Dólar tem leve alta e Ibovespa atinge recorde histórico em dia de foco em dados americanos e cenário geopolítico
O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (23) em leve alta, com avanço de 0,10%, cotado a R$ 5,2897. Na véspera, a moeda americana havia recuado 0,67%, fechando a R$ 5,2840, o menor valor desde 11 de novembro. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, que abre às 10h, tende a ser influenciado pelo cenário externo.
Com uma agenda econômica doméstica mais enxuta, o mercado volta a direcionar sua atenção para os indicadores econômicos dos Estados Unidos e para o comportamento recente dos ativos globais. Dados de atividade econômica, sinais de menor tensão geopolítica e o desempenho das bolsas internacionais são fatores cruciais acompanhados pelos investidores.
Na quinta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 2,20%, atingindo 175.589,35 pontos, marcando o maior nível de encerramento da história. Desde o início da semana, o índice acumulou uma valorização superior a 10 mil pontos. Durante o pregão, o Ibovespa também renovou sua máxima histórica intradiária, alcançando 177.741,56 pontos.
O desempenho positivo do Ibovespa foi sustentado por ações de grande peso no índice. A Petrobras subiu 0,69%, a Vale avançou 0,58% e o Itaú registrou alta de 3,38%. O dólar acumulou no mês uma queda de 3,73%, enquanto o Ibovespa acumula no mês uma alta de 8,98%.
Tensões geopolíticas diminuem e impulsionam mercados globais
Na véspera, as bolsas globais avançaram após o presidente Donald Trump descartar o uso de força militar para anexar a Groenlândia e suspender tarifas previstas para oito países europeus. Essa postura reduziu a percepção de risco no cenário internacional. Trump afirmou ter alcançado um acordo sobre o futuro da Groenlândia junto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), descrevendo a estrutura de um futuro acordo como positiva para os EUA e para todos os países da Otan.
Com base nesse entendimento, Trump também decidiu recuar das tarifas de 10% impostas a países europeus, que haviam sido uma retaliação à contrariedade dessas nações sobre a aquisição da Groenlândia pelos EUA. No entanto, autoridades europeias, como o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, negaram que o acordo envolva cessão de soberania.
Dados dos EUA mostram economia resiliente, mas com desafios
Nos Estados Unidos, os investidores analisam os índices de gerentes de compras (PMI). Em dezembro, o indicador que reúne indústria e serviços recuou para 52,7, abaixo da leitura preliminar de 53. O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA avançou a uma taxa anualizada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, segundo a segunda estimativa do Departamento de Comércio. O índice de preços de gastos com consumo (PCE) avançou 2,8% no mesmo período.
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em apenas 1 mil na semana encerrada em 17 de janeiro, totalizando 200 mil solicitações. Economistas observam que o mercado de trabalho americano permanece em um cenário de “baixa contratação e baixa demissão”, influenciado por políticas comerciais e de imigração, além de investimentos em inteligência artificial por parte das empresas.
Bolsas globais reagem positivamente ao alívio e dados econômicos
O mercado em Wall Street fechou em alta, aproximando-se de suas máximas históricas, impulsionado pela redução da ameaça de tarifas por Trump e por dados econômicos que apontam para uma economia resiliente. O Dow Jones Industrial Average avançou 0,63%, o S&P 500 subiu 0,55% e o Nasdaq Composite teve alta de 0,91%.
Na Europa, os mercados também apresentaram ganhos significativos. O STOXX 600 subiu 1,03%, o DAX da Alemanha avançou 1,20%, o CAC 40 da França teve alta de 0,99%, o FTSE MIB da Itália ganhou 1,36% e o FTSE 100 de Londres subiu 0,12%. Na Ásia, os mercados encerraram o dia com leves ganhos, com o Nikkei de Tóquio avançando 1,7%.