Dólar em Queda: Emprego nos EUA e Serviços no Brasil Moldam o Mercado Financeiro Brasileiro

Dólar recua com olhos nos EUA e Brasil, enquanto Copom indica possível corte de juros em março.

O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (4) em queda, refletindo um cenário de cautela nos mercados globais. A moeda americana operava em baixa de 0,24%, cotada a R$ 5,2356, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, aguarda o horário de abertura oficial para divulgar seu desempenho.

No cenário internacional, a atenção se volta para os Estados Unidos, onde o relatório da ADP sobre a criação de vagas no setor privado promete movimentar as negociações. Paralelamente, os índices de gerentes de compras (PMI) composto e de serviços dos EUA fornecerão um panorama da atividade econômica recente no país.

No Brasil, a S&P Global divulgará os PMIs de serviços e composto referentes a janeiro. Esses indicadores são cruciais para entender a dinâmica do setor de serviços no país, que já demonstrou sinais de expansão em dezembro de 2025, atingindo 53,7 pontos, o maior avanço em mais de um ano.

A divulgação do fluxo cambial pelo Banco Central no período da tarde também é aguardada com expectativa. Este indicador, que mede a entrada e saída de dólares do país, pode trazer novas pistas sobre o comportamento dos investidores. Conforme informação divulgada pelo g1, na semana encerrada em 30 de janeiro, a saída de dólares superou a entrada em US$ 638 milhões, impactada pelo resultado da conta comercial.

Ata do Copom sinaliza início de ciclo de cortes na Selic

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, trouxe um sinal importante para o mercado: o Banco Central considera adequado iniciar um ciclo de redução da taxa de juros a partir da próxima reunião, marcada para março. Essa avaliação leva em conta o comportamento da inflação e os efeitos dos juros elevados sobre os preços.

A decisão de manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva visa conter pressões inflacionárias. No entanto, a expectativa agora se volta para os próximos passos, com o Banco Central indicando que a flexibilização da política monetária será conduzida com cautela, priorizando o retorno da inflação à meta.

O mercado financeiro já projeta o primeiro corte para março, com a Selic potencialmente caindo para 14,5% ao ano. As projeções indicam que a taxa básica de juros pode chegar a 12,25% ao ano até o fim de 2026, demonstrando um otimismo cauteloso com a economia brasileira.

Produção industrial mostra desaceleração em dezembro

Os dados mais recentes da produção industrial brasileira pintam um quadro de desaceleração. Em dezembro de 2025, a atividade recuou 1,2% em relação a novembro, descontados os efeitos sazonais, marcando a maior retração desde julho de 2024. Apesar de uma leve alta de 0,4% na comparação anual, interrompendo uma sequência negativa, o desempenho anual do setor em 2025 foi contido, com crescimento de apenas 0,6%.

O quarto trimestre de 2025 também registrou um desempenho inferior ao do ano anterior, com a produção industrial caindo 0,5%. A média móvel trimestral em dezembro indicou uma perda de ritmo no final do ano. Mesmo assim, a produção industrial ainda se mantém ligeiramente acima do patamar pré-pandemia, embora distante do recorde histórico de maio de 2011.

Mercados internacionais em baixa, com foco em balanços e metais preciosos

Em Wall Street, os mercados fecharam em queda, impulsionados pela divulgação de balanços financeiros, especialmente de empresas de tecnologia. O Dow Jones caiu 0,34%, o S&P 500 recuou 0,84%, e o Nasdaq registrou perdas de 1,43%.

As bolsas europeias também foram afetadas, inicialmente pela queda em metais preciosos, mas apresentaram uma recuperação parcial ao longo do dia. O índice STOXX 600 subiu 0,10%, enquanto o DAX alemão e o CAC 40 francês tiveram leves quedas. No Reino Unido, o FTSE 100 caiu 0,26%.

Na Ásia, as perdas foram mais expressivas. A Bolsa de Xangai caiu 2,48%, o CSI300 recuou 2,13%, e o Hang Seng de Hong Kong perdeu 2,23%. Outros mercados como o Nikkei japonês e o Kospi sul-coreano também registraram quedas significativas, evidenciando um dia de aversão ao risco global.

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