Dólar em Queda e Ibovespa em Alta: Boletim Focus e Falas de Galípolo Moldam o Mercado Financeiro Brasileiro

Dólar recua e Ibovespa avança com olhos no Boletim Focus e declarações de Galípolo

O mercado financeiro brasileiro opera com otimismo nesta segunda-feira, 9. O dólar opera em queda, com a moeda americana recuando 0,72% por volta das 13h21, negociada a R$ 5,1826. Em contrapartida, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, mostra força e avança 0,38%, atingindo 183.642 pontos. Essa movimentação reflete a atenção dos investidores a indicadores econômicos cruciais e declarações de figuras-chave da economia.

A agenda econômica do dia foi marcada pela divulgação do Boletim Focus, que trouxe novas revisões nas projeções para a economia brasileira. As expectativas para a inflação em 2026 foram novamente ajustadas para baixo, indicando um cenário de maior controle de preços. Além disso, as falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galí पॉलिpolo, em um evento do setor bancário, também adicionam uma camada de análise para os investidores, especialmente sobre a estabilidade financeira.

No cenário internacional, a atenção se volta para os discursos de membros do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, que podem influenciar o fluxo de capitais para mercados emergentes. A repercussão de eventos políticos em Portugal e no Japão também adiciona um tempero ao comportamento dos mercados globais, que podem refletir incertezas ou otimismo dependendo dos desdobramentos.

A temporada de divulgação de resultados de empresas segue movimentando a bolsa. O BTG Pactual, por exemplo, apresentou um lucro líquido ajustado robusto no quarto trimestre de 2025, demonstrando a resiliência e o potencial de crescimento do setor financeiro. Esses dados corporativos são cruciais para a tomada de decisão dos investidores e para a formação de preços no mercado. Conforme divulgado pelo próprio BTG Pactual, o lucro líquido ajustado foi de R$ 4,597 bilhões no quarto trimestre de 2025, com alta de 1,3% sobre o trimestre anterior e de 40,3% em um ano, conforme informação divulgada pelo próprio banco.

Boletim Focus revisa inflação para baixo e mantém projeções para PIB e Selic

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe uma notícia animadora para o mercado: a projeção de inflação para 2026 foi reduzida de 3,99% para 3,97%. Essa é a quinta semana consecutiva de cortes nessa projeção, sinalizando um possível cenário de convergência para as metas de inflação. Se confirmada, a taxa ficará abaixo da inflação registrada em 2025, estimada em 4,26%.

As projeções para os anos seguintes, 2027, 2028 e 2029, foram mantidas em 3,8%, 3,5% e 3,5%, respectivamente. Quanto à taxa básica de juros, a Selic, a expectativa é de que ela continue em trajetória de queda, saindo dos atuais 15% ao ano para 12,25% ao final de 2026. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 segue estimado em 1,8%, abaixo do ritmo projetado para 2025. Já o dólar, segundo as previsões do mercado, deve encerrar 2026 em torno de R$ 5,50.

Galípolo esclarece caso Banco Master e defende liberdade de captação

Em sua participação no evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, abordou a polêmica envolvendo o Banco Master, liquidado no ano passado. Galípolo afirmou que o caso gerou confusão e desinformação, especialmente sobre a legalidade de oferecer rendimentos acima do mercado. Ele ressaltou que, por si só, essa prática não justificaria uma intervenção do Banco Central, pois não há regra que proíba bancos de captar recursos com juros mais altos.

“Aquilo não configuraria um objeto para você liquidar o banco”, declarou Galípolo, explicando que a captação de CDBs a taxas superiores ao CDI não é o cerne da questão. Segundo o presidente do BC, o problema central do Banco Master residiu na combinação de dificuldades de liquidez, dúvidas sobre a qualidade dos ativos e suspeitas envolvendo carteiras de crédito, fatores que levaram a uma intensificação da supervisão a partir do fim de 2024.

Cenário internacional: eleições em Portugal e Japão e discursos do Fed

No cenário internacional, a vitória de António José Seguro como novo presidente de Portugal, pelo Partido Socialista, com cerca de 67% dos votos, repercute nos mercados. Seguro se apresentou como um candidato moderado, defensor da democracia, o que pode trazer mais estabilidade à região. No Japão, o Partido Liberal Democrata, da primeira-ministra Sanae Takaichi, conquistou uma expressiva maioria no Parlamento, garantindo força para aprovar suas propostas.

Na agenda econômica dos Estados Unidos, os investidores aguardam os discursos de membros do Federal Reserve (Fed) ao longo da tarde. Christopher J. Waller e Stephen Miran falam às 15h30, enquanto Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta, discursa às 17h15. Essas falas podem trazer pistas sobre os próximos passos da política monetária americana e impactar o fluxo de investimentos globais.

BTG Pactual apresenta lucro recorde e Vale tem operações paralisadas em Minas Gerais

A temporada de balanços corporativos segue em destaque. O BTG Pactual divulgou um lucro líquido ajustado de R$ 4,597 bilhões no quarto trimestre de 2025, um aumento de 40,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado principalmente por operações de investimento, mercado financeiro, concessão de crédito e gestão de recursos. Analistas veem a empresa bem posicionada para crescer, especialmente se o mercado financeiro na América Latina melhorar.

Em contrapartida, a Vale enfrenta um revés. A Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação de todas as operações da companhia no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto. As atividades só poderão ser retomadas após a comprovação da segurança das estruturas, após um colapso de cava em janeiro que liberou grande volume de água e sedimentos, apontando falhas na drenagem.

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