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Secretário do Tesouro dos EUA Pede Calma à Europa em Davos: ‘Não Revidem’ à Groenlândia e Tarifas de Trump

Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA, apela por moderação europeia em Davos diante de tensões com Trump.

O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, dirigiu um apelo contundente aos líderes europeus presentes no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, nesta terça-feira (20). Ele solicitou que os países da Europa evitem qualquer tipo de retaliação em resposta às recentes declarações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia e a imposição de tarifas.

Bessent enfatizou a necessidade de uma abordagem mais ponderada, pedindo calma e que os aliados mantenham a mente aberta sobre as estratégias americanas. A declaração surge em um contexto de crescente tensão entre Washington e a União Europeia, acentuada pela visão de Trump sobre a Groenlândia como um território estratégico para a segurança dos EUA.

Adicionalmente, o presidente americano anunciou a aplicação de uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus, com vigência a partir de fevereiro de 2026. Apesar das reações imediatas de líderes europeus, que reafirmaram o apoio à soberania dinamarquesa sobre a ilha, Bessent buscou minimizar o risco de um rompimento diplomático.

O Secretário do Tesouro afirmou que o governo americano mantém o compromisso com o diálogo e que o uso de tarifas deve ser interpretado como uma ferramenta de negociação estratégica, e não como um ataque direto aos parceiros europeus. Ele destacou que essa tática tem se mostrado eficaz para engajar países em discussões sobre temas de interesse mútuo. As informações foram divulgadas com base no conteúdo fornecido.

Europa é Convocada a Aumentar Gastos com Defesa na OTAN

Em sua participação no Fórum de Davos, Scott Bessent também abordou a solidez da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mas reiterou críticas aos baixos investimentos europeus em defesa. Segundo ele, os Estados Unidos têm arcado com uma parcela desproporcional dos custos militares da aliança ao longo das décadas.

Bessent apresentou dados que evidenciam essa disparidade, afirmando que, desde 1980, os EUA investiram aproximadamente US$ 22 trilhões a mais em defesa do que todos os outros países da OTAN somados. Ele defende que chegou o momento de os europeus assumirem uma contribuição maior para a segurança coletiva.

Mercados Globais Reagem a Fatores Locais, segundo Bessent

O Secretário do Tesouro dos EUA procurou afastar preocupações sobre um impacto financeiro imediato decorrente da disputa em torno da Groenlândia. Bessent avalia que as recentes flutuações nos mercados globais são reflexo de fatores locais e não estão diretamente ligadas às declarações do governo americano sobre o território ártico.

Líderes Europeus Reagem com Firmeza à Ameaça de Tarifas

Previamente, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já havia se posicionado, declarando que a soberania da Groenlândia é inegociável. Ela também classificou a ameaça de tarifas por parte dos EUA como equivocada, reforçando a posição europeia de defesa da integridade territorial e soberania.

Bessent Critica Participação de Powell em Audiências da Suprema Corte

Em uma declaração separada, Scott Bessent expressou sua opinião sobre a participação do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, em audiências da Suprema Corte. As audiências tratam da tentativa do presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook, uma das diretoras do banco central americano.

Bessent considera a presença de Powell um erro, argumentando que tal ato pode ser interpretado como uma tentativa de influenciar o processo judicial e, consequentemente, politizar o Fed. Ele acredita que isso vai contra o objetivo de manter a independência da instituição. A Suprema Corte deve analisar os argumentos sobre a tentativa de Trump de destituir Cook, que permanece no cargo até uma decisão definitiva da justiça.

Parlamento Europeu Prepara Congelamento de Acordo Comercial com EUA Após Ameaças Tarifárias de Trump sobre Groenlândia

Parlamento Europeu em Rumo de Congelar Acordo Comercial com EUA em Resposta a Trump

A União Europeia está prestes a congelar o acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado. A decisão surge como uma retaliação às recentes ameaças do presidente americano, Donald Trump, que condicionou a manutenção do tratado à aceitação da compra da Groenlândia pelos EUA.

Líderes parlamentares europeus indicaram nesta terça-feira (20) que há um consenso entre os grupos políticos para a suspensão do acordo. A medida, que deve ser formalizada nesta quarta-feira (21), visa responder diretamente às declarações de Trump sobre a imposição de tarifas.

O presidente americano ameaçou aplicar uma tarifa de 10% sobre mercadorias de oito países europeus caso se oponham ao plano de aquisição da ilha. A medida, segundo Trump, entraria em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2026, com um aumento para 25% em 1º de junho de 2026.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a soberania da Groenlândia como “inviolável” e alertou que qualquer pressão ou tarifa entre os blocos seria um “erro estratégico”. A informação sobre o acordo para a votação formal foi divulgada pelo g1.

França Classifica Ações de Trump como “Chantagem”

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, descreveu a estratégia americana como “chantagem”. Segundo ele, as ameaças tarifárias estão sendo utilizadas para forçar “concessões injustificáveis”, e o país apoia a suspensão do acordo comercial.

Barrot destacou que a Comissão Europeia possui “instrumentos muito poderosos” para responder às ações de Washington. O acordo comercial, originalmente firmado em julho do ano passado, previa a imposição de tarifas de 15% pelos EUA sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a UE concordaria em reduzir algumas de suas taxas sobre importações americanas.

Congelamento do Acordo Abre Porta para Retaliações da UE

Caso o acordo seja efetivamente suspenso pelo Parlamento Europeu, a União Europeia poderá reavaliar a imposição de tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos. Essas tarifas poderiam chegar a 93 bilhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 580 bilhões, além de possíveis restrições de acesso de empresas americanas ao mercado europeu.

O tratado, que estava previsto para entrar em vigor entre março e abril deste ano após aprovação formal, agora enfrenta um futuro incerto. A decisão europeia reflete a crescente tensão nas relações transatlânticas, exacerbada pela ambição de Trump em adquirir a Groenlândia.

Groenlândia é Alvo Estratégico e Motivador de Tensão

A Groenlândia tem sido alvo de crescente interesse por parte de Donald Trump. A ilha ártica é considerada uma rota marítima estratégica para o comércio global e uma fonte potencial de exploração de matérias-primas críticas.

Além disso, Trump vê a Groenlândia como crucial para a construção do “Domo de Ouro”, um escudo antimísseis que ele deseja erguer para proteger os Estados Unidos. Ele expressou preocupação de que, caso os EUA não adquiram a ilha, a Rússia ou a China possam fazê-lo, o que ele considera inaceitável.

Países Europeus Reforçam Segurança e Apoio à Groenlândia

Em resposta às declarações de Trump, diversos países europeus anunciaram o reforço da segurança na região da Groenlândia. Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda emitiram um comunicado conjunto reafirmando seu compromisso com a defesa da ilha e o fortalecimento da segurança no Ártico, no âmbito da OTAN.

O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu. A crise diplomática também gerou protestos populares, com milhares de pessoas se manifestando na Groenlândia e em Copenhague contra a intenção de anexação territorial anunciada por Trump.