € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) aos Estados Unidos ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco europeu surge como uma forte resposta às declarações de Trump. Essas medidas de retaliação estão sendo desenhadas para fortalecer o poder de barganha europeu em futuros encontros, segundo o Financial Times.

A crise diplomática se intensificou após Trump manifestar o interesse dos EUA na Groenlândia, território semiautônomo pertencente à Dinamarca. O governo dinamarquês já declarou que não está disposto a negociar sua soberania sobre a ilha, considerada estratégica pelos Estados Unidos devido à sua localização e reservas minerais.

A União Europeia classificou a ameaça de Trump como uma “perigosa escalada” e reafirmou seu apoio à soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia. Em resposta, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região ártica, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês. O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.

Risco de Escalada e Busca por Solução Diplomática

As medidas tarifárias da UE, que já estavam prontas desde o ano passado e haviam sido suspensas, voltaram a ser discutidas neste domingo. Além das tarifas, o bloco também debateu o uso do chamado instrumento anticoerção, uma ferramenta criada para permitir que a UE responda a pressões econômicas de outros países que visam forçar decisões políticas. Este instrumento autoriza a UE a adotar medidas de retaliação comercial, como tarifas ou restrições a empresas estrangeiras, funcionando como um recurso de último caso focado em dissuasão.

Apesar da forte reação, os governos europeus buscam uma solução intermediária que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, vista como uma ameaça existencial à segurança europeia. Autoridades da União Europeia alertaram que o uso de tarifas como instrumento de pressão pode prejudicar as relações transatlânticas e enfraquecer a cooperação entre aliados.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco permanecerá “unido e coordenado” na defesa de sua soberania. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, destacou que divisões internas beneficiariam rivais estratégicos como Rússia e China. O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, declarou: “Não nos deixaremos chantagear”.

Apoio Europeu e Protestos Populares

Em um comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda expressaram seu compromisso com a defesa da Groenlândia e o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da OTAN. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, alertou que a ordem mundial e o futuro da aliança da OTAN estão em risco diante das ameaças tarifárias de Trump.

A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague para criticar a intenção de Trump de anexar o território. O presidente americano, no entanto, reitera que os EUA precisam da ilha e que não confia na Dinamarca para protegê-la. Ele não descartou o uso da força, elevando o alerta entre aliados europeus.

OTAN e a Segurança no Ártico

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, informou ter conversado com Donald Trump sobre a situação de segurança na Groenlândia e no Ártico, afirmando que continuarão trabalhando na questão e esperando encontrá-lo em Davos. A OTAN tem presença constante na região e realiza exercícios militares frequentemente. Em setembro de 2025, a Dinamarca realizou um exercício com aliados da OTAN ao redor da Groenlândia, envolvendo mobilização por ar, mar e terrestre.

Em março de 2024, Noruega, Suécia e Finlândia realizaram treinamentos no norte da Noruega. A OTAN prevê dois exercícios militares no Ártico em 2026, ambos na costa da Noruega. Apesar da Rússia protestar contra a presença da OTAN no Ártico, a aliança militar reforça sua atuação na região, buscando garantir a estabilidade e a segurança.

O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou as ameaças de tarifas como inaceitáveis, afirmando que a Europa não cederá a intimidações e responderá de forma unida e coordenada. Segundo informações da Bloomberg, Macron deve pedir a ativação do instrumento anticoerção da União Europeia, uma ferramenta inédita do bloco. O presidente do Conselho Europeu, Antóntio Costa, reiterou que a UE será firme na defesa do direito internacional.

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