Mercado financeiro reage a dados de inflação e aguarda decisões de juros em “Superquarta”.
O dólar encerrou a sessão desta terça-feira (27) em forte queda, cotado a R$ 5,2056, atingindo seu menor patamar desde maio de 2024. A desvalorização de 1,41% reflete um cenário de otimismo no mercado financeiro brasileiro, impulsionado por expectativas econômicas favoráveis.
Paralelamente, a bolsa de valores brasileira, representada pelo Ibovespa, alcançou um novo recorde histórico de fechamento, subindo 1,79% e alcançando os 181.919 pontos. Esse desempenho robusto da bolsa demonstra a confiança dos investidores no cenário econômico atual e nas perspectivas futuras.
No centro das atenções nesta “Superquarta” estão as decisões de política monetária do Banco Central do Brasil (BCB) e do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. As expectativas do mercado apontam para a manutenção das taxas de juros em ambos os países, mas o foco recai sobre os sinais futuros de flexibilização monetária.
A divulgação da prévia da inflação de janeiro (IPCA-15) pelo IBGE, que mostrou uma alta de 0,20%, ligeiramente abaixo do esperado, também contribuiu para o otimismo. Esses dados, conforme informação divulgada pelo IBGE, foram publicados em meio a um clima de antecipação para os anúncios de juros, conforme divulgado pelo IBGE.
Inflação em Janeiro Abaixo do Esperado e Expectativas para a Selic
A prévia da inflação oficial do Brasil em janeiro, o IPCA-15, registrou uma alta de 0,20%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este índice ficou um pouco abaixo das projeções do mercado, que esperavam uma elevação de 0,22%. No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,50%.
Os maiores aumentos de preços foram observados nos setores de saúde e cuidados pessoais, incluindo planos de saúde e produtos de higiene, além de comunicações, com destaque para os serviços de telefonia móvel. A alimentação também voltou a pressionar o índice, com alta em itens como tomate, batata, frutas e carnes, embora alguns produtos como leite, arroz e café tenham registrado queda em seus preços.
Por outro lado, o setor de transportes apresentou queda nos preços, impulsionada principalmente pela redução nas passagens aéreas e pela implementação de tarifas zero em algumas cidades. Esses movimentos indicam uma dinâmica complexa na composição da inflação brasileira.
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, indica que os economistas do mercado financeiro projetam que a taxa básica de juros, a Selic, termine 2026 em 12,25% ao ano. Isso representaria uma queda de 2,75 pontos percentuais em relação ao patamar atual de 15% ao ano, sugerindo um ciclo de cortes iniciado no primeiro trimestre de 2026.
“Superquarta”: Juros no Brasil e nos EUA Sob os Holofotes
A decisão sobre a taxa de juros no Brasil, a ser anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, ocorrerá no mesmo dia em que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, divulgará sua decisão. Essa coincidência é conhecida no mercado financeiro como “Superquarta”.
A expectativa predominante é de que tanto o Copom quanto o Fed mantenham suas respectivas taxas de juros inalteradas. No entanto, o mercado estará atento aos comunicados e às projeções futuras de ambos os bancos centrais, buscando sinais sobre o futuro curso da política monetária global.
Uma preocupação adicional para os investidores internacionais reside nas tensões entre o governo do presidente Donald Trump e o Fed. Trump tem criticado publicamente o presidente do Fed, Jerome Powell, e sinalizado a intenção de indicar um novo nome para liderar a instituição. Há temores de que um novo indicado possa sofrer pressão política para cortar juros mais rapidamente, o que poderia comprometer a independência do banco central americano.
Cenário Internacional: Acordos Comerciais e Tensões Geopolíticas
No cenário internacional, um importante desenvolvimento foi o fechamento de um acordo comercial entre a União Europeia (UE) e a Índia, após duas décadas de negociações. Este pacto visa criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo um mercado de aproximadamente 2 bilhões de pessoas.
O acordo prevê a redução de tarifas em diversos setores, com a UE esperando economizar até 4 bilhões de euros anualmente. A Índia, por sua vez, busca aumentar suas exportações de têxteis, joias e produtos de couro. Cortes significativos incluirão impostos sobre carros europeus (de 110% para 10%) e vinhos (de 150% para 20%), além da isenção de tarifas para produtos como massas e chocolate.
O pacto também contempla a cooperação em áreas como tecnologia, investimentos, circulação de trabalhadores, educação, segurança e defesa. A iniciativa demonstra um movimento estratégico de UE e Índia para fortalecerem suas economias e reduzirem a dependência de grandes potências globais.
Em contrapartida, o mercado também monitora as tensões geopolíticas, como o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos da Coreia do Sul e o anúncio da China sobre o aprofundamento da cooperação com a Rússia. Esses movimentos adicionam um elemento de incerteza ao cenário econômico global.