Arquivo da categoria: Economia

O norueguês que revolucionou o sushi: como um estrangeiro convenceu o Japão a amar o salmão cru

A improvável jornada do salmão norueguês para se tornar um ícone do sushi japonês

Na década de 1980, o salmão cru era praticamente desconhecido no Japão. A ideia de consumi-lo em pratos como sushi e sashimi era vista com desconfiança pelos japoneses, que o associavam a cheiros de rio e texturas inadequadas. No entanto, um norueguês visionário chamado Bjørn-Eirik Olsen embarcou em uma missão audaciosa para mudar essa percepção e, ao mesmo tempo, salvar a indústria pesqueira de seu país.

Apaixonado pelo Japão desde a juventude, Olsen dedicou anos a estudar a cultura e o mercado japonês. Sua persistência e estratégia de marketing inovadora foram cruciais para introduzir o salmão norueguês no paladar dos japoneses, transformando-o em um dos ingredientes mais populares do sushi globalmente.

A história é um testemunho de como a perseverança, o conhecimento cultural e uma boa dose de criatividade podem superar barreiras e criar mercados inexistentes. Conforme informação divulgada pelo Serviço Mundial da BBC, a trajetória de Olsen não apenas impulsionou as exportações norueguesas, mas também moldou o futuro da culinária de sushi como a conhecemos hoje.

Um amor pelo Japão que começou com o cinema

A fascinação de Bjørn-Eirik Olsen pelo Japão remonta à sua infância. Aos 12 anos, o filme japonês “Os Sete Samurais”, de Akira Kurosawa, um clássico aclamado mundialmente, despertou nele um profundo desejo de conhecer e entender a cultura nipônica. Esse interesse o levou a estudar no Japão, onde aprendeu o idioma e se aprofundou em estudos sobre algas na Universidade de Kyushu.

Essa imersão cultural foi fundamental para que Olsen compreendesse as nuances do mercado japonês e identificasse oportunidades. Ele percebeu que o segmento de sushi e sashimi, dominado por peixes valiosos como o atum vermelho, representava um nicho de alto potencial para o salmão.

O desafio de convencer um país a comer salmão cru

Naquela época, a indústria pesqueira norueguesa buscava expandir seus mercados, e o Japão, com sua forte tradição de consumo de frutos do mar, era um alvo promissor. Contudo, havia um obstáculo significativo: os japoneses não consumiam salmão cru. Eles acreditavam que o peixe tinha um odor desagradável e uma textura inadequada para o sushi e sashimi.

Olsen e sua equipe enfrentaram resistência inicial dos profissionais do setor, que rejeitavam a ideia. Para contornar isso, eles criaram um novo nome para o produto, substituindo a palavra japonesa para salmão, “shake”, por “Noruee saamon”, uma adaptação de “salmão norueguês” para o idioma local. Essa mudança de nomenclatura foi o primeiro passo para desassociar o peixe das percepções negativas.

Campanhas de marketing e a crise que abriu portas

Diversas campanhas de marketing foram lançadas, incluindo colaborações com chefs renomados como Yutaka Ishinabe. No entanto, o progresso foi gradual. O ponto de virada ocorreu no início da década de 1990, quando a indústria de salmão de cativeiro da Noruega enfrentou um excedente de produção. Com toneladas de peixe encalhadas e preços despencando, a necessidade de encontrar novos mercados tornou-se urgente.

Uma negociação para vender 12 mil toneladas de salmão para uso culinário tradicional no Japão ameaçou todo o trabalho de construção da imagem do salmão para sushi. Olsen agiu rapidamente e fechou um acordo com a empresa Nichirei para comercializar 5 mil toneladas especificamente para sushi. Essa manobra estratégica foi crucial para salvar a reputação do salmão norueguês no mercado japonês.

A consolidação do salmão no sushi e o sucesso global

A popularidade dos restaurantes de sushi com esteiras rolantes, que se tornaram mais acessíveis após o estouro da bolha econômica japonesa, também contribuiu para a aceitação do salmão. Crianças, em particular, se sentiam atraídas pela cor vibrante do peixe e o experimentavam com curiosidade, desenvolvendo um gosto por ele.

Em 1995, ao retornar ao Japão, Olsen viu com satisfação réplicas de plástico de niguiri de salmão nas vitrines de lojas de sushi, um sinal claro de que o salmão havia se consolidado no cardápio japonês. Atualmente, o salmão é um dos ingredientes de sushi mais amados em todo o mundo, e a Noruega continua sendo a líder global na produção de salmão de piscicultura.

Trump Ameaça Canadá com Tarifas de 100% se Fechar Acordo Comercial com a China, Ministro Responde

Trump Ameaça Canadá com Tarifas de 100% se Fechar Acordo Comercial com a China, Ministro Responde

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a tensão nas relações comerciais com o Canadá ao ameaçar impor tarifas de 100% sobre todas as importações canadenses para os EUA. A declaração surge após o anúncio de uma nova parceria estratégica entre o Canadá e a China, resultado de uma visita do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, a Pequim.

Trump expressou descontentamento através de sua plataforma Truth Social, afirmando que se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias para os EUA, está muito enganado”. A medida punitiva seria aplicada imediatamente caso o acordo entre Canadá e China seja concretizado.

Esta nova ameaça de Trump ocorre em um momento em que o Canadá busca reestabelecer laços comerciais com a China, seu segundo maior parceiro comercial, após um período de atritos diplomáticos. A visita de Carney a Pequim foi a primeira de um líder canadense à China em oito anos, sinalizando uma busca por reequilíbrio nas relações internacionais.

O acordo em questão prevê, entre outros pontos, uma redução nas tarifas chinesas sobre a canola canadense e a permissão para a entrada de quase 50 mil carros elétricos chineses no mercado canadense, com uma tarifa significativamente menor do que a atual. Essas movimentações foram divulgadas conforme informação divulgada pelo próprio governo canadense.

Parceria Canadá-China: Redução de Tarifas e Veículos Elétricos em Foco

A nova parceria estratégica entre Canadá e China inclui a expectativa de que a China reduza as tarifas sobre a canola canadense. Conforme anunciado por Carney após conversas com o presidente chinês Xi Jinping, o Canadá permitirá a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses com uma tarifa de 6,1%, em comparação com a tarifa de 100% imposta anteriormente por Justin Trudeau. Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá.

Carney declarou que a meta é construir um setor canadense de veículos elétricos competitivo, aprendendo com parceiros inovadores e acessando suas cadeias de suprimentos. Ele também mencionou que a cota de veículos elétricos aumentará gradualmente, chegando a cerca de 70.000 em cinco anos, o que representa um retorno aos níveis anteriores aos atritos comerciais, mas sob um acordo que visa trazer mais benefícios para os canadenses.

Reação nos EUA e Impacto no Setor Automotivo Canadense

A decisão do Canadá de reduzir as tarifas de carros elétricos diverge da política dos Estados Unidos e gerou críticas de alguns membros do gabinete de Trump. O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, principal província produtora de automóveis do Canadá, criticou o acordo federal, argumentando que ele convida a entrada de veículos elétricos chineses baratos sem garantias de investimentos correspondentes na economia e no setor automotivo canadense.

Apesar das críticas, Trump havia expressado apoio a Carney na semana anterior, dizendo que ele deveria buscar acordos comerciais. No entanto, a ameaça de tarifas de 100% demonstra uma mudança de postura, possivelmente motivada pela percepção de que a parceria com a China pode prejudicar os interesses comerciais americanos, transformando o Canadá em um canal para produtos chineses no mercado dos EUA.

Retaliação Chinesa e Benefícios Esperados para Agricultores Canadenses

Em retaliação às tarifas impostas por Trudeau anteriormente, a China aplicou tarifas sobre produtos agrícolas e alimentícios canadenses, como óleo e farinha de canola, além de sementes de canola. Isso resultou em uma queda nas exportações canadenses para a China. Com o novo acordo, o Canadá espera que a China reduza essas tarifas, incluindo as sobre sementes de canola, para cerca de 15% dos atuais 84%, a partir de 1º de março.

Adicionalmente, o Canadá espera a remoção de tarifas antidiscriminatórias sobre produtos como farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas. Carney estima que esses acordos destravarão cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses. O Ministério do Comércio da China confirmou o ajuste nas medidas antidumping e antidiscriminatórias em resposta à flexibilização das tarifas canadenses para veículos elétricos.