Dólar sobe e bolsa cai nesta segunda-feira com atenção a negociações internacionais e expectativas de política monetária dos EUA
O dólar fechou em alta de 0,48%, cotado a R$ 5,5706, enquanto o Ibovespa recuou 0,25%, terminando a sessão aos 160.490 pontos. A movimentação ocorre em um cenário de menor liquidez e volume reduzido no mercado, comum na reta final do ano.
O ambiente está favorável à volatilidade, segundo o diretor da FB Capital, Fernando Bergallo, por conta dos poucos negócios e da proximidade do fim do ano. No contexto internacional, a atenção está centrada nas negociações entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia, além das expectativas quanto à ata do Federal Reserve, que tende a influenciar os rumos do dólar e dos investimentos globalmente.
Além disso, dados relevantes serão divulgados no Brasil, incluindo a taxa de desemprego de novembro, pelo IBGE, e o Caged, que mede o emprego formal, marcando uma semana intensa para o mercado doméstico. A situação externa, com bolsas mundiais sem direção clara e oscilações variadas, reforça o clima de cautela nos negócios brasileiros.
Essas informações estão embasadas em dados divulgados nesta segunda-feira (29) pela agência Reuters e pelo boletim Focus, do Banco Central, entre outras fontes.
Dólar reage a negociações de paz e decisões do Federal Reserve
A valorização do dólar frente ao real reflete o interesse dos investidores na política externa dos Estados Unidos sobre a guerra na Ucrânia. O presidente Donald Trump afirmou estar próximo de fechar um plano de paz, embora as negociações ainda enfrentem impasses, especialmente sobre o período das garantias de segurança para a Ucrânia, pleiteado por Zelensky para até 50 anos.
A Rússia concorda que a resolução está próxima, mas exige a retirada das tropas ucranianas da região do Donbass, o que mantém a tensão no cenário geopolítico. Paralelamente, o mercado aguarda a divulgação da ata do Federal Reserve, que recentemente reduziu a taxa de juros dos EUA para o menor patamar desde setembro de 2022, entre 3,50% e 3,75% ao ano, com investidores buscando pistas sobre futuras decisões para ajustarem suas estratégias.
Balanço das bolsas globais e desempenho do mercado brasileiro
As bolsas internacionais abriram a última semana do ano sem tendência definida. Em Wall Street, os principais índices fecharam em queda, puxados principalmente pelo recuo das ações de tecnologia após uma sequência de altas recentes. O Dow Jones caiu 0,51%, S&P 500, 0,35%, e Nasdaq, 0,50%, frustrando expectativas de um rali típico de final de ano.
Na Europa, mesmo com oscilações, os mercados tiveram máximas históricas, impulsionados sobretudo por recursos básicos e tecnologia, enquanto setores ligados à defesa caíram após declarações de Trump sobre o possível acordo com a Ucrânia. Na Ásia, o índice de Xangai atingiu sua nona alta consecutiva, impulsionado por um yuan fortalecido e estímulos ao consumo, porém indicadores regionais se mostraram mistos.
Perspectivas para o mercado brasileiro em meio a dados econômicos e cenário externo
O boletim Focus divulgou uma redução pela sétima semana consecutiva na projeção de inflação para 2025, agora em 4,32%, refletindo expectativas de desaceleração. Para 2026, a previsão também caiu, para 4,05%, o que traz algum otimismo para o cenário macroeconômico.
Porém, o mercado brasileiro permanece atento à divulgação dos dados do mercado de trabalho nesta terça-feira (30), que podem influenciar a confiança dos investidores e o comportamento do Ibovespa. Em meio a incertezas globais e maior volatilidade, a combinação de fatores internos e externos torna a reta final de 2023 um período delicado para o mercado financeiro nacional.