Arquivo da categoria: Economia

França convoca G7 para debater ameaças de Trump sobre Groenlândia e tarifas comerciais

França busca união do G7 contra ameaças comerciais de Trump em meio a impasse sobre Groenlândia

A tensão comercial internacional ganhou um novo capítulo com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor tarifas adicionais caso os EUA não fossem autorizados a comprar a Groenlândia. Em resposta a essa escalada, o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, anunciou que convocará uma reunião de seus colegas do Grupo dos Sete (G7).

O objetivo do encontro, que ocorrerá nos próximos dias, é discutir questões de comércio e soberania. A declaração do ministro francês ressalta a preocupação europeia com as ações unilaterais e a crescente pressão comercial exercida pelos Estados Unidos sob a liderança de Trump.

Lescure foi enfático ao expressar a solidariedade francesa com a Groenlândia e a Dinamarca, países diretamente envolvidos nas declarações de Trump. A postura da França busca reforçar a importância do diálogo e da cooperação entre os países aliados, condenando veementemente qualquer forma de pressão ou chantagem.

A iniciativa francesa também levanta a questão da autonomia europeia em assuntos comerciais e de política externa. A necessidade de a Europa ter “capacidade de agir de forma autônoma” foi destacada por Lescure, indicando um desejo por maior independência em relação às decisões americanas, especialmente em momentos de instabilidade e incerteza no cenário global.

Solidariedade com Groenlândia e Dinamarca

O ministro Roland Lescure declarou explicitamente o apoio da França à Groenlândia e à Dinamarca. “Estamos totalmente solidários com a Groenlândia e com a Dinamarca”, afirmou Lescure. Essa manifestação de apoio é um sinal claro de que a França não vê com bons olhos as tentativas de negociação de soberania por meio de pressões econômicas.

A posição francesa considera as ameaças de Trump como inaceitáveis, especialmente no contexto das relações diplomáticas entre países aliados. A ideia de “chantagem entre amigos” foi utilizada para descrever a situação, sublinhando a gravidade com que o governo francês encara o episódio.

Europa busca autonomia em meio a tensões comerciais

A escalada das tensões comerciais e as declarações de Trump sobre a Groenlândia evidenciam a necessidade de uma resposta coordenada e autônoma por parte da Europa. O ministro francês, Roland Lescure, lamentou a situação, mas ressaltou a importância de a Europa desenvolver sua própria capacidade de ação.

“A Europa precisa ter capacidade de agir de forma autônoma”, pontuou Lescure. Essa declaração reflete um anseio por maior independência nas decisões econômicas e políticas, reduzindo a dependência de outros blocos e fortalecendo a posição europeia no cenário internacional.

Reunião do G7 para alinhar estratégias

A convocação da reunião de ministros das Finanças do G7 pelo ministro francês visa a encontrar um terreno comum para lidar com as recentes ameaças comerciais. O grupo, composto pelas sete maiores economias industrializadas do mundo, buscará alinhar estratégias e fortalecer a posição coletiva diante das ações americanas.

A discussão sobre comércio e soberania no âmbito do G7 é crucial para definir os próximos passos e as possíveis respostas a serem adotadas pelo bloco. A iniciativa francesa busca não apenas condenar a retórica de Trump, mas também propor soluções concretas para proteger os interesses dos países membros e manter a estabilidade das relações comerciais globais.

A matéria está em atualização e mais informações serão divulgadas conforme o desenrolar dos fatos e a realização da reunião do G7.

Bazuca Comercial da UE: Macron Quer Usar Arma Anti-Trump por Ameaças sobre Groenlândia e Tarifa de 25%

União Europeia considera resposta robusta a ameaças comerciais de Trump em relação à Groenlândia.

A União Europeia (UE) está em alerta máximo diante das ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas sobre importações de vários países europeus. A França, liderada pelo presidente Emmanuel Macron, solicitou a ativação de um poderoso instrumento de defesa comercial, apelidado de “bazuca comercial”, para responder a essa escalada de tensões.

Trump anunciou recentemente que pretende impor tarifas adicionais a oito países europeus, incluindo Dinamarca, França, Alemanha e Reino Unido, caso não concordem com seu plano de anexar a Groenlândia. A medida, que prevê tarifas de 10% a partir de fevereiro, subindo para 25% em junho, visa pressionar os países a cederem à demanda americana sobre o território ártico.

A resposta europeia se baseia no Instrumento contra a Coerção Econômica (ACI), aprovado pela UE em 2023. Este instrumento, descrito como uma arma “dissuasiva”, tem como objetivo proteger os interesses comerciais do bloco contra medidas coercitivas de países terceiros. A ativação do ACI permitiria à UE impor suas próprias retaliações comerciais, como tarifas mais altas e restrições a investimentos.

A solicitação francesa, que busca uma resposta coordenada de todos os 27 Estados-Membros, sinaliza uma disposição em enfrentar diretamente as ameaças de Trump. A possibilidade de a UE impedir que empresas americanas comprem ações de empresas europeias ou participem de licitações públicas é uma das medidas retaliatórias em potencial, conforme informações do Parlamento Europeu.

O que é a “Bazuca Comercial” da UE?

A “bazuca comercial” da UE, formalmente conhecida como Instrumento contra a Coerção Econômica (ACI), é uma ferramenta legislativa aprovada em 2023. Seu principal objetivo é dissuadir países terceiros de exercerem pressões econômicas sobre a União Europeia ou seus Estados-Membros, aplicando ou ameaçando aplicar medidas que afetem o comércio ou o investimento. O instrumento foi concebido para permitir uma reação rápida e eficaz a tais ameaças.

O ACI autoriza a UE a aplicar uma série de medidas retaliatórias, incluindo o aumento de tarifas sobre importações, a imposição de restrições a licenças de exportação ou importação, e limitações ao comércio de serviços. Além disso, pode restringir o acesso de empresas estrangeiras a investimentos diretos e a licitações públicas dentro do bloco europeu.

A aprovação do ACI foi acelerada após incidentes de coerção econômica, como as restrições comerciais impostas pela China à Lituânia em 2021, após o país báltico ter fortalecido laços com Taiwan. A UE argumentou que tais práticas coercitivas não são adequadamente cobertas pelos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Macron e Outros Líderes Europeus Reagem às Ameaças de Trump

O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a ameaça de Trump como “inaceitável” e defendeu a ativação imediata do ACI. “Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo”, declarou Macron, reforçando a determinação europeia em defender sua soberania.

Outros líderes europeus também se pronunciaram sobre a situação. O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou que o instrumento “está sobre a mesa”, mas defendeu que todas as vias de diálogo sejam esgotadas primeiro. O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, expressou preocupação com uma potencial guerra comercial, alertando que “ninguém se beneficia disso”.

O Impacto Econômico e a História do ACI

A relação comercial entre a UE e os Estados Unidos é robusta, com bens e serviços no valor de aproximadamente US$ 5 bilhões atravessando o Atlântico diariamente. Em termos de bens, a UE registrou um superávit de mais de US$ 170 bilhões, enquanto os EUA tiveram um superávit de quase US$ 120 bilhões em serviços, segundo dados da Comissão Europeia.

A possibilidade de usar o ACI já havia sido considerada durante a guerra tarifária global de Trump em seu primeiro mandato, mas a UE optou pelo diálogo. O instrumento foi desenvolvido após o fim do primeiro mandato de Trump, período marcado por tensões comerciais transatlânticas. A UE busca assim ter uma ferramenta para responder rapidamente a pressões externas e defender seus interesses econômicos e soberania.

Reunião de Emergência da UE para Discutir Próximos Passos

Em resposta às ameaças de Trump, os embaixadores dos 27 países da UE realizaram uma reunião de emergência para analisar a situação e definir os próximos passos. A decisão de ativar ou não a “bazuca comercial” será crucial para determinar o futuro das relações comerciais transatlânticas e a postura da UE diante de pressões externas.

A União Europeia busca, com o ACI, enviar uma mensagem clara de que não se curvará a ameaças e que possui os meios para se defender de pressões econômicas. A ativação deste instrumento representaria uma escalada significativa na disputa comercial, mas também uma demonstração de força e unidade do bloco europeu.