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BRB em Busca de Solução Bilionária: Empréstimo, Aporte de Acionistas e Imóveis do DF em Pauta para Cobrir Rombo com Master

O Banco de Brasília (BRB) está em processo de elaboração de um plano de capitalização para cobrir um possível rombo bilionário decorrente de negociações com o Banco Master. Entre as alternativas em estudo, o banco considera a possibilidade de contrair um empréstimo ou solicitar aportes de seus acionistas e controladores. A situação exige agilidade, pois o BRB tem até março para apresentar uma proposta detalhada que precisará da aprovação do Banco Central e, possivelmente, da Câmara Legislativa do DF.

As estimativas sobre o valor total necessário para cobrir as perdas ultrapassam os R$ 3 bilhões, conforme apurado pela TV Globo. A complexidade do caso se intensifica com a investigação do Ministério Público, que vê indícios de gestão fraudulenta nas transferências realizadas entre o BRB e o Banco Master.

O governo do Distrito Federal, principal acionista do BRB com 71,92% do capital, já sinalizou a disposição em “socorrer” a instituição financeira, caso seja necessário. O governador Ibaneis Rocha tem reafirmado em diversas ocasiões que o DF possui patrimônio suficiente para tal. No entanto, qualquer medida que envolva a utilização de fundos públicos ou bens do Distrito Federal, como um fundo com imóveis do governo, precisará de chancela da Câmara Legislativa.

A crise entre os bancos teve início com a operação Compliance Zero, deflagrada em novembro. Na época, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado e posteriormente demitido. A Polícia Federal também investiga se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master, apurando falhas nos processos internos de análise e governança das operações.

Plano de Capitalização em Discussão

As opções em análise pelo BRB para sanar o déficit financeiro incluem, além de empréstimos e aportes de acionistas, a possibilidade de utilizar um fundo com imóveis do governo do Distrito Federal. Esta última medida, caso seja incluída no plano de capitalização, demandará aprovação tanto do Banco Central quanto da Câmara Legislativa do DF. A transparência e a conformidade dos procedimentos são cruciais para a aprovação final.

Investigação sobre Operações com Master

O cerne da questão reside nas operações financeiras entre o BRB e o Banco Master. Entre 2024 e 2025, o BRB aportou cerca de R$ 16,7 bilhões no Master. Posteriormente, o BRB tentou adquirir parte significativa do Master em 2025, uma operação que, apesar do apoio do governo do DF, foi barrada pelo Banco Central. A Polícia Federal investiga a possibilidade de aquisição de carteiras de crédito de alto risco, focando em possíveis falhas nos processos de análise e aprovação.

Papel do Governo do DF como Controlador

O governo do Distrito Federal, como acionista controlador do BRB, desempenha um papel fundamental na resolução desta crise. A declaração do governador Ibaneis Rocha sobre a capacidade do DF em prover o suporte financeiro necessário demonstra a seriedade com que a situação está sendo tratada. A articulação entre o banco, o governo distrital e os órgãos reguladores é essencial para a recuperação da estabilidade financeira do BRB.

Prazos e Aprovações Necessárias

O cronograma estabelecido é apertado, com o BRB tendo até março para apresentar seu plano de recuperação ao Banco Central. A validação deste plano é um processo rigoroso que envolve análises detalhadas dos órgãos reguladores. A necessidade de aprovação pela Câmara Legislativa do DF adiciona mais uma camada de complexidade, exigindo negociação e consenso político para a viabilização das medidas propostas.

Ibovespa Dispara Acima dos 175 Mil Pontos com Fluxo Estrangeiro e Dólar Cai a R$ 5,28 com Alívio Global

Ibovespa Alcança Novo Recorde Histórico Impulsionado por Capital Estrangeiro e Dólar Recua para R$ 5,28

A bolsa de valores brasileira, representada pelo Ibovespa, atingiu um marco histórico nesta quinta-feira (22), fechando pela primeira vez acima dos 175 mil pontos. O principal índice da bolsa avançou expressivos 2,20%, encerrando o pregão aos 175.589 pontos, o que representa o quinto recorde de fechamento em 2026. Na máxima do dia, o índice chegou a superar a marca dos 177 mil pontos.

Paralelamente, a moeda americana apresentou uma forte desvalorização frente ao real. O dólar recuou 0,67%, sendo cotado a R$ 5,2840, o menor valor registrado desde 11 de novembro. Essa movimentação positiva nos mercados financeiros brasileiros é atribuída, em grande parte, à contínua entrada de recursos estrangeiros no país.

O cenário internacional mais ameno, especialmente após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contribuiu significativamente para o otimismo. A redução das tensões globais favoreceu mercados emergentes, como o brasileiro, e impulsionou o desempenho das ações.

Conforme divulgado pelo g1, o avanço dos mercados foi impulsionado, mais uma vez, pela entrada de recursos estrangeiros no Brasil. O tom mais moderado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliviou as tensões externas e continuou favorecendo mercados emergentes, como o brasileiro.

Alívio nas Tensões Globais Beneficia Mercados

As bolsas globais registraram ganhos expressivos após Donald Trump descartar o uso de força militar para anexar a Groenlândia e suspender tarifas previstas para oito países europeus. Essas ações reduziram a percepção de risco nos mercados internacionais, criando um ambiente mais favorável para investimentos.

Um ponto crucial foi a reunião de Trump com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, onde, segundo o presidente americano, foi estabelecida uma estrutura para um futuro acordo relacionado à Groenlândia e à região do Ártico. Trump afirmou que essa solução seria positiva para os EUA e para todos os países da Otan, levando à decisão de recuar das tarifas impostas a países europeus.

No entanto, houve esclarecimentos posteriores. Rutte afirmou que o acordo não prevê cessão de soberania e apenas permite que membros da Otan intervenham no Ártico em caso de ameaças à segurança regional. A primeira-ministra dinamarquesa e a porta-voz da Otan também negaram discussões sobre soberania.

Ações de Peso Puxam o Ibovespa para Cima

A performance positiva do Ibovespa foi amplamente influenciada pela alta de ações de grande peso no índice. A Petrobras (PETR3) avançou 0,69%, enquanto a Vale (VALE3) registrou uma valorização de 0,58%. O setor financeiro também se destacou, com o Itaú (ITUB4) disparando 3,38%.

Esses desempenhos refletem a confiança dos investidores no cenário econômico atual e nas perspectivas futuras das empresas brasileiras, em um contexto de maior liquidez e menor aversão ao risco.

Dados Econômicos dos EUA Sinalizam Resiliência

Nos Estados Unidos, dados econômicos revisados apresentaram um quadro de resiliência. O índice de preços de gastos com consumo (PCE) mostrou uma alta de 2,8% no terceiro trimestre, com o núcleo do índice, que exclui itens voláteis como energia e alimentos, avançando 2,9%, ambos em linha com as leituras anteriores.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA avançou a uma taxa anualizada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, segundo a segunda estimativa divulgada pelo Departamento de Comércio. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego, divulgados na mesma semana, subiram apenas 1 mil na semana encerrada em 17 de janeiro, ficando abaixo do esperado por economistas.

Esses números, acompanhados pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, oferecem pistas sobre as decisões futuras de juros no país. A maioria dos analistas projeta que a taxa básica de juros permaneça inalterada na próxima reunião do Fed, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o que tende a manter o fluxo de investimentos para mercados emergentes.

Desempenho Semanal e Mensal dos Mercados

O Ibovespa acumula uma alta de 1,65% na semana e apresenta um resultado de -3,73% no mês e no ano. Em contrapartida, o dólar acumula uma valorização de +6,55% na semana, com ganhos de +8,98% no mês e no ano. Esses dados refletem a volatilidade recente e o impacto de fatores externos e internos no desempenho das moedas e da bolsa brasileira.