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FGC Inicia Pagamento de Garantias para 150 Mil Credores do Banco Master: Saiba Como Receber

Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começa a pagar R$ 40,6 bilhões a credores do Banco Master a partir desta segunda-feira, 19 de fevereiro.

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) anunciou que o pagamento de garantias para os credores do Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em dezembro de 2025, já teve início. Cerca de 150 mil pessoas e empresas já finalizaram o processo de solicitação e estão aptas a receber os valores devidos.

O prazo para que os interessados registrem seus pedidos de ressarcimento foi aberto no último sábado, 17 de fevereiro. As solicitações devem ser feitas pelo aplicativo do FGC para pessoas físicas, enquanto empresas precisam utilizar o site oficial do órgão. A expectativa é que o processo seja concluído com o menor número de contratempos possível, apesar de algumas instabilidades iniciais no sistema.

O FGC reitera a importância de que os credores fiquem atentos a possíveis tentativas de golpe. A comunicação oficial e os canais de atendimento são estritamente os definidos pelo órgão, como o aplicativo, telefone, e-mail e redes sociais. É fundamental que os investidores busquem informações apenas por esses meios para garantir a segurança de seus dados e recebimentos.

Este processo de pagamento de garantias abrange os Certificados de Crédito Bancário (CDBs) e outros produtos elegíveis, como RDBs, LCIs e LCAs, respeitando o limite de cobertura de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição financeira. Conforme divulgado pelo FGC, o valor total a ser pago em garantias é de R$ 40,6 bilhões, um montante ligeiramente inferior à estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.

Processo de Solicitação e Pagamento Facilitado

O FGC informou que, desde a abertura do prazo no sábado, o aplicativo tem operado com normalidade, processando milhares de pedidos por hora. Embora o volume de acessos simultâneos possa gerar alguma lentidão pontual, o sistema está funcionando. Os valores serão pagos à vista, em parcela única, o que significa que, por exemplo, um investidor com R$ 200 mil em CDBs do Banco Master receberá todo o montante de uma vez.

Entendendo o que é CDB e a Cobertura do FGC

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa onde o investidor empresta dinheiro a um banco em troca de juros. A remuneração pode ser pré-fixada ou pós-fixada. O FGC protege saldos de correntistas e investidores em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Essa cobertura se aplica a produtos como CDBs, RDBs, LCIs e LCAs.

É importante ressaltar que o FGC atua somente em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido mais os rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil. Se o saldo total, incluindo rendimentos, ultrapassar esse limite, o valor excedente deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo Banco Central.

Produtos Não Cobertos e Cuidados Essenciais

Investidores que aplicaram em produtos sem garantia do FGC, como debêntures, CRIs, CRAs, fundos de investimento e títulos emitidos fora do sistema de proteção, não terão direito à indenização automática. Nesses casos, o valor investido entra na fila de liquidação e sua recuperação dependerá da disponibilidade de recursos após o pagamento das obrigações prioritárias.

O Banco Master foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central, devido a problemas como alto custo de captação e exposição a investimentos de risco. Tentativas de venda da instituição não avançaram. O FGC possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025, garantindo a capacidade de honrar com os pagamentos devidos aos credores elegíveis.

Europa Ameaça EUA com Tarifas de € 93 Bilhões Contra Trump Após Tensão na Groenlândia

UE avalia retaliação de € 93 bilhões em tarifas contra os EUA após ameaça de Trump à Groenlândia

Líderes da União Europeia se reuniram em caráter de emergência para discutir uma resposta conjunta às crescentes tensões diplomáticas e militares no Ártico. A reunião, convocada em Bruxelas, buscou alinhar uma estratégia comum após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor tarifas contra países europeus em relação à Groenlândia.

A possibilidade de impor tarifas que somam € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) aos Estados Unidos ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco europeu surge como uma forte resposta às declarações de Trump. Essas medidas de retaliação estão sendo desenhadas para fortalecer o poder de barganha europeu em futuros encontros, segundo o Financial Times.

A crise diplomática se intensificou após Trump manifestar o interesse dos EUA na Groenlândia, território semiautônomo pertencente à Dinamarca. O governo dinamarquês já declarou que não está disposto a negociar sua soberania sobre a ilha, considerada estratégica pelos Estados Unidos devido à sua localização e reservas minerais.

A União Europeia classificou a ameaça de Trump como uma “perigosa escalada” e reafirmou seu apoio à soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia. Em resposta, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região ártica, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês. O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.

Risco de Escalada e Busca por Solução Diplomática

As medidas tarifárias da UE, que já estavam prontas desde o ano passado e haviam sido suspensas, voltaram a ser discutidas neste domingo. Além das tarifas, o bloco também debateu o uso do chamado instrumento anticoerção, uma ferramenta criada para permitir que a UE responda a pressões econômicas de outros países que visam forçar decisões políticas. Este instrumento autoriza a UE a adotar medidas de retaliação comercial, como tarifas ou restrições a empresas estrangeiras, funcionando como um recurso de último caso focado em dissuasão.

Apesar da forte reação, os governos europeus buscam uma solução intermediária que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, vista como uma ameaça existencial à segurança europeia. Autoridades da União Europeia alertaram que o uso de tarifas como instrumento de pressão pode prejudicar as relações transatlânticas e enfraquecer a cooperação entre aliados.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco permanecerá “unido e coordenado” na defesa de sua soberania. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, destacou que divisões internas beneficiariam rivais estratégicos como Rússia e China. O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, declarou: “Não nos deixaremos chantagear”.

Apoio Europeu e Protestos Populares

Em um comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda expressaram seu compromisso com a defesa da Groenlândia e o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da OTAN. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, alertou que a ordem mundial e o futuro da aliança da OTAN estão em risco diante das ameaças tarifárias de Trump.

A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague para criticar a intenção de Trump de anexar o território. O presidente americano, no entanto, reitera que os EUA precisam da ilha e que não confia na Dinamarca para protegê-la. Ele não descartou o uso da força, elevando o alerta entre aliados europeus.

OTAN e a Segurança no Ártico

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, informou ter conversado com Donald Trump sobre a situação de segurança na Groenlândia e no Ártico, afirmando que continuarão trabalhando na questão e esperando encontrá-lo em Davos. A OTAN tem presença constante na região e realiza exercícios militares frequentemente. Em setembro de 2025, a Dinamarca realizou um exercício com aliados da OTAN ao redor da Groenlândia, envolvendo mobilização por ar, mar e terrestre.

Em março de 2024, Noruega, Suécia e Finlândia realizaram treinamentos no norte da Noruega. A OTAN prevê dois exercícios militares no Ártico em 2026, ambos na costa da Noruega. Apesar da Rússia protestar contra a presença da OTAN no Ártico, a aliança militar reforça sua atuação na região, buscando garantir a estabilidade e a segurança.

O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou as ameaças de tarifas como inaceitáveis, afirmando que a Europa não cederá a intimidações e responderá de forma unida e coordenada. Segundo informações da Bloomberg, Macron deve pedir a ativação do instrumento anticoerção da União Europeia, uma ferramenta inédita do bloco. O presidente do Conselho Europeu, Antóntio Costa, reiterou que a UE será firme na defesa do direito internacional.