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Will Bank em Liquidação: App Congelado, Cobrança de Cartão e Dúvidas de Clientes Sobre Dinheiro

Will Bank tem atividades interrompidas pelo Banco Central; saiba o que fazer se for cliente

O aplicativo do Will Bank está operando de forma limitada, impedindo a realização de transações como PIX, transferências e pagamentos. Apesar do bloqueio nas operações, clientes relatam que a visualização de saldos, limites e faturas do cartão de crédito continua disponível, gerando preocupação com a cobrança de dívidas em meio à instabilidade.

A situação se agravou após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pela Will Financeira, do grupo Banco Master. Essa medida impacta diretamente os serviços digitais oferecidos pela instituição, deixando muitos usuários sem acesso aos seus fundos e serviços.

Clientes como Cassandra Mendes, que utiliza o banco há dois anos, expressam frustração por não conseguir utilizar o dinheiro disponível na conta para quitar a fatura do cartão. Ela conseguiu pagar a fatura de dezembro, mas a de janeiro permanece em aberto, gerando incerteza sobre como proceder.

O cenário é compartilhado por outros usuários, que desde terça-feira (20) relatavam instabilidades no aplicativo. O Downdetector registrou centenas de notificações de erro, com um pico após o anúncio da liquidação, conforme apurado pelo g1. A impossibilidade de realizar compras e transferências via PIX, mesmo com limite aparente no app, tem sido um dos principais transtornos.

Entenda a Liquidação e o que acontece com seu dinheiro

A liquidação extrajudicial do Will Bank significa que as atividades da instituição financeira foram interrompidas e um liquidante, nomeado pelo Banco Central, será responsável por apurar os saldos e organizar os pagamentos. Os valores mantidos pelos clientes passam a integrar esse processo, e o acesso aos recursos não é imediato. O Banco Central não divulgou um prazo para a liberação dos fundos.

Para quem possuía dinheiro em conta ou aplicações elegíveis, há a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF. No entanto, o ressarcimento depende dos trâmites formais da liquidação e dos dados apurados pelo liquidante. O FGC recomenda que depositantes e investidores do Will Bank realizem o cadastro básico em seu aplicativo e aguardem as orientações sobre as próximas etapas.

Dívidas continuam válidas mesmo com o banco em liquidação

É fundamental que os clientes do Will Bank compreendam que a liquidação extrajudicial **não extingue automaticamente as dívidas contraídas**. Valores já lançados na fatura do cartão de crédito continuam sendo devidos e podem ser cobrados, com a incidência de juros e, em caso de inadimplência, a possibilidade de negativação do nome do cliente.

Advogados consultados pelo g1 explicam que, embora os recursos de clientes sejam garantidos pelo FGC até o teto de R$ 250 mil, a liberação dependerá do liquidante nomeado pelo Banco Central. Ele definirá a ordem de prioridade para os pagamentos, e o processo não ocorre de forma automática. Por isso, é crucial acompanhar as comunicações oficiais do Banco Central, do liquidante e do FGC.

O que fazer se você é cliente do Will Bank?

Diante da situação, especialistas recomendam que os consumidores que utilizavam o Will Bank como instituição financeira principal busquem alternativas e adotem providências essenciais. É importante acompanhar de perto as informações divulgadas pelos órgãos oficiais para entender os prazos e os procedimentos para o recebimento dos valores garantidos pelo FGC.

Evite tentar realizar novas movimentações ou transferências após o decreto de liquidação, pois tais atos podem ser bloqueados ou considerados inválidos. A recomendação é aguardar as diretrizes oficiais e manter a calma enquanto o processo de liquidação é conduzido pelo Banco Central.

Will Bank: FGC estima R$ 6,3 bilhões para ressarcir clientes após liquidação; saiba quem tem direito e como solicitar

FGC destina R$ 6,3 bilhões para cobrir prejuízos de clientes do Will Bank após liquidação

A liquidação extrajudicial do Will Bank, também conhecido como Will Financeira, promete impactar significativamente os cofres do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O órgão informou que estima um gasto de aproximadamente R$ 6,3 bilhões para restituir os clientes e investidores afetados pela decisão, com base em dados de novembro de 2025.

Este montante considerável visa cobrir os valores depositados e investidos por milhares de pessoas que confiaram suas economias à instituição financeira. A expectativa é que os pagamentos sigam o regulamento do FGC, utilizando as informações apuradas pelo liquidante nomeado pelo Banco Central para determinar os valores devidos a cada beneficiário.

No entanto, o FGC adverte que a situação pode ser mais complexa para alguns clientes, especialmente aqueles que já foram ressarcidos no caso do Banco Master. A relação entre o Will Bank e o Banco Master, que o adquiriu em 30 de agosto de 2024, pode levar à consolidação de valores por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de garantia de R$ 250 mil.

Conforme divulgado pelo FGC, clientes que já atingiram o limite máximo de R$ 250 mil em ressarcimentos anteriores relacionados ao Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, instituições pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, podem não ter direito a receber valores adicionais do FGC. A garantia do FGC é limitada por CPF ou CNPJ em todo o conglomerado.

Garantia preservada para clientes anteriores à aquisição pelo Banco Master

O FGC esclarece que os clientes que adquiriram produtos elegíveis à garantia do FGC antes da aquisição do Will Bank pelo Banco Master, em 30 de agosto de 2024, terão a sua garantia preservada. Essa distinção é crucial para determinar o direito ao recebimento dos valores.

Para os clientes que possuíam produtos em ambas as instituições financeiras após a data de aquisição, os valores serão consolidados. Isso significa que a soma de todos os depósitos e investimentos elegíveis em ambas as entidades será considerada, respeitando o limite máximo de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

O FGC enfatiza que, caso um credor já tenha recebido o valor limite de R$ 250 mil na liquidação de outras instituições do mesmo grupo, como o Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá direito a valores adicionais. Isso ocorre porque todas essas entidades integram o mesmo conglomerado financeiro.

Como solicitar a garantia do FGC: passo a passo

Embora não haja um prazo legal definido para o início dos pagamentos, o FGC informa que, em liquidações anteriores, o processo teve início entre 30 e 60 dias após o decreto. O processo para solicitar a garantia é totalmente digital. Pessoas físicas devem utilizar o aplicativo do FGC, disponível para download.

Após baixar o aplicativo, é necessário completar o cadastro com dados básicos como nome completo, CPF e data de nascimento. A opção de solicitar o pagamento da garantia só ficará disponível após o envio, pelo liquidante, da lista consolidada de credores e valores devidos ao FGC.

Posteriormente, será preciso informar uma conta bancária de titularidade para receber os recursos, realizar validação biométrica e, se necessário, enviar documentos adicionais. Para pessoas jurídicas, o representante legal da empresa deve realizar a solicitação através do Portal do Investidor no site do FGC, seguindo um passo a passo enviado por e-mail.

Valores excedentes e o processo de liquidação

É importante ressaltar que o valor que exceder o limite de cobertura do FGC, de R$ 250 mil, permanece sujeito ao processo de liquidação do Will Bank. Nesses casos, o credor se torna um credores quirografários na massa falida, o que significa que não há garantia de recebimento integral dos valores que ultrapassam o limite garantido pelo FGC.

O FGC recomenda que depositantes e investidores do Will Bank realizem o cadastro básico em seu aplicativo e fiquem atentos às notificações oficiais. Assim que a base consolidada de credores for enviada pelo liquidante, o Fundo divulgará todas as instruções necessárias para a solicitação da garantia em seus canais oficiais.

O pagamento, uma vez aprovado, é efetuado em até 48 horas úteis, diretamente na conta do credor. O FGC também informa que, em casos de pagamentos a inventariantes ou espólios, o contato será feito diretamente com os beneficiários, não sendo possível realizar a solicitação pelo aplicativo.