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Dólar Recua para R$ 5,36 com Tensão EUA-Europa sobre Groenlândia; Ibovespa Sobe Levemente

Dólar fecha em queda de 0,16% a R$ 5,36, enquanto Ibovespa avança 0,03% em dia de volatilidade

A moeda americana encerrou o pregão desta segunda-feira (19) cotada a R$ 5,3640, registrando uma desvalorização de 0,16%. Na bolsa de valores brasileira, o Ibovespa apresentou um leve avanço de 0,03%, fechando aos 164.849 pontos. A sessão foi influenciada por uma agenda econômica mais enxuta, mas marcada por tensões geopolíticas e ajustes nas projeções econômicas do Brasil.

Investidores acompanharam de perto os sinais vindos da política e do cenário de commodities. No Brasil, o Boletim Focus trouxe novas projeções para a economia em 2026, com uma leve redução na estimativa de inflação, mas um aumento na projeção da taxa Selic. Nos Estados Unidos, o feriado de Martin Luther King Jr. Day manteve o mercado à vista de ações fechado, diminuindo a liquidez global.

As negociações foram moldadas também por ruídos geopolíticos. Mercados europeus fecharam em queda devido às ameaças do presidente Donald Trump de impor tarifas adicionais a oito países europeus. Em resposta, a União Europeia avalia medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos americanos ou restrição ao acesso de empresas dos EUA ao bloco.

As preocupações com o Irã e a sucessão no Federal Reserve (Fed) também estiveram no radar dos investidores. Nesse contexto, o preço do petróleo Brent recuou levemente, enquanto o WTI registrou um pequeno avanço. As informações foram divulgadas em reportagens sobre o desempenho dos mercados financeiros, conforme apurado em fontes como o g1.

Tensões entre EUA e Europa dominam o cenário internacional

As relações entre Estados Unidos e Europa foram abaladas por ameaças de tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Em declarações nas redes sociais, Trump anunciou a intenção de aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos importados de oito países europeus, caso estes se oponham ao plano americano de adquirir a Groenlândia, território dinamarquês. Os países citados incluem Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

O anúncio prevê que a tarifa inicial de 10% entraria em vigor em fevereiro de 2026, com um aumento para 25% em junho do mesmo ano. Essas cobranças permaneceriam até que um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA fosse fechado. Essa medida gerou forte reação na Europa.

Em resposta às ameaças, países da União Europeia estão considerando medidas de retaliação. Entre as opções em discussão estão a aplicação de tarifas de € 93 bilhões, aproximadamente R$ 580 bilhões, sobre produtos americanos, ou a restrição do acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu. Essas informações foram divulgadas pelo jornal “Financial Times”.

Governos europeus buscam, no entanto, uma saída intermediária para evitar um rompimento mais profundo na aliança ocidental, avaliando que um desgaste prolongado nas relações com os EUA poderia representar uma séria ameaça à segurança da Europa. As tarifas de retaliação já estavam preparadas desde o ano passado, mas foram suspensas e voltaram à mesa de negociações com o novo anúncio de Trump.

Projeções econômicas no Brasil indicam inflação em queda e juros estáveis

No cenário doméstico, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), trouxe uma leve redução na previsão de inflação para 2026, caindo de 4,05% para 4,02%. As expectativas para os anos seguintes permaneceram estáveis, com projeções de 3,80% em 2027 e 3,50% para 2028 e 2029.

A taxa básica de juros, Selic, que encerrou 2025 em 15% ao ano, segundo projeções, deve ter uma redução ao longo do ano. Para o final de 2026, a expectativa foi mantida em 12,25% ao ano, indicando uma queda de 2,25 pontos percentuais em relação ao nível atual. A projeção para 2027 também se manteve em 10,50% ao ano.

Quanto à atividade econômica, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em 1,80%, um ritmo menor que os cerca de 2,25% estimados para 2025, sinalizando uma desaceleração econômica. Para o câmbio, os economistas mantiveram a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.

Mercados globais em compasso de espera com feriado nos EUA e dados asiáticos

Com o feriado de Martin Luther King Jr. Day nos Estados Unidos, os mercados em Wall Street permaneceram fechados. Na Europa, o clima foi de apreensão, com o índice pan-europeu STOXX recuando 1,23%. Bolsas como a de Londres (FTSE 100) caíram 0,39%, Frankfurt (DAX) recuou 1,34%, e Paris (CAC 40) apresentou a maior queda do dia, com perda de 1,78%.

Na Ásia, o movimento foi misto. A bolsa de Xangai subiu 0,29%, enquanto o CSI300 avançou 0,05%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,05%. No Japão, o Nikkei recuou 0,6%. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 1,32%, e o Taiex, de Taiwan, avançou 0,73%. O Straits Times, de Cingapura, caiu 0,51%. Os mercados asiáticos reagiram a dados de crescimento econômico mais fraco na China e a medidas do banco central chinês para estimular a economia.

Ministro da Fazenda propõe mudança na regulação de fundos de investimento

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os fundos de investimento, atualmente sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), deveriam passar a ser regulados e fiscalizados pelo Banco Central. Essa declaração ocorreu após a liquidação do Banco Master e da empresa gestora dos fundos da Reag, ambas determinadas pelo BC.

A proposta visa fortalecer a supervisão do sistema financeiro e garantir maior segurança aos investidores. A discussão sobre a alocação de responsabilidades regulatórias entre CVM e Banco Central ganha força em meio a eventos que afetam a estabilidade do mercado.

Fortuna de Bilionários Bate Recorde em 2025, Oxfam Alerta: Riqueza Extrema Mina Democracia e Aumenta Desigualdade Global

Oxfam revela que fortuna dos mais ricos atinge pico histórico em 2025, superando a metade mais pobre da humanidade e influenciando políticas públicas.

A fortuna dos bilionários alcançou um patamar recorde em 2025, intensificando a desigualdade e impactando negativamente a liberdade política, segundo o relatório anual “Resistir ao domínio dos mais ricos”, divulgado pela ONG Oxfam. O documento, lançado em paralelo ao início do Fórum Econômico em Davos, Suíça, lança um olhar crítico sobre o acúmulo de riqueza e suas consequências sociais e democráticas.

O relatório aponta um cenário alarmante: os 12 bilionários mais ricos do mundo detêm, juntos, mais riqueza do que a metade mais pobre da população global, o que equivale a aproximadamente quatro bilhões de pessoas. Este dado sublinha a disparidade gritante na distribuição de bens e recursos em escala planetária.

No ano passado, o planeta registrou, pela primeira vez, mais de 3.000 bilionários, cujas fortunas somadas atingiram a impressionante marca de US$ 18,3 trilhões. Este valor representa um aumento de 16,2% em relação ao ano anterior, um crescimento três vezes mais rápido do que nos cinco anos precedentes. Em contrapartida, a redução da pobreza tem desacelerado desde 2020.

A Oxfam argumenta que esse acúmulo sem precedentes de riqueza confere aos ultrarricos um poder desproporcional, permitindo-lhes influenciar instituições, controlar meios de comunicação e moldar narrativas. Essa influência, segundo a organização, **mina a liberdade política e corrói os direitos da maioria da população**, criando um ciclo vicioso de concentração de poder e privilégios.

Influência Política e Domínio da Mídia

O relatório da Oxfam destaca que os ultrarricos possuem uma probabilidade cerca de 4.000 vezes maior de ocupar cargos políticos em comparação com cidadãos comuns. Os Estados Unidos são citados como um exemplo proeminente dessa influência, especialmente durante a administração de Donald Trump, que contava com diversos bilionários em seu governo. A ONG ressalta que, nos EUA, **uma política apoiada pelos mais ricos tem 45% de chance de ser adotada**, enquanto a oposição deles reduz essa probabilidade para 18%.

Layla Abdelké Yakoub, representante da Oxfam, aponta o envolvimento de bilionários como Elon Musk nas eleições americanas, onde estima-se que **1 em cada 6 dólares gastos em campanhas políticas em 2024 vieram de doadores bilionários**. Essa influência se estende ao controle da mídia, redes sociais e inteligência artificial, ferramentas cada vez mais cruciais na formação da opinião pública e na arena política.

Protestos em Davos e Críticas ao Fórum Econômico

O Fórum Econômico em Davos, que reúne a elite econômica e política global, foi palco de protestos. Manifestantes, incluindo a Juventude Socialista Suíça, expressaram descontentamento com a concentração de poder e a falta de legitimidade democrática nas decisões tomadas no evento. Cartazes com máscaras de figuras como Elon Musk e políticos americanos chamaram a atenção, em um ato contra o que consideram um espaço para legitimar ações questionáveis.

Nathalie Ruoss, vice-presidente da Juventude Socialista, criticou o fórum como um local onde os mais poderosos decidem o futuro sem representação democrática. A presença de figuras como Donald Trump foi considerada inaceitável por alguns, pois tenderia a **legitimar suas ações e discursos**. A organização denuncia que as desigualdades econômicas e políticas aceleram a erosão de direitos e segurança de forma alarmante.

Propostas da Oxfam para um Futuro Mais Justo

Diante desse cenário, a Oxfam propõe medidas para limitar o poder dos ultrarricos, incluindo a **tributação efetiva de suas fortunas** e a proibição do financiamento de campanhas políticas por esses indivíduos. A organização alerta que a persistência dessas desigualdades pode levar a respostas autoritárias e violentas, como o uso de plataformas digitais para perseguir críticos do governo, questionando até onde alguns governos estão dispostos a ir para proteger os interesses dos mais ricos.

O relatório também menciona que as políticas implementadas durante a presidência Trump beneficiaram os mais ricos globalmente. A ONG enfatiza a necessidade de ações concretas para **reduzir a concentração de riqueza e fortalecer a democracia**, garantindo que o desenvolvimento econômico beneficie a todos e não apenas a uma pequena elite.