Arquivo da categoria: Economia

Regulação de Apps: Governo Avança com Proposta de Remuneração Mínima e Marca Reunião Crucial com Arthur Lira

Governo Define Próximos Passos para Regulamentar Trabalho em Aplicativos

O governo federal está intensificando os esforços para criar um marco regulatório para os trabalhadores de aplicativos de transporte e entrega. Um grupo de trabalho dedicado ao tema apresentará, em até 10 dias, um relatório com propostas concretas para garantir direitos a essa nova classe trabalhadora.

A iniciativa busca consolidar diretrizes que orientarão a atuação do Executivo e servirão de base para um projeto de lei a ser debatido no Congresso Nacional. A expectativa é que as definições contribuam para a segurança e a dignidade dos profissionais que dependem dessas plataformas.

O objetivo principal é estabelecer regras claras que beneficiem tanto os trabalhadores quanto as empresas, promovendo um ambiente de trabalho mais justo e sustentável. A regulamentação é vista como um passo fundamental para a modernização das leis trabalhistas no país.

A matéria ganhou ainda mais relevância com a proximidade do período eleitoral, onde a atenção aos direitos dos trabalhadores de aplicativo tende a aumentar. Conforme informação divulgada pela Secretaria-Geral da Presidência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva delegou ao ministro Guilherme Boulos a tarefa de construir alternativas para garantir direitos a esses profissionais.

Eixos Centrais da Proposta de Regulamentação

O plano do governo para a regulamentação do trabalho por aplicativos se baseia em três eixos centrais. O primeiro deles é a **fixação de uma remuneração mínima por entrega ou corrida**, estabelecendo um limite para o percentual que as plataformas podem reter. Essa medida visa garantir que o trabalho seja mais rentável para os profissionais.

O segundo eixo foca na **transparência dos algoritmos**. É fundamental que os trabalhadores entendam como os valores pagos são definidos, evitando surpresas e garantindo uma relação mais clara com as empresas. A falta de clareza nesses processos tem sido uma reclamação recorrente.

Por fim, o terceiro pilar é a **garantia de acesso à Previdência Social**. A proposta prevê uma contribuição majoritariamente patronal para que os trabalhadores tenham acesso a benefícios como aposentadoria e auxílio-doença, proporcionando maior segurança em momentos de necessidade.

Grupo de Trabalho e Próximos Passos

O grupo de trabalho, coordenado pelo ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), conta com a participação de representantes de entregadores, motoristas de aplicativo e dos ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A reunião mais recente ocorreu no Palácio do Planalto.

O relatório a ser apresentado em breve servirá de subsídio para um projeto de lei que já tramita na Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). Além disso, o documento poderá indicar iniciativas que o próprio governo federal poderá adotar diretamente.

Reunião Estratégica com o Presidente da Câmara

Após a divulgação do relatório, o ministro Guilherme Boulos e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, planejam se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Republicanos-PB). A expectativa é que este encontro ocorra na primeira semana de fevereiro.

O objetivo da reunião com Arthur Lira é **alinhar o conteúdo da proposta** e buscar um caminho para a tramitação ágil do projeto de lei. O documento elaborado pelo grupo de trabalho será uma das bases levadas pelo governo para a negociação do texto final, buscando um consenso que atenda aos interesses de todos os envolvidos na regulamentação do trabalho por aplicativos.

Anac Propõe Novas Regras para Voos: Menos Ações na Justiça e Mais Clareza para Passageiros

Anac quer regras mais específicas para diminuir judicialização no setor aéreo

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está empenhada em reformular as normas que regem os direitos e deveres de passageiros e companhias aéreas. O objetivo principal é tornar as regras mais claras e específicas, visando diminuir o alto índice de ações judiciais no setor. O Brasil é o país que lidera mundialmente em processos contra empresas de aviação.

A proposta da Anac foca em detalhar os procedimentos em situações de atrasos ou cancelamentos de voos causados por imprevistos que fogem do controle das companhias, como condições meteorológicas adversas. A ideia é atualizar a Resolução nº 400, um marco na regulamentação dos direitos e deveres no transporte aéreo, buscando uniformizar a aplicação das normas e proporcionar maior segurança jurídica para todos os envolvidos.

Atualmente, o Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA) já estabelece que, em casos de força maior ou fortuito, as companhias aéreas não são civilmente responsáveis por atrasos ou cancelamentos. No entanto, a Anac entende que a atualização da resolução trará maior detalhamento sobre como essas situações devem ser tratadas na prática, evitando ambiguidades e, consequentemente, reduzindo a necessidade de recorrer ao Judiciário.

A proposta, que será submetida a consulta pública, busca deixar mais claros os direitos e deveres de cada parte. A agência ressalta que, mesmo com as mudanças, os passageiros continuarão com a prerrogativa de buscar a Justiça caso considerem seus direitos violados. Conforme informação divulgada pela agência, o Brasil concentra mais de 90% das ações judiciais contra companhias aéreas no mundo, apesar de representar cerca de 3% do tráfego aéreo global. “A modernização das regras é uma das medidas para reduzir a judicialização no setor. Nunca vamos retirar direitos do passageiro”, afirmou o diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein.

Entendendo os Imprevistos: O que são Casos de Força Maior ou Fortuito?

O Código Brasileiro de Aeronáutica define como eventos de força maior ou fortuito, entre outras situações, aquelas que estão fora do controle das companhias aéreas. Isso inclui restrições impostas por condições meteorológicas desfavoráveis para voo, pouso ou decolagem, a indisponibilidade de infraestrutura nos aeroportos, determinações de órgãos públicos de aviação civil ou de outras esferas da administração pública, e até mesmo a decretação de pandemias ou atos governamentais que restrinjam o transporte aéreo.

Assistência Material Garantida em Casos de Espera

Mesmo diante de imprevistos que causem atrasos, as companhias aéreas mantêm a obrigação de oferecer assistência material gratuita aos passageiros, de acordo com o tempo de espera no aeroporto. A partir de uma hora de espera, o passageiro tem direito à comunicação, como acesso à internet ou ligações telefônicas. Após duas horas, a assistência se estende à alimentação, com a oferta de vouchers, refeições ou lanches. Se o tempo de espera ultrapassar quatro horas e for necessário pernoite, a companhia deve prover hospedagem e transporte de ida e volta.

Mudanças Propostas na Assistência e Comunicação

No texto em discussão, a Anac propõe a retirada da previsão do direito à comunicação por se considerar a medida obsoleta. As demais formas de assistência material, como alimentação e hospedagem, serão mantidas. A agência busca, com isso, adequar as normas à realidade atual, onde o acesso à comunicação é mais amplo. A proposta também prevê que os passageiros recebam informações claras e objetivas sobre os motivos do atraso, o novo horário previsto para o voo, as opções de reacomodação e as orientações para acesso à assistência material, com a comunicação centralizada em canais de fácil acesso.

O Impacto da Judicialização e os Objetivos da Anac

A elevada taxa de judicialização no setor aéreo brasileiro é um dos principais focos da Anac. A agência acredita que a modernização e a clareza das regras são fundamentais para reverter esse quadro. A proposta visa, portanto, não apenas otimizar os processos internos das companhias e a experiência dos passageiros, mas também aliviar o sistema judiciário. A intenção é que as normas sejam tão claras que a necessidade de disputas legais se torne significativamente menor, promovendo um ambiente mais previsível e justo para todos.